Capítulo 35

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Marcelo Menezes.

Aperto a campainha do apartamento de Nina, me virando de costas no instante seguinte. Ela sempre foi muito forte com seus pacientes - afinal, ela é médica -, mas no segundo em que visse meu olho sangrando, ela provavelmente soltaria um grito.

Ouço a porta sendo aberta, seguido de um resmungo, como de praxe:

─ Qual foi o problema da vez, Marcelo?

─ Não posso só ter sentido saudade?

─ Sim. Mas se fosse só isso você não diria desesperado no telefone "você está em casa, pelo amor de Deus?". E por que você está de costas, diacho? Apanhou? ─ ela pergunta irônica. Tsc. Se fosse pra acertar, ela não diria isso.

Me viro para que ela consiga ver o estrago, ao que ela arregala os olhos e realmente dá um gritinho.

─ Um bandido acertou você? Meu Deus! Entra, senta no sofá ─ ela me puxa, dando as coordenadas:  ─ que eu vou cuidar disso.

Faço o que ela diz, a observando correr até o armário e tirar alguns instrumentos. Médicos e seus brinquedos.

─ Já te disse que não apanho de bandido, Nininha.

─ Vish! Então apanhou do namorado de uma mulher que você pegou?

─ Que péssima imagem você tem de mim.

─ Vai contando enquanto eu fecho essa coisa horrível que fizeram o favor de abrir no seu rostinho bonito ─ ela diz vindo em minha direção. Por que eu tinha a sensação que aquilo ia doer pra caramba?

─ Até que enfim saiu uma coisa certa da sua boca ─ ela revira os olhos, começando a limpar o sangue, que a esse altura, já tinha manchado um pouco minha farda. ─ Bom, foi o Daniel.

─ Espera. O Daniel? Seu amigo policial?

─Sim.

─ Cacete! O que você fez, Marcelo?

─ EudormicomaHelen ─ falo rápido e embolado, fechando os olhos. Tentar enrolar Nina Novaes nunca dava certo.

─ Você o quê?

─ Transei com a Helen.

─ E o que isso tem a ver?

─ Se você não se lembra, ele é apaixonado por ela.

─ E por isso ele te deu um soco?

─ Eu o traí! Imagina a Sofia beijando o Alex quando vocês ainda não estavam juntos?

─ É... Pensando por esse lado, você vacilou legal. Por que diabos você beijou ela?

─ Porque eu quis, ué. Ela quis. Rolou. Nada demais. Ai! ─ reclamo de dor, fazendo careta. Ela tinha começado a fazer com mais força para eu sentir dor, tenho certeza.

─ Ô, meu amor. Não se lembrou nem um tiquinho do Daniel?

─ Eu... não consegui evitar. Aí hoje ele chegou na delegacia quando estávamos prestes a nos beijar de novo.

Repasso a cena na minha cabeça. Eu nem ao menos tinha certeza se rolaria mesmo outro beijo. Provavelmente não. Eu não conseguiria.

─ Ah, Marcelo! Você também não dá uma dentro! Na delegacia? Onde ele podia chegar a qualquer momento? Fez por merecer esses pontos horríveis na cara e a cicatriz que vai ficar.

─ Vai ficar cicatriz? ─ me preocupo.

─ Não, não. Você tá bem bonito pra não ficar. Eu hein. Nunca queira levar um soco de policial. Grosso demais! Vocês são certeiros.

Amor em Risco (COMPLETO)Onde histórias criam vida. Descubra agora