Duas semanas depois...
A maior parte do dia acaba sendo chata, pelo fato de que estou sozinha. Não seria um conto de fadas se eu acordasse de um sonho; já havia acontecido tanta bizarrice.
- Então, filha, a carta já chegou? - minha mãe pergunta, enquanto tranca a porta de casa.
- Bem, acho que o pessoal da universidade não me aceitou - sou sincera, olhando para todos os lados possíveis à procura de Matt.
- Filha, eu já te disse mais de uma vez: ele não vai voltar. Foi isso que eu concluí.
- Mãe, ele sempre volta.
Começamos a caminhar para a parada de ônibus, que estava vazia. O dia estava nublado, sem um tom de alegria no ar. Minhas botas vermelhas já estavam desbotadas, pois eu não tinha mais ânimo para lavá-las.
- Esse é o problema: ele sempre "volta", mas nunca "fica".
- Mãe, essa negociação de trabalho é longa; ele está viajando por vários países - minto. Já menti tantas vezes que essa não seria a última.
- Eu só quero te ver bem, Emmanuela. Não quero te ver triste.
- Eu estou bem. Sempre estou bem.
Depois de algumas horas, eu já estava no apartamento de Matthew, enquanto minha mãe estava indo fazer suas compras semanais. Peguei a chave do carro que ele havia "me emprestado" para eu ir trabalhar. Claro que eu não estava cumprindo metade das coisas que ele me dissera.
Liguei na estação de rádio pop e escutei a melhor cantora de todos os tempos, Beyoncé. Não é à toa que ela é uma mulher muito poderosa. Quando começou a chuviscar, liguei o para-brisa na tentativa de me entreter com o movimento. Fechei os olhos por alguns segundos, lembrando que poderíamos estar juntos agora. Mas tudo isso não passava de imaginação, pelo menos não aqui e agora.
Ao chegar na empresa, deixei o carro na vaga de Matthew. Percebi os olhares dos seguranças ao me ver descer do carro e segui em direção ao escritório de Gabe.
- Bom dia, Emma! Hoje teremos uma manhã cheia - o abraço apertado, com aroma de amora, me recepciona.
- Sorte que eu dormi cedo ontem - comento, enquanto ela organiza uns lápis caídos na mesa.
- ... Ou que meu irmão não apareceu por lá! - ri alto.
- Olha só quem fala do seu noivo?
- Hoje nós vamos para uma reunião, então nada de tirar minha concentração...
- O.k!
Duas reuniões sobre agências de viagens não faziam parte do meu plano. Quase dormi na sala, ouvindo o homem de paletó azul falar que: "Sua companhia poderia ser nossa filial!" Gabe respondia sem entusiasmo às perguntas e negava propostas exageradas e sem nexo.
- Então, mais tarde nós poderíamos fazer uma sessão de filme, já que é sexta. O que acha? - Gabe pergunta animada. Se eu não estivesse sonolenta, poderia jurar que a vi saltitar.
- Está bem, vou comprar pipoca. Te espero.
Antes de ir para o apartamento, passei em casa para ver Savannah. Aquela espoleta estava dançando em frente ao espelho.
O sorriso ao me ver fez meu cansaço desaparecer. Ela corre para os meus braços, deixando sua careca encostada na minha cintura.
- Sabia que eu ganhei um rádio! - ela aponta para um aparelho eletrônico rosa.
- Uou! Mas isso é demais! - empolgo ela. Ela mostra ânimo e volta para o rádio, enquanto mamãe aparece com seu cesto de roupa suja.
- Então, já comprou os CDs? - pergunto, enquanto Frida coloca as roupas na máquina.
- Não... você vai comprar para mim? - ela ri de um jeito sapeca.
- Quem sabe.
- Vai dormir hoje aqui? - Frida me entrega um pedaço de bolo. Experimento e faço cara de reprovação.
- Não, hoje eu tenho sessão de filmes com Gabriella.
- Sessão de filmes? - minha mãe pergunta ironicamente.
- Óbvio.
Ela ri, enquanto entrega outro pedaço para Savannah.
- Semana que vem faremos uma festinha - mamãe fala.
- Festinha?
- Eu vou fazer sete anos. Vou virar adulta! - Savannah alisa o cabelo e morde o bolo.
- Então vai virar adulta? Mesmo? - pergunto.
Ela me olha, séria.
- Vou sim.
- Que bom, assim podemos doar todos os seus brinquedos! Já que você é adulta.
Ela se assusta, olha para Frida que concorda comigo. Faz careta e logo bate o pé no chão.
- Se é assim, não quero ser adulta.
Gargalhadas ecoam pelo cômodo. Savannah é uma garotinha muito inteligente e cativante. Todos os dias eu vinha vê-la; se não viesse, ela ficava brava.
Meu celular vibra no bolso da calça. Mensagem!
Não vou poder ir essa semana, talvez na outra. Estou com saudades!
Eu também estou com saudades. Quando vai voltar para ficar?
Não posso garantir que permanecerei, mas sempre voltarei.
Sempre estarei aqui. Savannah faz aniversário semana que vem.
Mandarei um presente. Diga para ela que tenho uma surpresa. Mas agora preciso ir. Eu te amo.
Idem.
Não acreditava. Depois de alguns dias sem ver Matthew, o que será que aquele homem estava fazendo aos comandos de W? Boa coisa não era. Aliás, Karen havia prometido que voltaria para me ver em breve, já que tinha retornado para sua cidade. Nem notícias tinha mandado... e Micael, não sabia nem se estava vivo.
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Querida Babá
RomanceEmmanuela enfrenta um turbilhão de emoções quando a vida que construiu com Matthew começa a desmoronar. Após uma série de eventos que põem à prova seu relacionamento e sua confiança, Emma descobre que Matthew não é o homem que ela acreditava conhece...
