Marcelo Menezes.
Aperto a campainha do apartamento de Nina, me virando de costas no instante seguinte. Ela sempre foi muito forte com seus pacientes - afinal, ela é médica -, mas no segundo em que visse meu olho sangrando, ela provavelmente soltaria um grito.
Ouço a porta sendo aberta, seguido de um resmungo, como de praxe:
─ Qual foi o problema da vez, Marcelo?
─ Não posso só ter sentido saudade?
─ Sim. Mas se fosse só isso você não diria desesperado no telefone "você está em casa, pelo amor de Deus?". E por que você está de costas, diacho? Apanhou? ─ ela pergunta irônica. Tsc. Se fosse pra acertar, ela não diria isso.
Me viro para que ela consiga ver o estrago, ao que ela arregala os olhos e realmente dá um gritinho.
─ Um bandido acertou você? Meu Deus! Entra, senta no sofá ─ ela me puxa, dando as coordenadas: ─ que eu vou cuidar disso.
Faço o que ela diz, a observando correr até o armário e tirar alguns instrumentos. Médicos e seus brinquedos.
─ Já te disse que não apanho de bandido, Nininha.
─ Vish! Então apanhou do namorado de uma mulher que você pegou?
─ Que péssima imagem você tem de mim.
─ Vai contando enquanto eu fecho essa coisa horrível que fizeram o favor de abrir no seu rostinho bonito ─ ela diz vindo em minha direção. Por que eu tinha a sensação que aquilo ia doer pra caramba?
─ Até que enfim saiu uma coisa certa da sua boca ─ ela revira os olhos, começando a limpar o sangue, que a esse altura, já tinha manchado um pouco minha farda. ─ Bom, foi o Daniel.
─ Espera. O Daniel? Seu amigo policial?
─Sim.
─ Cacete! O que você fez, Marcelo?
─ EudormicomaHelen ─ falo rápido e embolado, fechando os olhos. Tentar enrolar Nina Novaes nunca dava certo.
─ Você o quê?
─ Transei com a Helen.
─ E o que isso tem a ver?
─ Se você não se lembra, ele é apaixonado por ela.
─ E por isso ele te deu um soco?
─ Eu o traí! Imagina a Sofia beijando o Alex quando vocês ainda não estavam juntos?
─ É... Pensando por esse lado, você vacilou legal. Por que diabos você beijou ela?
─ Porque eu quis, ué. Ela quis. Rolou. Nada demais. Ai! ─ reclamo de dor, fazendo careta. Ela tinha começado a fazer com mais força para eu sentir dor, tenho certeza.
─ Ô, meu amor. Não se lembrou nem um tiquinho do Daniel?
─ Eu... não consegui evitar. Aí hoje ele chegou na delegacia quando estávamos prestes a nos beijar de novo.
Repasso a cena na minha cabeça. Eu nem ao menos tinha certeza se rolaria mesmo outro beijo. Provavelmente não. Eu não conseguiria.
─ Ah, Marcelo! Você também não dá uma dentro! Na delegacia? Onde ele podia chegar a qualquer momento? Fez por merecer esses pontos horríveis na cara e a cicatriz que vai ficar.
─ Vai ficar cicatriz? ─ me preocupo.
─ Não, não. Você tá bem bonito pra não ficar. Eu hein. Nunca queira levar um soco de policial. Grosso demais! Vocês são certeiros.
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Amor em Risco (COMPLETO)
Storie d'amoreMarcelo Menezes é, além de um policial aplicado, um completo conquistador. Não só no quesito amoroso, mas em qualquer um deles. Extrovertido, atencioso e protetor daqueles que ama, ele dificilmente faz inimigos por onde passa em sua vida pessoal - d...
