Capítulo 19 - Quem é você?

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A mulher se intimida: 

- Nina, me chamam de Nina...

Alfonso paralisado, boquiaberto. Sua cabeça imaginava muitas coisas e principalmente:

"Nina? Isso é nome? ... Essa Anahí, mesmo tão igual, tão diferente... Mas eu sinto que é ela. Mas como, meu Deus?"

A mulher chorava com a mão no rosto. Alfonso se compadece: 

- Não chore. Não vou lhe fazer mal...

- Então me solta, por favor! Eu não digo a ninguém, eu juro, você não me fez nada.

- Eu não te farei mal. – ele responde pensativo olhando para a estrada agora.

- Então onde está me levando? 

Alfonso não responde. Nem ele sabia. 


Ruth não consegue parar de pensar em Alfonso. No modo como o julgou. Aguardava o fim do dia para ir até o apartamento, quando ele se acalmasse.

Lupita terminava de limpar o apartamento de Alfonso, quando Maite chega, e é informada:

- Alfonso não passou por aqui, não, D. Maite.

- Não? Nem trouxe Anabella?

- Nem trouxe a menina.

Maite estranha. Olha o relogio, mais de 14h da tarde. 


Alfonso ainda seguia com a mulher no carro. Já havia decidido para onde iria. Entretanto era longe: o sítio da família em Guanajuato, há cerca de 4h da capital. Já tinham umas 2h de viagem e a mulher ainda chorava, soluçando. Alfonso ia mudo, pensativo. As vezes olhava para ela. Não queria vê-la chorar, mas quando falava, ela mais chorava.

A mulher, mesmo chorando, também pensava, mas que deveria lutar. Ela tinha uma cordinha, onde prendia uma única chave e num gesto rápido  segurando cada ponta com uma mão, passa os braços para o banco da frente tentando enforcar Alfonso. Ele leva um susto. O carro zigue-zagueia na estrada, mas a corda era pequena e com o balanço do carro, ela mesma acaba deixando escapar um mão da corda, deixando Alfonso tomar dela. Assustado pelos risco que correram na estrada, fica bravo:

- Esta louca??! Quer me matar? Quer nos matar?!

A mulher se encolhe no banco e chora mais alto: Por favor, por favor! - suas moedas já haviam caído pelo chão do carro. 

Alfonso não consegue olhá-la com olhos de raiva por muito tempo:- Se comporte. Não faça isso outra vez.-  Só seu tom de voz a ameaça, e ela fica encolhida, chorando - Pare de chorar. Logo ficará desidratada! 

E para não ouvir seus soluços, liga o rádio numa música calma. 

Anabella havia chorado um pouco por não ver ninguém conhecido, mas as gêmeas, filhas da amiga de Alfonso, a entretem. Pouquíssimas vezes havia estado com outras crianças. Mesmo maiores que ela, eram crianças.

Mas um tempo na estrada, Alfonso sente o estômago doer. Só tinha o café do hospital... Se ele estava assim, ela aparentava estar mais faminta:

- Deve estar com fome, não? O que comeu hoje?

A mulher tinha os olhos tristes perdidos na estrada. Naquele caminho não havia loja, restaurantes...Era uma estrada, mas havia pequenos barraqueiros que vendiam frutas. Alfonso para o carro mais um pouco à frente de uma das barracas e lhe avisa: 

- Vou comprar algo pra comermos. Não tente e não faça graças. Vai ser pior. - ele resolve ameaçar. Sai e trava o carro. Da uma corrida à barraca mais atrás. Compra diversas frutas e água de coco para se hidratarem, que ele pede:

- Pode virar numa garrafa, por favor?''É mais seguro. Vai que ela resolve tacar em mim, ou na janela..."

A mulher lá dentro não fica quieta, luta, tenta abrir as quatro portas, se joga contra elas empurrando, mexe tanto no carro que o alarme dispara.

- Opa! Estão querendo te roubar. – o vendedor avisa contando o troco.

 Alfonso pega suas compras e corre para o carro, desligando o alarme com um controle.

- Você é muito desobediente!!

 A mulher grita: Você pode me matar, mas eu vou lutar antes!!

Alfonso quase ri: Você vai morrer é de fome, como eu. Toma. - lhe entrega uma garrafa - Deve estar com sede, de tanto chorar.

Ela não aceita. Alfonso não impõe. Ele abre e toma para provar que não tinha nada que a prejudicasse. Então dá a outra garrafa a ela.E a mulher toma. Realmente tinha sede. 

Alfonso tira duas bananas e entrega a ela o restante das frutas. Com poucas mordidas, Alfonso come e parte com o carro.  Pouco empo depois, quando vira-se para trás, ela já havia acabado com tudo. Ele faz cara de espanto. Nossa estava com fome, hein! 

Seu celular toca, ele identifica e o desliga, jogando no porta luvas. A mulher observava, franze a testa por ele não querer atender. 

Ruth também chega no apartamento, fazendo companhia a Maite:

- Onde ele se meteu?! Ele saiu da clínica com Anabella pra cá... eu acho. E se aconteceu algum acidente? - Ruth já se preocupa. 

Pancho estava cabisbaixo na sala olhando a movimentação das duas. 

A amiga de Alfonso também se questiona:- Onde está Alfonso? Ele viria em duas horas no máximo. - e olha para Anabella com suas filhas; queria sair da cadeirinha do auto para mexer nos brinquedos das meninas.


Alfonso por fim entra na cidade. A mulher lê com os olhos as placas. Guanajuato. Que lugar é esse ? Nunca estive aqui. 

Alfonso a observa pelo espelho, ela quieta, seus olhos paralisados de medo. Ele sente um pouco de pena. Nem ele sabia porque fizera essa loucura. Mas aquela mulher era muito idêntica a sua amada Anahí... "É ela" 

- Já estamos chegando.. – ele avisa.

A mulher só conduz seus tristes olhos azuis aos dele e Alfonso engole a seco. Ela devia imaginá-lo como um monstro, um louco, um psicopata, um maníaco sexual. Mas espanta seus pensamentos e a avisa:

- Vou parar numa lanchonete e comprar mais alguma coisa para comermos... Tem uma logo ali. - aponta. - Estaciona próximo, solta seu cinto e vira para ela:  - Pelo amor de Deus, se controle!

 A mulher o encara. Alfonso pega o celular, as chaves do carro e o trava. Entra correndo na lanchonete, faz o pedido mas logo ouve um buzinaço fazendo as pessoas olharem para a rua. Era uma cidade pacata, turística, principalmente o bairro que estavam, bem no centro. Seguindo os olhares curiosos, pela porta de vidro, ele procura onde era o estardalhaço... era do seu carro! A mulher apertava a buzina descontroladamente e gritava por socorro. Seus gritos eram abafados pelo carro todo fechado - com o ar ligado - por isso pouco audíveis. Alfonso deixa o lanche e vai ao carro se justificando com os transeuntes:

- É minha irmã, está em crise... É a dependência química, coitada. – inventa com feição triste. E entra no carro, bate a porta bem bravo- Você é louca! Se eu fosse um psicopata te mataria agora! Vai ficar sem comida pra aprender! - e parte com o carro.

 A mulher volta a chorar. Mais uns minutos, entra aqui , vira ali, chegam diante de um grande portão de madeira cercado por um muro baixo, mas protegido com cerca elétrica. Pela extensão do muro, a mulher percebe que era uma grande área, com muito verde. 

Ele a mataria ali e esconderia o corpo?

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