Capítulo 69

13.9K 1.1K 154
                                        


Eu havia tido a noite mais perfeita que Matt havia me proporcionado. Eu estava totalmente desarrumada. Depois de um longo banho, fui até a cozinha, onde Matt havia deixado mais ou menos uma dezena de chaves. Não entendi o porquê, mas acabei pegando a do seu carro. Fui para casa, mas estava fechada, então minha mãe deveria já ter ido levar Savannah. Fui em direção à faculdade, já que era minha opção. Deixei o carro no estacionamento. Eu estava me sentindo sozinha, como se algo estivesse me abandonado.

Algumas horas haviam se passado e eu ainda estava me sentindo mal. Caminhei até o banheiro e lavei meu rosto. Vi Luke na porta da sala. Sorri ao vê-lo com Elenna, mas eles não me notaram.

- Emma, acho melhor você vir conosco - Luke fala, sem olhar em meus olhos.

- Aconteceu alguma coisa? - pergunto, tentando fazê-lo me dizer. Elenna se despede e sai chorando pelo corredor.

- Emma, venha comigo.

- Luke, diga.

- Vem.

Em silêncio, segui até seu carro. Sem nenhuma palavra, ele dirigiu até o hospital. Fiquei confusa, mas logo Savannah me veio à mente.

- Aconteceu alguma coisa? - pergunto, enquanto caminhamos para dentro do hospital, mas ele não responde novamente.

Vejo dona Anna, aos prantos. Ela estava tão branca que fiquei atônita. Eu estava tão agoniada; ninguém me dizia nada, e nenhum enfermeiro estava por perto. Eles apenas negavam o momento.

- Emma... - Gabriella aparece, com o rosto literalmente abalado. Pergunto-me por que ela não estava com Matt na empresa.

- Emma, a Savannah precisou de um transplante... - um rapaz jovem que eu não reconhecia apareceu. Fiquei tremula ao perceber o perigo da situação.

- Não me diga que... - começo a chorar mais. Minhas pernas ficam bambas só de pensar em não poder vê-la novamente.

Minha respiração começa a ficar pesada, meu peito estufa a cada momento. Sem ao menos pedir, tento entrar pelo corredor onde eu sabia que eram feitas as cirurgias.

- Emma... - Gabriella me puxa para um abraço. - Lamento.

Eu estava tonta, devastada, abalada, surpreendida e confusa.

- Savannah - gritei, tentando ir pelos corredores, mas mãos me interceptam. Pessoas desconhecidas estão me olhando, de certa forma como se eu estivesse tendo ataques.

- SAVANNAAAAH - grito, sem respostas. Luke me abraça, mas não preciso disso. Preciso de Savannah e... minha mãe.

Como se alguém tivesse me golpeado, cambaleio para trás, caindo no chão. Aperto-me contra o piso, que agora parecia o lugar mais apropriado para mim.

Um bipe alto ecoa pelo corredor. Alguém está a caminho. Seria minha irmã? Cuja doença estava acabando com sua vida?

- Emma!!! - uma voz trêmula e rouca, com vestígios de choro e culpa, invade meus ouvidos.

- Matt?! - gemi. Eu queria entrar, ver onde estava minha irmã, saber o que raios estava acontecendo. Mas a única coisa que me permitiram foi chorar e fazer escândalos.

- Emmanuella, me perdoa, me perdoa. Isso não deveria ser assim, não mesmo. Mas... era o jeito, desculpe por não ter te contado - Matt chorava de joelhos à minha frente. - Por não ter nem ao menos dito uma palavra, não queria que fosse verdade, mas... não tinha como evitar. Ela precisava disso.

Ele me abraça, cercando-me com seus longos braços, que me faziam sentir em casa. Eu estava atônita.

- Eu preciso vê-la - disse, enquanto estava sendo colocada de pé.

- Emma... - Matt indaga, pensando em algo.

- Por favor, precisamos de permissão para levá-la ao quarto 407.

O enfermeiro me analisa, enquanto checa a ficha que está em suas mãos. Balança a cabeça afirmativamente e começa a andar. Outro bipe sinalizando entrada no corredor é ouvido. Logo à minha frente estava o corredor que eu nunca desejei estar.

Matt não deixou de me abraçar enquanto caminhávamos atrás do enfermeiro, segurando minha mão de um jeito conformado. O enfermeiro abre passagem para nós e então avisto o número 407. Fico tensa ao entrar, mas não perco tempo. Meus pés já estão se movendo ao lado de minha irmã.

A cama parece ser grande ao seu redor. Os aparelhos ligados ao seu corpo fazem com que seu batimento cardíaco seja escutado, e tubos respiratórios facilitam sua respiração pelas narinas. Ajoelho-me ao seu lado, beijando suas mãos, que contêm um gancho de plástico branco engatado em um aparelho.

- Como ela está? - pergunto, olhando para um homem que deveria ser o médico.

- A cirurgia deu certo. Sua irmã está ótima! E novinha em folha! - ele tenta ser simpático, mas não consigo desviar os olhos da pequena Savannah. Fico aliviada ao ver tudo em ordem.

- Posso entrar? - uma voz suave e familiar ecoa pelo ambiente. É Josefh.

Nego-me a olhar, abaixo a cabeça e encosto-me nos braços de Savannah. Ele se aproxima, escuto seus passos. De canto, observo seu físico.

Não havia mudado muita coisa. Apesar da barba, que agora estava mais branca, ele estava de um jeito cansado.

- O que fazes aqui? - pergunto, não contendo.

- Filha... eu... vim ver vocês...

- Não preciso de sua proteção, ou muito menos da Savannah - olho para Matt, que está desconfortável.

- Emma... precisamos conversar... - ele insiste.

- Sobre o quê? - pergunto, irônica. - O fato de ter nos deixado? Ou de ter abandonado nossa mãe? Na verdade, você deu as costas à sua família, que te amava.

- Não, não precisamos conversar sobre isso, mas sim sobre quem doou o pulmão.

Sinto a mão de Matt apertar meu ombro. Fico pasma. Onde estava minha mãe? Fiquei tão preocupada com Savannah que nem ao menos me lembrei dela, Frida.

- Onde está minha mãe?

- Ela pediu para te entregar isso... antes que fosse tarde - Josefh estica um pedaço de papel, que eu reconheci como do caderno de receitas da minha mãe.

Meu bem precioso, pensei diversas vezes que isso não seria certo. Mas eu precisava ser forte para você também ser! Todas as lembranças que me vêm à mente quando falo de você são incríveis... Como uma vez no parque, quando você me contou por que gostava de brincar de boneca... Sabe o que você disse?: "Mamãe, um dia quero ser igual a você, grande e forte, poder fazer tudo e cuidar de alguém. Você é meu super-herói preferido." Mas filha, eu te digo: você é minha super-heroína. Você negou uma vida que a maior parte das jovens tem. Você deu prioridade à sua irmã e família, até mesmo quando perdemos alguém continuamos sendo uma família. Fico grata a tudo que você lutou por nós. Você é uma grande mulher! Cuide de Savannah, pois sempre cuidei de vocês. Meu destino estava traçado em garantir o melhor para vocês! E foi isso que eu fiz. Cuide bem de sua irmã, pois ela precisará tanto de você quanto precisou de mim!

Nunca se esqueça de que almas boas brilham no céu. Assim, elas cuidam da noite para confortar o coração dos desamparados.

Eu te amo. Com amor, Mami.

Querida BabáOnde histórias criam vida. Descubra agora