Marcelo Menezes.
Três da manhã. Sofia e Miguel já haviam dançando a valsa, as madrinhas tinham feito uma dança (e isso incluía Nina dançando no meio da pista, é claro. Alex quase enlouqueceu e me xingou do início ao fim por ter dado a ideia dos padrinhos dançarem no casamento dele. Nina estava só dando o troco, oras) e só restava os mais jovens na festa.
A loirinha estava me evitando desde que saiu do banheiro e eu respeitei. Até agora.
Não suportei mais vê-la bebendo tanto. Ela iria entrar em coma alcoólico daqui a pouco. Eu sei que o irmão dela está bem ocupado fazendo a festa acontecer, mas um "ei, maninha, pare de beber ou vai acabar num hospital" sempre cai bem. Até porque todos os médicos do hospital mais próximo daqui pareciam estar na festa.
Quando a vejo chamando o garçom novamente, depois de três idas ao banheiro e muitos tropeços, me levanto de onde estou sentado e o impeço de ir até ela, só não antes de pegar uma garrafa de água.
─ Acho que chega de álcool por hoje, certo? ─ pergunto sentando ao seu lado. Ela estreita os olhos pra mim e dá risada, deitando sua cabeça em meu ombro.
─ Acho que não tem mais espaço no meu estômago.
─ Isso quer dizer que você vai vomitar?
─ Hã? Não! Só preciso dar uma cochiladinha e já fico zerada.
Olho para Murilo, que estava só sorrisos para a pista de dança lotada. Ele com certeza não ficaria muito feliz de ter que cuidar da irmã agora.
─ Certo, vamos embora ─ decido, me pondo de pé.
─ Hã? Não! ─ ela repete gritando. ─ Eu vou com o Murilo.
─ A não ser que você queira ir embora às seis da manhã, acho melhor vir comigo.
─ Olha aqui ─ ela se impõe ainda sentada, apontando o dedo para mim. Depois de um soluço, continua: ─ Você pode até ser policial, que eu respeito muito aliás, bem bonito e eu até posso ter te dado um beijo, mas você não manda em mim não.
Dou uma risadinha, apoiando as mãos nos joelhos para ficar cara a cara com ela.
─ Não estou mandando, loirinha. Estou pedindo pra te levar pra casa.
─ Pra sua? ─ ela pergunta estreitando os olhos.
─ Não! Pra sua.
─ Ah, não, valeu. Não quero chegar lá com outro cara, podre de bêbada e sem o Mu.
─ Então pra casa de uma amiga.
─ Hm... ─ ela pensa por um instante, mas nega com a cabeça novamente, parecendo pensar rápido em alguma coisa. ─ Camila provavelmente está com o namorado.
Ah. Então essa era a Camila do banheiro.
─ Então vamos pra minha casa, vem ─ proponho sem pensar muito e estendo a mão. Ela faz uma careta, analisando.
─ Não vamos mais nos beijar, certo? Só uma cochiladinha e eu vou embora.
─ Com certeza ─ respondo tentando não rir. Beija-la de novo era com certeza a última coisa que eu estava pensando nesse momento.
─ Então tá ─ ela decide, pegando em minha mão para levantar. Ainda assim, tropeça para o lado por estar de salto novamente.
─ Já disse pra tirar os saltos uma vez, não vou dizer de novo.
─ Mandão. Chato ─ ela resmunga, mas acaba por tirar os saltos.
─ Ei, eu estou bem aqui! Vamos falar com o DJ.
─ Ainda bem que ele está bem ocupado, se não iria me matar. Não que ele não vá me matar amanhã, mas você entendeu.
─ Murilo! ─ chamo sua atenção quando chego ao seu lado, ao que ele me olha e tira os fones.
─ E aí, cara? Está gostando da f... Hum... Bianca?
─ Oi, mano! Vim aqui te dizer que bebi até não poder mais e estou indo embora. O policial vai me levar pra casa del...
─ Casa da Sofia! ─ interrompo antes que ela continuasse. Ela franze a testa, em dúvida. ─ Ela disse que não queria ir pra casa, nem pra amiga. E como você está trabalhando, eu sugeri leva-la para o apartamento da Sofia, que daqui vai direto para o aeroporto passar a lua de mel. Estou com a chave dela, ela já concordou e está tudo certo, se você permitir.
Ele me alisa por uns dez segundos, fazendo uma cara muito estranha. Com certeza avaliando se tudo que eu disse é mentira ou não. Se fosse eu quem estivesse escutando essa lorota toda, daria uma gargalhada.
─ Eu... Não sei. Mal conhecemos a Sofia, é meio estranho.
─ Está tudo bem, Mu. Já falamos com ela.
Engulo em seco a risada que quase saiu, evitando olha-la. Ela sabia mentir também, afinal.
─ Tem certeza? Olha, quando eu sair daqui passo pra te buscar, tá bom?
─ Eu provavelmente vou acordar às três da tarde. Posso pegar um táxi, de boa.
─ Não, quando estiver pronta você me liga e eu te busco ─ ele percebe que a música estava no fim e balança a cabeça, meio nervoso. ─ Preciso voltar aqui. Cara, você é policial, mas não é dois. Cuida dela pra mim ou eu... Argh, que péssimo ameaçar um policial. Você entendeu.
Bianca cai na gargalhada ao meu lado e eu provavelmente faria o mesmo, mas não queria dar mais bandeira.
─ Pode deixar, vou deixa-la no apartamento com cuidado e ir pro meu. Depois pego seu número com ela e te mando o endereço.
─ Tá. Eu... Posso confiar em você, certo? Então, boa noite. Se cuida, Bia. E amanhã a gente conversa.
Ela faz sinal de jóinha pra ele, que lhe dá um beijo na bochecha e fala alguma coisa em seu ouvido. Ela gargalha novamente, se apoiando em mim para irmos embora.
Ele acena, colocando os fones de volta.
─ Marcelo, Marcelo... Que coisa feia mentir. Quem não te conhece, que te compre.
Dou risada, atravessando o salão de festa. Sinto o olhar de alguém sobre mim e o sigo, encontrando Nina nos encarando chocada. Faço que não com a cabeça, esperando que ela entenda que não pretendo fazer nada do que ela está imaginando com a loirinha.
Pelo menos, não hoje.
***
Oi pessu!
Deixamos o capítulo como bônus por ser pequenininho! Ainda assim, esperamos que tenham gostado.
Beijos e se cuidem.
Gatália
04/01/2017
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Amor em Risco (COMPLETO)
RomanceMarcelo Menezes é, além de um policial aplicado, um completo conquistador. Não só no quesito amoroso, mas em qualquer um deles. Extrovertido, atencioso e protetor daqueles que ama, ele dificilmente faz inimigos por onde passa em sua vida pessoal - d...
