Marcelo Menezes.
Sérgio não falou nada até pararmos num beco entre as principais avenidas da cidade. Ali, ele desceu e poucos minutos depois se encontrou com um homem de paletó. Sérgio havia dito que era seu gerente. Ele e o homem trocaram algumas palavras e, então, o cara passou para ele uma maleta grande e preta.
Depois disso, Sérgio voltou a mudez inicial. Eu não podia culpá-lo.
Ao cruzarmos o limite da cidade, cerca de vinte minutos depois, Daniel, no banco do passageiro ao meu lado, olha para mim como se quisesse falar alguma coisa que Sérgio provavelmente não pudesse ouvir. Num sinal vermelho, pego meu celular e digito para ele.
"E aí?"
"Estão saindo da delegacia agora.", ele responde.
Assinto e jogo o celular no porta-copos. No banco de trás, Sérgio bufava, agoniado.
Era bastante óbvio que a história fosse esquisita e mal contada, e que Sérgio parecia metido naquilo até o pescoço, mas eu não podia negar que, se ele estivesse atuando, o cara merecia um Oscar.
Enquanto a mim... eu mal conseguia raciocinar. Minha cabeça zunia e imagens de Bianca apareciam como flashs, me fazendo até mesmo dirigir no automático.
Não sei quanto tempo se passa até que a voz de Sérgio interrompe meus pensamentos:
- Pegue a próxima à esquerda, Marcelo
No fim da via sem qualquer iluminação, havia uma placa que indicava a direção para uma espécie de aterro sanitário. Àquela distância era possível ver alguns barracos e áreas cercadas por arame farpado.
Somente com a luz dos faróis alto, sigo para onde Sérgio aponta.
Que raio de lugar era aquele e como ele sabia? Era possível que simples referências passadas de qualquer maneira pelo telefone pudesse de fato ter conseguido guiá-lo?
Ao pararmos o carro próximo a uma caçamba, Sérgio, Daniel e eu procuramos descer em silêncio e passar pelos arames adiante. Daniel se posiciona como se estivéssemos em qualquer outra missão, planejando qualquer outra abordagem. E de certa forma, para ele, talvez realmente estivesse.
É preciso vê-lo sacar a arma do coldre e inspecionar ao redor para que eu mesmo me dê conta de que precisava fazer a mesma coisa. Quando tento, porém, Sérgio me fuzila com o olhar.
- O que eu falei sobre cautela? Se eles desconfiarem só um pouquinho - faz um gesto, me fazendo estranhar, já que ele não parecia tão estressado assim um minuto atrás -, um pouquinho que seja... eles vão acabar com ela. E vocês serão os culpados!
Me forço a conter o impulso de dizer o que ele, na minha cabeça, merecia escutar.
Com Sérgio carregando uma maleta recheada de dinheiro, nós andamos por cerca de cinco minutos, o que provavelmente daria um quilômetro... era difícil dizer quando tudo ao seu redor é feito de montes de terra, lixos e restos de barracos. Aquela não era uma área patrulhada por policiais de unidades que eu conhecesse. Chego a pensar que poderia ter contatado alguém que tivesse um mero conhecimento daquele lugar. Mas claro que não daria tempo. Claro que aquilo sequer havia passado pela minha cabeça.
Afinal, é meio difícil pensar quando a garota que você ama está numa enrascada por sua causa - ou, pelo menos, era o que tudo indicava... embora eu não acreditasse sinceramente ter algo a ver com aquela merda.
Finalmente desembocamos numa espécie de clareira. A grama parecia ter sido aparada somente ali, tal com a quantidade de lixo. Morro abaixo, havia outra clareira. Dava para vê-la de onde estávamos. Algo me dizia que era para lá que precisávamos seguir.
O silêncio era de enlouquecer, assim como a escuridão.
- E então? - Daniel não se contém.
- Fale baixo! - Sérgio ordena aos sussurros. - O plano é o seguinte: fiquem aqui. Não se movam. Se enfiem debaixo da terra, se for necessário. Vocês não podem ser vistos, estão entendendo?
Claro que aquilo era demais para mim.
- Queira me desculpar, senhor - começo, não tendo muita certeza de como estava o meu tom... sem saber também se eu, por acaso, me importava com isso a essa altura. - O que o senhor pretende fazer? Entrar lá, pegar a Bianca nos braços e sair?
- Eu não te chamei para resolver isso por mim, Marcelo - Sérgio rosna em resposta. - Claro que eu vou entrar lá. O que você esperava? É a minha filha! E o combinado foi esse, não foi?
- Hm, não sei, o senhor não costuma ser muito claro - retruco. Daniel olha para mim como se não estivesse me entendendo.
- Senhor - ele diz, agora sussurrando -, é melhor esperar pela próxima ligação. Aqui. Bianca não quer ser órfã, se é que me entende.
Sérgio abre a boca para argumentar algo que provavelmente só fazia sentido em sua própria cabeça vazia, de modo que eu o interrompo, impaciente:
- Corta essa! Ou o senhor fica ou vamos os três. Fim de papo.
- Não sei porque meti vocês nisso - ele resmunga quando finalmente recomeçamos a caminhar. Ainda era mal agradecido, o cara... Andávamos devagar como costumávamos fazer nessas ocasiões, exatamente como quando encontrei o galpão de Richard Trajano. Tudo me parecia tremendamente um déjà vu.
- Provavelmente porque o senhor quer sair vivo dessa.
Alguns metros depois, conseguimos avistar uma pilha incrivelmente alta feita de caixotes. Como uma parede que provavelmente estava ali para ocultar ou disfarçar alguma coisa.
Quase próximos o bastante, vejo uma espécie de galpão por detrás da pilha. Nele, uma luz solitária e fraca se destaca contra a escuridão.
Meu estômago por fim dá sinal de vida e se contorce.
Olho para Daniel, que olhava para mim e provavelmente se preparava para me dizer algo. Naquele momento, outra luz chama a minha atenção.
O celular de Sérgio.
- São eles - declara por fim.
(...)
Oi pessoal! Como vocês estão?
Nós estamos muito felizes com as quase 30 mil leituras em Amor em Risco ♥♥♥ muito obriiiiigada!
Esperamos que estejam gostando e ansiosas pelo final! Nós não vemos a hora de mostrar tudinho pra vocês hahaha
Enfim... Não esqueçam de votar e comentar aqui pra gente, tá? Fiquem todas bem!
Bom fim de semana e até domingo <3
Um beijão,
Gabriela e Natália
16/02/2018
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Amor em Risco (COMPLETO)
RomanceMarcelo Menezes é, além de um policial aplicado, um completo conquistador. Não só no quesito amoroso, mas em qualquer um deles. Extrovertido, atencioso e protetor daqueles que ama, ele dificilmente faz inimigos por onde passa em sua vida pessoal - d...
