Capítulo 25

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Bianca Trajano.

Para mim, a semana tinha passado voando. Estava tão ocupada com todos os meus compromissos diários (principalmente a faculdade, que me tomava muito tempo) que quando Otávio me ligou na sexta combinando de sairmos eu, ele e Camila no dia seguinte, eu levei um susto. Chega até ser engraçado (e triste, talvez) como levamos nossa vida no automático às vezes.

No sábado, saímos para jantar mexicano e em seguida, fomos para a casa de Camila fazer uma maratona de Prison Break. Nós nunca mudávamos de série, já estava até chato.

Quando já passava das três da manhã e estávamos todos cansados, fomos embora. Eu, já ridiculamente alterada por conta de duas taças de vinho, fui deixada em casa por Otávio. Se eu bem me lembro, nós tínhamos combinado de sair hoje novamente. Precisaria ligar para confirmar.

Passar o sábado com eles tinha sido ótimo. Exatamente como os velhos tempos. Só me fez ter ainda mais certeza de que nada havia mudado. Eu continuava sendo a Bianca de sempre, com os mesmos amigos de sempre.

Crente que conseguiria dormir até tarde no domingo, sou acordada por meu pai entrando no quarto mais cedo do que eu gostaria.

─ Filha, acorda ─ ele chama, me balançando um pouco.

Hm ─ resmungo, incapaz de abrir os olhos.

─ Você precisa trabalhar.

Isso sim me faz abrir os olhos, assustada. Já era segunda e eu nem tinha reparado?

─ Que horas são? ─ pergunto meio tonta, me levantando.

─ Nove e meia.

─ Mas... O que?

─ Você está com uma cara péssima. Bebeu ontem, foi?

─ Obrigada pela motivação. O que aconteceu?

─ Um ex-presidiário assassinou o juiz que o condenou em 2001 agora de manhã perto do condomínio dele. Está uma loucura por lá.

Sinto um arrepio na espinha só de imaginar a cena.

─ E o senhor vai lá agora?

─ Não. Você vai.

Dou risada, mal conseguindo me imaginar lá. Mas quando ele fica sério, me encarando, arregalo os olhos.

─ Óbvio que não! Eu morro de medo dessas coisas, o senhor sabe. Ainda mais agora que eu estou com aquele assalto fresco na memória.

─ Filha, você quer ser jornalista, não quer? Você precisa aprender e ir fazer suas próprias matérias.

─ Pai, na verdade eu não...

─ O Júlio vai com você, já que é a sua primeira vez. Ele vai te ajudar ─ ele me corta quando eu pretendia dizer que odiava jornalismo. Júlio é um dos funcionários do jornal, ele adora ir até a cena do crime e detalhar tudo.

─ Mas eu não quer...

─ Vai ser bom pra você, filha! Vai te fazer superar mais rápido o seu assalto.

─ Me escuta! ─ quase grito, nervosa com ele me cortando. ─ Você me conhece. Eu sou tão medrosa que nunca nem tinha chegado perto de uma arma até aquele dia. Eu odeio isso. Tenho certeza que não vou superar indo fazer uma matéria sobre assassinato. Por favor, não me faça ir.

─ Eu só estou fazendo o que sei que é melhor pra você, filha. É melhor você se arrumar, porque em quinze minutos o Júlio está chegando pra te buscar. Tenho certeza que vai ser ótimo.

Amor em Risco (COMPLETO)Onde histórias criam vida. Descubra agora