Algumas semanas haviam se passado desde o que eu estava chamando de inferno particular. Sem mãe. Sem casa. Sem Savannah. Isso. Sem Savannah. Uma semana depois da cirurgia, meu pai conseguiu a guarda dela através da justiça. Isso me arrasou. O que antes era minha motivação tornou-se minha pior dor.
- Emma, sabe que pode contar comigo, né? - Richard me olha enquanto eu passo mais base na marca roxa embaixo dos meus olhos.
- Está tudo numa boa - minto.
- Não, Manu, não está. Olha pra você mesma, está horrível - ele gesticula com a mão, atraindo alguns olhares.
- Fala sério, acha que eu me importo com isso? - começo a rir. Eu não estava consciente.
- Você parou de fazer faixa preta, né? - ele pergunta, percebendo que eu não parei.
- Você tem que parar com isso - Chad parece estar irritado.
Josefh vendeu a casa onde morávamos, ficando com o dinheiro. Savannah não pode se despedir de mim. Era um turbilhão de água fria que me deixava cada vez mais para baixo.
- Seu namorado chegou - ele aponta para Matt, que caminhava em nossa direção.
- Até amanhã - falo, deixando Chad enquanto encontro Matt.
**Matt**
- Então, vamos para onde? - pergunto animado, mas ela insiste em continuar com uma cara terrível.
- Tanto faz - ela dá de ombros, novamente revira os olhos, o que me tira do sério.
- Emma, por favor, colabore - peço, mas ela começa a andar em direção ao carro.
Fico em silêncio por alguns segundos, mas seus olhos estavam distantes. Ela não precisava disso tudo. Podia ficar brava e triste, mas não precisava me esgotar todas as vezes que estávamos juntos.
- Vou para a casa de Luke - ela avisa, abrindo a porta do carona. - Se puder me levar rápido, agradeço.
- Agora eu sou seu motorista? - pergunto ao lado da porta.
- Se você preferir, posso ir de ônibus. Não me custa.
Dou um soco na porta, não me importando com a lataria. O percurso para casa parecia ser longe, pois estava um tédio ficar com Emmanuella desse jeito.
- Posso fazer alguma coisa para melhorar seu jeito? - pergunto, sorrindo, talvez tentando sorrir para falar a verdade.
- Pode - ela suspira. - Me deixa na Anna.
- Até quando você vai ficar nessa merda? - pergunto, batendo a mão no volante.
Ela insiste em não responder, apenas continua com seu olhar longe do meu e seus pensamentos distantes. Ao chegarmos, ela confere se o celular está na bolsa.
- Te mando uma mensagem quando chegar em casa - digo, tentando amenizar o clima, que parecia não ter nenhuma mudança notável.
- Até mais, Matt - sua voz não demonstrava sentimento algum. Muito pelo contrário, parecia que tudo havia virado rotina. Não era justo, não mesmo.
***
O apartamento estava do mesmo jeito que havia deixado de manhã. Não tinha motivação para deixar as coisas arrumadas. Para falar a verdade, eu não me importava mais com isso.
Joguei as chaves do carro em cima da bancada, tomei um pouco de vinho e me deitei no sofá, vendo um pouco de futebol.
Mensagem on:
Matt: Cheguei em casa.
Emma: 👍
Matt: Está melhor? Precisa de alguma coisa?
(45 minutos depois...)
Emma: Preciso dormir. Boa noite, Matt.
Matt: Boa noite, pequena. Eu te amo.
(Visualizado)
Mais uma vez, ela não retornava meus mimos e carinhos. Estava tão fechada nessas seis semanas. Havia tanto tempo e parecia estar cada vez pior. Um mês e meio e nada.
Bernardo: Cara, o Brad está fazendo uma festa agora. Vamos? Passo aí em vinte minutos.
Matt: Beleza.
Eu iria mesmo. Precisava resfriar a cabeça tanto quanto Emma. Precisava deixar que a aflição passasse. Tudo bem que ela estava sem ver a irmã há quase quatro semanas. Isso estava tirando-a do sério. Talvez esse fosse o problema, mas a culpa não era minha. Josefh. Ele sim merecia um belo xingamento.
Coloquei minha jaqueta de couro novamente e desci para frente do edifício. Menos de alguns minutos e Bernardo estava ali.
- E aí, mano, como tá? - ele pergunta, enquanto volta a dirigir.
- Tranquilo - respondo enquanto ele dá a seta. - E como estão as coisas?
- Uma merda. Estou sem dinheiro e sem alguém - ao contrário de mim.
Ri imaginando o que ele diria se soubesse o que pensei.
- Como vai sua babá? - ele pergunta, mostrando um sorriso que me deixou desconfortável.
- A minha namorada, ou noiva como deveria ser... - ele me olha espantado. - Perdeu a mãe recentemente. Está tudo uma confusão.
- Como assim, cara?
- O pai dela conseguiu a guarda de sua irmã caçula e agora Emma está arrasada.
- E quem é o coroa?
- Josefh Morgan - lembro-me de quando ele deu seu nome para poder entrar no quarto do hospital.
- Eu conheço esse cara. É o padrasto da Amabili. Acho que poderíamos ir falar com ele... sei lá, cara. Eu gosto da Emma.
- Eu a amo - digo, soltando levemente minha postura, relaxando. Era como se eu precisasse falar isso para alguém.
- O que acha de levarmos Savannah para ver a Emma, claro, se o coroa deixar...
**Emma**
Minha cama estava contida no antigo quarto de Luke, ao lado do quarto dele. Fechei os olhos e, a cada minuto que passava, era como se alguém me apunhalasse pelas costas, tirando meu fôlego e minhas expectativas.
Perdi minha mãe, minha casa, minha vida literalmente. Savannah me fazia tanta falta. Meu peito doía só de pensar nela. Tive que tomar vários tipos de remédios para conseguir ir para as aulas e ficar acordada.
Mas o que adiantava?
Os remédios só arrastavam meu desenvolvimento nessa nova vida miserável.
- Emma - ouço a voz de Matt me chamar ao lado da janela que estava fechada. Quero fingir que estou dormindo, mas ele insiste.
Caminho até a sala e abro a porta. Logo escuto seus passos se aproximando.
- Emma? - escuto uma voz, familiar e acolhedora.
Olho para o lado e vejo Savannah correndo em minha direção. Não perco tempo e corro até ela. Meu maior bem. Sinto suas mãos me agarrarem enquanto pego ela no colo. Ela estava tão diferente e usando uma peruca. Lágrimas caem e logo percebo que Anna e Luke estavam ali fora a olhar.
- Eu estava com tanta saudade - Savannah tenta falar, mas seu corpo treme como se tivesse medo de me deixar.
- Eu te amo, eu te amo, EU TE AMO! - gritei, fazendo-a sorrir e sussurrar que me ama. Não queria sair daquele pequeno paraíso nosso. Era como se minha família estivesse toda ali. Eu, Savannah e minha mãe ajudando-a a viver com seu pulmão.
Sinto um abraço envolvendo nós duas. Matt estava tão feliz, como se tivesse planejado exatamente o que aconteceria. Eu estava feliz e satisfeita, mesmo assim não conseguia parar de chorar e querer ela ali para sempre.
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Querida Babá
عاطفيةEmmanuela enfrenta um turbilhão de emoções quando a vida que construiu com Matthew começa a desmoronar. Após uma série de eventos que põem à prova seu relacionamento e sua confiança, Emma descobre que Matthew não é o homem que ela acreditava conhece...
