Capítulo 28

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Marcelo Menezes.

Embora eu tivesse planejado ir até o jornal na terça-feira, que era o único dia em que eu teria um tempo livre durante a tarde, uma emergência fez quase todos nós do DP termos que ir atendê-la. É claro que isso aconteceria. Sempre há uma emergência.

Por isso, quando eu finalmente percebo que já é sexta-feira e eu não arranjei tempo algum de sair, desisto dessa ideia maluca de ir atrás da loirinha. Talvez Helen até estivesse errada. E se ela não ajudasse em nada na investigação? Eu nem mesmo estava a fim de começar a encontrá-la novamente. Precisava resistir a esses tipos de tentações.

No final do expediente, lá pelas oito da noite, já estou cansado de tentar pensar numa forma de resolver meus problemas. Sem a loirinha para me dar uma luz, será mais difícil ainda.

Estou tão distraído quando saio do DP que derrubo a chave do carro quando encontro alguém de um metro e meio, cabelos loiros e olhos azuis me encarando no meio do estacionamento.

─ Bianca? ─ pergunto meio chocado, tentando entender se eu não estava tendo alguma alucinação ou algo do tipo depois de passar as últimas horas decidindo se iria atrás dela ou não.

─ Que cara é essa de quem acabou de ver um fantasma? Eu só vim devolver suas coisas.

─ Minhas coisas? ─ tento me concentrar, juntando a chave do chão e olhando em volta rapidamente para saber se estávamos sendo observados. Pelo menos Daniel e Helen já tinham ido embora mais cedo. ─ Que coisas você está falando?

Me aproximo dela, ficando a uma distância segura. Dou uma breve analisada na loirinha, agora com um vestido preto e tênis branco nos pés.

Ela dá uma olhada para dentro da sacola em suas mãos e a estende para mim.

─ Achei que não fazia sentido nenhum eu continuar com o vestido da Sofia e seu casaco comigo. Muito obrigada pelas roupas, são suas de novo.

Franzo a testa, percebendo o tom frio que usara.

Ahn... De nada? ─ respondo, pegando a sacola. Ela dá uma olhada para trás, antes de se afastar um passo. ─ Está tudo bem?

Ela para com a pergunta e me olha.

─ Tudo ótimo! Por que não estaria? ─ de repente, com a ironia transbordando em sua voz, me lembro de domingo. Eu havia sido um babaca com ela. Que ótimo. Ela estava brava. ─ Aliás, você nem me conhece pra especular sobre isso...

─ Mas gostaria ─ a interrompo, abrindo um sorriso sem graça.

─ O que?

─ De te conhecer melhor.

Diante da incredulidade estampada em seu rosto, eu continuo:

─ Que tal sairmos pra tomar um café amanhã? Eu sei que você gosta de um tanto quanto eu ─ proponho, de repente ansioso. Ela, em contrapartida, balança a cabeça decidida.

─ Eu acho melhor não, Marcelo. Mas obrigada pelo convite.

─ Ah, vamos lá. Vai ser legal, eu prometo. Eu sei que fui um idiota com você no domingo. Pense como uma forma de me desculpar ─ tento a convencer, usando a versão mais gentil de mim mesmo que consigo. ─ Por favor.

Ela hesita por um instante, parecendo tentar me ler com os olhos.

─ Eu realmente acho melhor...

─ Além do café ─ a interrompo, antes de levar outro não ─, eu preciso conversar com você. É assunto sério, preciso muito da sua ajuda.

Amor em Risco (COMPLETO)Onde histórias criam vida. Descubra agora