Capítulo 48

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Marcelo Menezes.

Na merda.

Não havia outra expressão, havia?

A porta no hall do meu apartamento ainda estava aberta, embora, claro, eu me perguntasse como, já que Bianca a havia fechado com tanta força que ela poderia facilmente ter se despregado das dobradiças. Eu ainda a encarava, quase como se uma parte em mim ainda esperasse vê-la passar por ali.

Mas eu estava para lá de equivocado ─ ou talvez a palavra iludido se adequasse melhor à minha atual situação.

Olhando para o meu celular, vi que não havia sequer sinal de Bianca. As ligações permaneciam caindo na caixa-postal e as mensagens não chegavam até ela pelo aplicativo. Era óbvio que ela tinha desligado o celular ─ ou me bloqueado, na pior e mais provável das hipóteses.

Eu precisava vê-la. Sei que sim. Precisava dar um jeito de encontrá-la e sabia, de uma forma ou de outra, que ela estava no ateliê agora. Ora, ela não iria para casa no estado em que saíra daqui. Isso se, claro, conseguisse chegar à qualquer lugar.

Eu havia sido um completo de um idiota por tê-la deixado ir embora sozinha e, agora, me perguntava se o sentimento de culpa que eu sentia podia se tornar maior do que já estava. A cada minuto, porém, eu chegava à esmagadora conclusão de que sim.

(...)

- ...Bi, oi, sou eu de novo... - começo numa tentativa muito fracassada de manter minha voz num tom natural, não suplicante, embora, talvez, fosse realmente isso que eu estivesse fazendo. - Eu preciso muito que você me ouça e, sei lá, sei que deveria dizer pessoalmente, mas também sei que você não quer me escutar. Então, bem, o que estou fazendo te enviando uma mensagem como essa? - faço uma pausa, provavelmente pensando numa resposta que eu certamente não tinha. - Não sei, Bi... só sei que, porra, que merda... eu preciso muito que você me perdoe, pequena. Que tente ao menos entender o meu lado, mesmo que eu não possa te explicar muito agora.

Olho para a porta outra vez. A luz do lado de fora do apartamento permanecia acesa e Bartô fazia a festa nos tapetes diante dos outros apartamentos e elevadores, mas a puta bronca que eu levaria do síndico por causa disso era, agora, o menor dos meus problemas.

- Alguém quer me matar - eu retomo. Que belo ponto. - Eu não sei quem. Aí está o problema, você consegue entender? Tente se colocar, por um momento, no meu lugar - peço e, como se ela pudesse me responder, fico em silêncio. Talvez até por tempo demais, pois pondero por um instante se eu realmente deveria dizer o que estava prestes a dizer ou se isso seria um tiro em meu próprio pé. No fim, solto um suspiro e acabo dizendo: -... O seu tio, Richard, esteve envolvido numa ação criminal... você sabe, não sabe? Eu estava lá, Bi. E aconteceu uma coisa...

Merda. Eu não teria coragem.

- ...Uma coisa que tem custado a minha vida, como já te contei. Alguém quer me matar por causa disso. E eu precisava investigar tudo o que rodeava o Richard e... Você estava lá, Bi. Tão envolvida com ele. A loirinha do assalto ao banco. Minha loirinha. Não é injusto e... irônico? - eu solto uma risada sem qualquer sinal de humor e desvio meu olhar para a janela do outro lado da sala. - Desculpe. Eu só sei que... merda, entre tanta gente, logo você tinha de ser sobrinha do cara que...

Naquele instante, ouço o barulho do elevador se abrir. Alguém acabava de descer no meu andar. Em seguida, o som de pernas se dobrando e da barriga de Bartô se virando para cima e se agitando no chão. Nina falou alguma coisa para o cachorro. Merda, precisava ser rápido.

- Só tente me ouvir - digo para o telefone, dessa vez mais baixo -, por favor.

- Meu Deus, você está tão pesado - Nina diz para Bartô e, em seguida, a ouço se aproximar um pouquinho. - Celo? Por que a porta está aberta? É bom que saiba que o pulguentinho comeu todo o tapete da sua vizinha gorda.

Amor em Risco (COMPLETO)Onde histórias criam vida. Descubra agora