Para falar a verdade, eu não estou acostumada a mentir. Mas nessas últimas duas semanas, tem sido de longe a pior estratégia que alguém poderia inventar. Fiz o possível para despistar qualquer chance de descobrirem. Eu havia literalmente me mudado de volta para minha casa, já que os pais de Matthew haviam retornado. Mas todos os dias dona Katherine me ligava; ela estava desconfiada.
- Pode apagar a luz, filha.
Não conseguia dormir, nem ao menos pensar direito. Eu estava agoniada, sem notícias dele. O pior pensamento sempre me atormentava. Savannah sempre me dizia que tudo iria dar certo, apesar de eu não ter contado para ela o que estava acontecendo.
No dia seguinte, tudo se repetiu: mesmos papos, mesmos gestos, mesmos pensamentos. Enquanto mamãe levava Savannah para outra sessão de tratamento, fui fazer compras em um mercado próximo de casa, onde costumava ir quando era pequena.
O ar estava deixando minha boca ressecada, de tanto chorar minhas narinas estavam entupidas. Em volta dos meus olhos, um roxo azulado chamava atenção facilmente.
- Bom dia, Emma.
- Bom dia, Doroti. Quanto tempo. - Recebo um abraço confortável; seu olhar vasculha meu corpo, e sinto-me vazia.
- Você está bem? - ela pergunta. - Como está Savannah?
- Ela está ótima, bem melhor do que o esperado. - Seus cabelos grisalhos estavam mais visíveis; antigamente, Doroti pintava os cabelos mensalmente para parecer mais jovem.
- Diga para sua mãe que irei visitá-la em breve.
Recebo mais um abraço e logo estou olhando as prateleiras sozinha novamente. Seria engraçado se tudo isso fosse um pesadelo? Eu queria tanto que ele estivesse aqui comigo.
- Mais alguma coisa? - a atendente pergunta.
Aceno que não com a cabeça. Ando novamente de cabeça baixa, com as sacolas na mão, sentindo lágrimas caírem em minhas bochechas.
O amor é uma fraqueza. Que consegue fazer você estar no seu melhor e, logo em seguida, estar completamente abalada. Eu havia pedido para ele ficar e resolver, mas não pensei no que aconteceria. Meus planos haviam fracassado por completo; não havia dúvida de que ele não voltaria.
Eu estava um desastre fisicamente. Havia abandonado completamente a escova de cabelo, os banhos relaxantes, tudo que contribuiria para meu bem-estar.
Quando elas voltam para casa, preparo um lanche para nós, com baixa autoestima.
- Emma, você não pode ficar assim.
- Mãe, eu estou bem.
- Sou sua mãe, Emmanuela. Fala logo!
- Mãe, eu não... - meu celular começa a tocar. Olho em direção ao instante em que deixo o celular carregando, no mesmo lugar há uns dois dias.
Atrapalhadamente, cambaleio até ele e, com as mãos tremendo, atendo a chamada.
- Alô?! - digo.
- Emma? Emma? - Micael. Eu já reconhecia essa voz; estava em estado de choque, pelo fato de não ser Matthew quem ligava.
- Matt... - balbucio.
- Sou eu, Micael. - Sua voz falha.
- Onde está Matthew? - queria obter respostas práticas e óbvias.
- Ele não pode falar agora, mas você precisa prometer que não irá ao parque da Divisa amanhã às oito da noite.
- Tudo bem... - fui interrompida pela finalização da chamada.
Com certeza, eu irei ao parque da Divisa amanhã à noite.
[...]
Coloquei um manto com capuz e botas grandes, parecendo mais uma andarilha do que uma moça. Com o dinheiro que havia guardado embaixo do colchão, consegui passagem de ônibus ida e volta para a Divisa.
Já estava escuro quando cheguei o mais próximo possível do parque. Havia um casal sentado embaixo de uma árvore e uma criança caminhando alegremente com o que eu supunha ser seu pai.
Avisto alguém sentado em um banco, de cabeça baixa, como se estivesse desapontado ou esperando alguém. Vou até o balanço que estava vazio e me sento, abaixando o capuz, para parecer melhor.
Alguns minutos se passam enquanto ainda estou preocupada com o que acontecerá.
O céu estava cheio de estrelas, enquanto carros iluminavam as estradas com seus faróis. As pessoas já estavam indo embora quando vejo alguém se aproximando.
Um homem senta ao meu lado no balanço.
- Que noite bela, não é? - ele pergunta. Sua voz grave me dá calafrios.
- Verdade.
- Então, o que uma garota como você faz no meio de uma cidade a essa hora da noite? - em nenhum momento ele olha para mim.
- Talvez esperando um milagre - começo a rir.
- Talvez o milagre esteja à espera. - Ele sorri e olha para mim. Reconheço-o; é o pai de Sofhia.
- O que você está fazendo aqui? - pergunto, eletrizada por minha companhia.
- Não se preocupe, fizemos um trato - ele sorri de um jeito esnobe.
- Onde ele está? - pergunto ansiosa e temendo ao mesmo tempo.
- Você não está vendo aquele jovem naquele banco? - ele diz, apontando para um homem. Eu não posso acreditar que seria...
- Matthew? - Meu peito estufa de felicidade enquanto saio correndo em direção a ele. Meus passos largos fazem com que o caminho pareça cada vez menor.
- MATTHEW! - Sua cabeça se ergue, mostrando um sorriso de felicidade.
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Querida Babá
RomanceEmmanuela enfrenta um turbilhão de emoções quando a vida que construiu com Matthew começa a desmoronar. Após uma série de eventos que põem à prova seu relacionamento e sua confiança, Emma descobre que Matthew não é o homem que ela acreditava conhece...
