A mulher se intimida:
- Nina, me chamam de Nina...
Alfonso paralisado, boquiaberto. Sua cabeça imaginava muitas coisas e principalmente:
"Nina? Isso é nome? ... Essa Anahí, mesmo tão igual, tão diferente... Mas eu sinto que é ela. Mas como, meu Deus?"
A mulher chorava com a mão no rosto. Alfonso se compadece:
- Não chore. Não vou lhe fazer mal...
- Então me solta, por favor! Eu não digo a ninguém, eu juro, você não me fez nada.
- Eu não te farei mal. – ele responde pensativo olhando para a estrada agora.
- Então onde está me levando?
Alfonso não responde. Nem ele sabia.
Ruth não consegue parar de pensar em Alfonso. No modo como o julgou. Aguardava o fim do dia para ir até o apartamento, quando ele se acalmasse.
Lupita terminava de limpar o apartamento de Alfonso, quando Maite chega, e é informada:
- Alfonso não passou por aqui, não, D. Maite.
- Não? Nem trouxe Anabella?
- Nem trouxe a menina.
Maite estranha. Olha o relogio, mais de 14h da tarde.
Alfonso ainda seguia com a mulher no carro. Já havia decidido para onde iria. Entretanto era longe: o sítio da família em Guanajuato, há cerca de 4h da capital. Já tinham umas 2h de viagem e a mulher ainda chorava, soluçando. Alfonso ia mudo, pensativo. As vezes olhava para ela. Não queria vê-la chorar, mas quando falava, ela mais chorava.
A mulher, mesmo chorando, também pensava, mas que deveria lutar. Ela tinha uma cordinha, onde prendia uma única chave e num gesto rápido segurando cada ponta com uma mão, passa os braços para o banco da frente tentando enforcar Alfonso. Ele leva um susto. O carro zigue-zagueia na estrada, mas a corda era pequena e com o balanço do carro, ela mesma acaba deixando escapar um mão da corda, deixando Alfonso tomar dela. Assustado pelos risco que correram na estrada, fica bravo:
- Esta louca??! Quer me matar? Quer nos matar?!
A mulher se encolhe no banco e chora mais alto: Por favor, por favor! - suas moedas já haviam caído pelo chão do carro.
Alfonso não consegue olhá-la com olhos de raiva por muito tempo:- Se comporte. Não faça isso outra vez.- Só seu tom de voz a ameaça, e ela fica encolhida, chorando - Pare de chorar. Logo ficará desidratada!
E para não ouvir seus soluços, liga o rádio numa música calma.
Anabella havia chorado um pouco por não ver ninguém conhecido, mas as gêmeas, filhas da amiga de Alfonso, a entretem. Pouquíssimas vezes havia estado com outras crianças. Mesmo maiores que ela, eram crianças.
Mas um tempo na estrada, Alfonso sente o estômago doer. Só tinha o café do hospital... Se ele estava assim, ela aparentava estar mais faminta:
- Deve estar com fome, não? O que comeu hoje?
A mulher tinha os olhos tristes perdidos na estrada. Naquele caminho não havia loja, restaurantes...Era uma estrada, mas havia pequenos barraqueiros que vendiam frutas. Alfonso para o carro mais um pouco à frente de uma das barracas e lhe avisa:
- Vou comprar algo pra comermos. Não tente e não faça graças. Vai ser pior. - ele resolve ameaçar. Sai e trava o carro. Da uma corrida à barraca mais atrás. Compra diversas frutas e água de coco para se hidratarem, que ele pede:
- Pode virar numa garrafa, por favor?''É mais seguro. Vai que ela resolve tacar em mim, ou na janela..."
A mulher lá dentro não fica quieta, luta, tenta abrir as quatro portas, se joga contra elas empurrando, mexe tanto no carro que o alarme dispara.
- Opa! Estão querendo te roubar. – o vendedor avisa contando o troco.
