Capítulo 18

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Marcelo Menezes.

Bianca havia bebido muito. Mas é claro, muito para ela, que era fraca para bebida. Eu poderia dizer que estava arrependido por tê-la incentivado a isso, mas a verdade é que eu não conseguia parar de rir da situação.

Há pouco ela havia parado de olhar para o irmão, meio receosa, e adquirira aquela expressão de gente bêbada, que eu costumava chamar carinhosamente de "cara de Nina" (por mais sóbria que a Nina-casada fosse agora, só Deus sabia o quanto aquela menina já havia bebido desde que completou, sei lá, quinze anos). Então, bem, devo dizer que a loirinha agora estava com essa expressão: era só sorrisos, cachos suados e bochechas coradas.

Eu não pretendia fazê-la mudar de ideia, mas para evitar o que quer que pudesse acontecer de ruim para ela, grito:

─ Ok, já mostrou que está totalmente sã. Agora pode voltar pra lá ─ aponto para as cadeiras.

Ela ri, mas faz que não com a cabeça. Depois preenche a pouca distância que havia entre nós para dizer no meu ouvido:

─ Por quê? Já estou te envergonhando? ─ ela pergunta, com as mãos apoiadas no meu peito. Cheirava a perfume feminino e algum tipo de spray fixador (devo incluir o hálito de Sidra também, é claro). Dou uma olhada ao redor, como que para me certificar se havia alguém nos olhando horrorizado. Ela ri outra vez e me dá um leve empurrão, voltando a nos distanciar. ─ Quer saber? Eu vou mesmo voltar pra lá. Não aguento com esses saltos! ─ ela gesticula, me fazendo olhar para os seus pés.

─ Tire os sapatos!

─ O quê? Ah, não, que horror ─ ela faz uma careta.

─ Vai logo!

Ela olha dos pés para mim e de volta para os pés.

─ Por que estou me deixando influenciar pelo o que você diz? ─ ela pergunta em tom pensativo, enquanto tentava se equilibrar em um dos pés para desafivelar o sapato. Oh, oh...

Me apresso na direção dela e a seguro pelos cotovelos, provavelmente segundos antes dela tombar para um dos lados. E e então ela desata a rir:

─ Obrigada ─ diz, erguendo o queixo para me olhar nos olhos. Mas o olhar dela para na minha boca.

─ Disponha.

Quando o sapato cai da mão dela, Bianca pisca uma vez e se abaixa para tirar o outro do outro pé. E então, pés no chão e sapatos esquecidos ao lado dela, ela se vira para mim de novo e solta um gritinho.

─ Eu amo essa música, mas sério, estou tonta demais para dançar.

Sorrio e balanço a cabeça, exibindo a minha melhor cara de "não brinca!". Depois estendo a mão para ela, que a olha em dúvida.

─ Vem dançar comigo.

─ Não é uma música romântica ─ ela argumenta, sobrancelha perfeitamente erguida.

Reviro os olhos.

─ Deixa de ser teimosa! Você mal está se aguentando em pé.

Ela ergue a mão e segura na minha, mas não se aproxima.

─ Estou me sentindo ridícula.

Começo a rir, mas dou uma boa olhada nela. Algumas gotas de suor já lhe cobriam a raiz dos cabelos, a testa e o pescoço. A maquiagem estava meio borrada e o penteado já se desfizera quase que por completo. Mas, merda, ela ainda estava linda.

Mesmo com aquela carinha de 14 anos.

Ela para de olhar para as nossas mãos e olha para mim, hesitante. E então digo, porque não seria eu se não o fizesse:

Amor em Risco (COMPLETO)Onde histórias criam vida. Descubra agora