Capítulo 58

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Três horas foram suficientes para esfriar minha cabeça, mas as palavras de Matthew ecoavam em minha mente, perturbando meu sono.

"Por favor, eu sei que não é fácil acreditar, mas pelo menos deixa eu tentar te reconquistar."

Essas palavras me incomodaram a noite inteira, impedindo-me de dormir. Era como se ele sussurrasse em meus ouvidos, seu hálito de menta queimando minha pele.

***

Na Universidade, o cenário era o mesmo de sempre. Sentei-me em meu lugar habitual, tentando ignorar a ausência de Gisele.

- Bom dia – Richard me cumprimenta, sorrindo.

- Bom dia.

Sentia falta de Gisele, que não apareceu. Minhas pálpebras estavam pesadas, e eu estava exausta. Durante a aula, Richard não falou mais nada e o resto da turma permaneceu em silêncio.

Quando o horário do almoço chegou, eu estava tão cansada que nem percebi a chegada da refeição até que Richard me cutucou.

- Oooow, nem acredito que adormeci – rio, envergonhada por ter dormido com a boca aberta.

- Então, vamos almoçar? – ele pergunta, retirando seu moletom e mostrando a camisa.

- Vamos, vamos.

***

No final de semana, sentia-me satisfeita por uma razão: minha mãe havia permitido que Matthew fosse à nossa casa ver Savannah. Eu evitava estar presente naquele momento.

- Mas ver aqueles olhos, aquele sorriso... sem mencionar o corpo – comento com minha mãe, que faz uma cara de aprovação.

- Filha, às vezes as pessoas merecem segundas chances.

- Mas mãe, eu prometi tentar ser amiga dele novamente... mas...

- Mas nada, Emma.

- Mãe, eu não quero ir ao cinema.

- Você vai ao cinema, Emma.

- Mãe!

- Diga-me por que não.

Minha mente vagueia para lembranças que eu preferia esquecer. O primeiro beijo com Matthew, durante aquela brincadeira da garrafa, tinha sido de certa forma sensual. O toque dele, ardente, os dedos percorrendo meu pescoço...

- Emma? – Frida me interrompe.

- Eu vou, mas você não aceite por mim – digo, culpando-a por isso.

- Mamãe, posso ir dormir agora? – Sasha pergunta, caminhando com sua boneca de pano.

- Claro, meu anjinho – responde minha mãe.

- Você está bonita, mana – Sasha sorri.

- Você sempre está linda, Sasha.

- Eu sei, boa noite – ela caminha arrastando os pés.

- Eu te amo, mãe – digo ao abrir a porta e ver o Audi A4.

Matthew não saiu do carro para abrir a porta como antes, nem cumprimentou minha mãe. Seu olhar sobre mim era assediador e intimidante, e quanto mais eu tentava barrá-lo, menos ele parecia se importar.

- Boa noite, Emma.

- Matthew.

- Qual filme vamos ver? – pergunta, voltando sua atenção para a estrada. Noto uma nova tatuagem em seu pulso. Ele está usando uma camiseta azul e calção jeans, de forma intrigantemente sexy. Não posso pensar nisso agora. Preciso focar em algo neutro... flores, talvez. Mas o perfume dele é inebriante.

- Então, como foi a primeira semana de faculdade? – ele interrompe meus pensamentos, sorrindo.

- Foi demais! – respondo, sem saber muito o que dizer.

- Soube que fez novos amigos...

Seu sorriso maligno me deixa sem fôlego.

- E-eu conheci bastante gente interessante – minto.

Ele fica sério, sem desviar os olhos do volante. Ao parar na sinaleira, seu rosto se vira em minha direção. É estranho como, em pouco tempo, nos aproximamos e depois, de repente, a distância fez tudo voltar ao início.

- Você está muito atrevida com essa roupa.

Atrevida? Desde quando isso pertence ao seu vocabulário?!

- Falei algo que não gostou? – indaga, curioso.

- O que andou fazendo nesses dias? – pergunto para mudar de assunto. Ele aperta o volante com força, seus dedos ficam vermelhos.

- Estou saindo, conhecendo novos lugares...

Ele não me olha. Isso é mentira; ele não consegue mentir sem me olhar.

- Saindo com novas garotas? – sinto um ciúme avassalador.

- Depende do tipo de garotas, normais ou pagas para o serviço? – ele sorri de forma diabólica, e mesmo sabendo que ele mente, sinto um formigamento de raiva.

- Engraçado, você consegue alguém mesmo sendo louco? – pergunto, olhando para as estrelas no céu.

- Engraçado que eu não consigo encontrar alguém por quem sou louco – ele diz, colocando a mão na minha coxa, sobre o jeans. Isso não devia estar acontecendo.

- Matthew, por favor, não complicamos as coisas – falo ofegante, o calor do carro tornando tudo ainda mais sufocante.

- Emma, facilite as coisas para nós. Eu sei que você sente minha falta, mas nega isso para mim – ele estaciona o carro em frente ao cinema. – Você acha que eu não percebo o quanto sua respiração acelera quando estou perto? – ele se aproxima de mim. – Ou quando você fica afetada ao falar sobre isso, ou nega seus sentimentos e fica corada na minha presença?

- Matthew, isso tem que parar – digo, sem saber como lidar com a situação.

- Isso? – antes que eu possa responder, suas mãos estão em minha nuca e seu beijo está dominando meu ser por completo.

Querida BabáOnde histórias criam vida. Descubra agora