Alfonso pega suas compras e corre para o carro, desligando o alarme com um controle.
- Você é muito desobediente!!
A mulher grita: Você pode me matar, mas eu vou lutar antes!!
Alfonso quase ri: Você vai morrer é de fome, como eu. Toma. - lhe entrega uma garrafa - Deve estar com sede, de tanto chorar.
Ela não aceita. Alfonso não impõe. Ele abre e toma para provar que não tinha nada que a prejudicasse. Então dá a outra garrafa a ela.E a mulher toma. Realmente tinha sede.
Alfonso tira duas bananas e entrega a ela o restante das frutas. Com poucas mordidas, Alfonso come e parte com o carro. Pouco empo depois, quando vira-se para trás, ela já havia acabado com tudo. Ele faz cara de espanto. Nossa estava com fome, hein!
Seu celular toca, ele identifica e o desliga, jogando no porta luvas. A mulher observava, franze a testa por ele não querer atender.
Ruth também chega no apartamento, fazendo companhia a Maite:
- Onde ele se meteu?! Ele saiu da clínica com Anabella pra cá... eu acho. E se aconteceu algum acidente? - Ruth já se preocupa.
Pancho estava cabisbaixo na sala olhando a movimentação das duas.
A amiga de Alfonso também se questiona:- Onde está Alfonso? Ele viria em duas horas no máximo. - e olha para Anabella com suas filhas; queria sair da cadeirinha do auto para mexer nos brinquedos das meninas.
Alfonso por fim entra na cidade. A mulher lê com os olhos as placas. Guanajuato. Que lugar é esse ? Nunca estive aqui.
Alfonso a observa pelo espelho, ela quieta, seus olhos paralisados de medo. Ele sente um pouco de pena. Nem ele sabia porque fizera essa loucura. Mas aquela mulher era muito idêntica a sua amada Anahí... "É ela"
- Já estamos chegando.. – ele avisa.
A mulher só conduz seus tristes olhos azuis aos dele e Alfonso engole a seco. Ela devia imaginá-lo como um monstro, um louco, um psicopata, um maníaco sexual. Mas espanta seus pensamentos e a avisa:
- Vou parar numa lanchonete e comprar mais alguma coisa para comermos... Tem uma logo ali. - aponta. - Estaciona próximo, solta seu cinto e vira para ela: - Pelo amor de Deus, se controle!
A mulher o encara. Alfonso pega o celular, as chaves do carro e o trava. Entra correndo na lanchonete, faz o pedido mas logo ouve um buzinaço fazendo as pessoas olharem para a rua. Era uma cidade pacata, turística, principalmente o bairro que estavam, bem no centro. Seguindo os olhares curiosos, pela porta de vidro, ele procura onde era o estardalhaço... era do seu carro! A mulher apertava a buzina descontroladamente e gritava por socorro. Seus gritos eram abafados pelo carro todo fechado - com o ar ligado - por isso pouco audíveis. Alfonso deixa o lanche e vai ao carro se justificando com os transeuntes:
- É minha irmã, está em crise... É a dependência química, coitada. – inventa com feição triste. E entra no carro, bate a porta bem bravo- Você é louca! Se eu fosse um psicopata te mataria agora! Vai ficar sem comida pra aprender! - e parte com o carro.
A mulher volta a chorar. Mais uns minutos, entra aqui , vira ali, chegam diante de um grande portão de madeira cercado por um muro baixo, mas protegido com cerca elétrica. Pela extensão do muro, a mulher percebe que era uma grande área, com muito verde.
Ele a mataria ali e esconderia o corpo?
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Nostalgia
Mystery / Thriller"Marido é principal suspeito no desaparecimento de gestante: Com novas investigações, para a polícia, o principal suspeito no sumiço de Anahí Herrera é seu marido. 'Ele foi o último que a viu no dia, mas falou com ela por telefone e depois disso a m...
