Capítulo 16

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Marcelo Menezes.

Dias depois.

Minha mãe finalmente termina de ajeitar minha gravata e se coloca ao meu lado no espelho. Ela estava deslumbrante em seu vestido azul, tão bem quanto meu pai que aguardava na sala. É claro que Sofia tinha os convidado para o casamento, e é claro que minha mãe tinha feito questão que eu me arrumasse com eles, como se eu ainda fosse aquele moleque inconsequente que eu costumava ser.

─ Mas a senhora está uma gata, hein?

─ Gostaria de saber quando é que você vai parar de me chamar de gata e começar a me chamar de linda, elegante, essas coisas mais adequadas para se chamar a mãe ─ ela reclama indo pegar a bolsa em cima da cama.

─ Mãezinha, quando eu tiver 60 anos e 6 netos, vou continuar te chamando de gata.

─ Fiquei mais aliviada agora que você falou em ter netos. Já é um avanço enorme no discurso "nunca vou me casar".

─Foi só modo de falar, não se iluda muito ─ digo e saio do quarto, a deixando sozinha ainda se ajeitando em frente ao espelho.

─ Nunca vou perder as esperanças ─ ela grita, o que acaba chamando a atenção do meu pai, que estava na janela fumando.

─ Vou chutar que ela falou mais uma vez sobre você se casar ─ ele diz apagando o cigarro no cinzeiro e vindo em minha direção.

─ Ela nunca se cansa ─ respondo revirando os olhos.

─ Vamos? ─ minha mãe pergunta ao chegar na sala.

Meu pai solta um assobio e eu o olho sorrindo, já sabendo que viria uma gracinha por aí.

─ Mas essa minha esposa é uma gata mesmo.

Solto uma gargalhada, ao que minha mãe revira os olhos.

─ Vocês dois são iguaizinhos mesmo, não tem jeito.

(...)

A cerimônia foi tão linda quanto a de Nina e me fez chorar novamente. Eu definitivamente odiava casamentos, especialmente os delas que me faziam parecer uma menininha emocionada.

Aconteceu ao ar livre e isso era uma das coisas que mais estava preocupando Sofia. Se chovesse, ela nunca superaria. Mas o tempo colaborou tanto, que até tivemos um solzinho em meio àqueles dias frios que estávamos tendo.

Nina chorou do início ao fim, pra variar. Minha mãe não estava perto de mim (porque não era madrinha), mas sempre que eu a olhava, meu pai estava consolando-a. Eu apenas não consegui me segurar nos votos (e obviamente não deixei ninguém notar). Acho que tenho um fraco por votos. Acho até legal declarações em meio a um restaurante ou até mesmo nas redes sociais, mas nada se compara à preocupação e dedicação que você tem para com os votos. Deve ser difícil você passar para o papel todo o amor que sente e falar publicamente num dos dias mais importantes da sua vida. Não que eu saiba como é essa coisa de amar. Nunca amei ninguém. Até mesmo porque acredito que amamos uma única vez. Nós podemos até nos apaixonar várias vezes, por várias pessoas. Mas sabe aquela pessoa que você tem vontade de dizer "você é o amor da minha vida"? Então, ela é única. E tão difícil de se encontrar... É por isso que eu não acredito que um dia eu vá me casar, ter meia dúzia de filhos e ser feliz para sempre. Não consigo me imaginar encontrando, sei lá, a minha pessoa. Bom, pelo menos é o que eu penso, com a minha pouquíssima experiência no assunto. Apesar de acreditar em nos apaixonarmos sempre, eu só me apaixonei uma vez nos meus quase trinta anos. Foi péssimo. Deu errado. Pessoa totalmente errada. Eu era meio burro também. Passado. Não é algo que eu goste de ficar contando para os outros.

Amor em Risco (COMPLETO)Onde histórias criam vida. Descubra agora