Assistíamos à TV, na verdade, eu estava tentando me concentrar no filme, embora já o tivesse visto algumas vezes. Brianna não parava de falar um minuto sequer.
— Hunter é um cara legal, pelo menos é o que parece — ela dizia, enquanto mastigava pipoca. — Vocês não se conhecem há muito tempo, né?
— Não.
— Pois é, da última vez ele trouxe uma garota que não era você — ela estava me provocando?
— Alguma amiga, talvez — respondi ríspida.
— Era uma tal de Sol — ela ri — Pelo menos era assim que ela queria ser chamada.
Por uma fração de segundo, imaginei a mesma cena que vivi, mas com Rommy em vez de mim. Desastradamente, engasguei-me com a pipoca. Não era possível que ela também vinha aqui. Será que eles sabiam que ela havia morrido? Talvez se não fosse por isso, ainda estariam juntos.
— Eu não gostava dela — disse Brianna com a voz baixa e sincera.
— Eu não a conheço, então não posso dizer nada sobre isso — respondi, tentando obter mais informações, como previsto, ela cede.
— Os dois ficavam trancados no quarto do porão, não saíam sem o outro. Enquanto ela era mais vingativa que ele... — Brianna revira os olhos, como se tivesse falado algo que não devia, e volta a atenção para o filme.
— Como assim mais vingativa? — pergunto, mas não obtenho resposta. Então apenas me encosto no sofá e cruzo os braços.
O que será que havia naquele porão? Fiquei com um pouco de curiosidade, mas no momento eu não iria lá. Simplesmente esperaria não ter ninguém para bisbilhotar.
Depois de me estressar com a demora de Matt, que agora queria ser chamado de Hunter, subi as escadas e fui para o quarto. Fiquei lendo uma revista de carros que tinha em cima do bidê. Não que fosse do meu interesse, mas era melhor do que ficar sentada ao lado de Brianna.
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Matt
Arrastaram-no do carro até o antigo porão, que, por sorte, estava vazio. Jogaram água gelada em seu rosto para acordá-lo, enquanto eu observava encostado na parede. Tomás havia pegado uma corda para amarrá-lo a um cano de ferro. Bob estava desconfiado de que alguém tinha nos seguido, então saiu para verificar com Greg.
—Acorda, rei do asilo!- Tomás dá um tapa em sua careca, e ele logo começa a reclamar.
—Não fui eu, não fui eu...- suas palavras saíam sem que ele soubesse exatamente sobre o que estava falando.
—Aonde está o Sr. Willians?- pergunto, querendo acabar logo com isso.
Vejo que, ao pronunciar o nome, ele fica amedrontado. Todos sabíamos que esse homem era um psicopata, mas era preciso encontrá-lo. Por bons informantes, descobrimos que ele era o maior sócio VIP de Alfred.
—Eu não sei de quem...- Tomás dá um chute em seu estômago, e ele começa a vomitar sangue. Suas mãos vasculham a roupa à procura do celular. Quando o encontrou, tentou achar algum tipo de informação, mas foi desnecessário.
—Aonde está aquele filho-da-mãe?- Novamente Tomás pergunta. Dick, o cara mais valentão, como costumamos dizer em piadas internas, retirou uma faca e a afia no cano de ferro.
—Sabe, tínhamos um amigo nesse grupo. Ele era fiel a nós, como nós somos a ele. Então peço que facilite as coisas para nós e fale rápido, se não irei começar a lhe cortar.- Um sorriso arrepiante surgiu em seus lábios, mas o velho estava tremendo de medo.
Eu não sentia nenhum ressentimento, não por ele. Alfred era conhecido por molestar adolescentes, tanto meninas quanto meninos. Todos sabíamos o tipo de homem que ele era, não fazia sentido deixá-lo vivo.
Eu só queria poder ir embora e deixar isso no passado. Queria esquecer o passado. Tinha dívidas com eles e eles comigo. Se eu ajudasse a dar um fim em Willians, eles me liberariam.
Eu só queria que Emma ficasse ao meu lado. Não podia mais ficar sozinho. Nunca mais.
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Quando voltei para casa, depois de me certificar de que não precisavam mais de mim naquela noite, vi Brianna dormindo de boca aberta no sofá; seria uma cena meiga, se não estivesse babando. Subi as escadas e vi a porta do quarto encostada, alguém estava falando. Aquela voz era suave e doce. Emma.
— Carros antigos não fazem minha cabeça.- Emma estava falando sozinha, deitada de barriga para baixo, balançando as pernas no ar. — Gosto de amarelo, é meio fora de moda, mas gosto.- Ela continuava lendo e dando sua opinião.
—Posso entrar?- perguntei. Suas maçãs do rosto ficaram vermelhas enquanto ela se ajeitava e corava ainda mais.
—Não sabia que estava aí...
—Cheguei agora, então... escolhendo um carro para você?- perguntei, mas ela negou a resposta.
—Não, na verdade não gosto de carros antigos.- Pronunciou as palavras vagarosamente enquanto colocava a revista no lugar.
—Já jantou?" tentei ser simpático, mas ela estava com uma expressão emburrada.
—Não, nem vou.- Isso era TPM?
—Quer que eu te traga alguma coisa?- perguntei, enquanto me sentava perto dela.
—Não.
Sua respiração estava desregulada, suas mãos pareciam suadas e ela não conseguia me olhar. Inclinei a cabeça para beijar sua testa, mas suas pequenas mãos agarraram meu cabelo e redirecionaram meu beijo para os seus lábios.
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Emmanuela
Seu beijo é carinhoso. Minhas mãos soltam seu cabelo e acabam caindo no pescoço. Não deixo que ele se afaste; não quero que ele se afaste. Sua mão sobe até minha bochecha e começa a acariciar. Minha pele reage ao seu toque, é tão previsível. Sinto seu cheiro e o gosto de menta, que me pergunto quando ele fuma, pois nunca o vi fazer isso.
Depois de um beijo longo, ele me abraça e deitamos. Foi assim que acabamos adormecendo.
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Querida Babá
RomanceEmmanuela enfrenta um turbilhão de emoções quando a vida que construiu com Matthew começa a desmoronar. Após uma série de eventos que põem à prova seu relacionamento e sua confiança, Emma descobre que Matthew não é o homem que ela acreditava conhece...
