Capítulo 21 - Dúvida

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Ele fica boquiaberto. A cicatriz de mordida que Anahí tinha. Agora sim tinha certeza.

"É Anahí, mas como? " 

Notando-o parado ali de pé, Nina levanta o rosto para ver o que fazia. E ele sai de seu estado taciturno rapidamente:

- Eu... Eu tenho que fazer algumas coisas... Fique aqui. Se quiser tomar um banho, providenciarei roupa pra você. - e sai fechando a porta. Desce a escada correndo se jogando ajoelhado no meio da sala com as mãos juntas para o alto:

- Obrigado, meu Deus! O Senhor me deu uma segunda chance!!! Mas como? Foi tão rápido! Por que eu não pedi antes? – sorri - Muito obrigado! - e se curva no chão.

E a porta da entrada se abre: Caiu? - pergunta uma voz infantil. 

Alfonso levanta rapidamente : Não, não.. - meio sem graça. Um menino se aproxima:

- Mamãe disse pra trazer as chaves. 

Alfonso pega com ele e lhe afaga os cabelos: Obrigado. Você cresceu, rapaz. - O menino sorri - Cadê seus pais, Javier?

- Lá em casa.

- Daqui a pouco vou falar com eles.

- Tá. Eu vou guardar as galinhas. - e o menino franzino, descalço e sem camisa corre para fora.

Alfonso volta ao andar de cima. Ele podia ouvir o choro da mulher, do corredor. Mas mesmo assim, tinha que trancar. Não era por mal. Mas aquela era Anahí!

 "Mas sem memória? Como? 

Ele tinha que saber. E roda a chave. Ao ouvir o som da fechadura, a mulher levanta da cama e corre à porta, tenta abrir, não conseguindo esmurra, gritando :

 - Me solta! Me solta! 

Alfonso avisa: Eu tenho que sair. Isso é só pra certificar que não vai fugir... Ah, e nem tente sair pela janela. É um tanto alto. Já tentei fazer isso quando era criança e me dei mal.

Ela continua batendo na porta, mas podia ouvi-lo falar.

Ele sussurra: Perdão, meu amor. - e desce. 

No andar de baixo, vai até a falsa lareira, obsessão de decoração por parte de Armando, retira dois porta retratos com fotos de Anahí:

- Essas fotos não podem ficar aqui. Ainda bem que ela não reparou.

Deixa só dele e da família. Sem Anahí. Ele guarda as fotos no porta luvas do carro. Depois vai à casa do caseiro, nos fundos do grande terreno. Ainda vê Javier correndo e brincando atrás das galinhas para levá-las ao galinheiro. 

O caseiro e a mulher conversavam na cozinha. Ela cozinhava e ele tomava uma caneca cheia de café enquanto conversavam baixo, assustados ainda com quem viram.

- Eu não quero ver fantasmas, por Deus! Quem era aquela mulher? Da onde ela voltou? – Maria questiona o marido.

- Eu também tenho medo dessas coisas, você sabe. Muito igual a mulher do patrão, mas ela não tinha morrido?

- Ai, vamos parar de falar nisso que eu to arrepiada, ó!

E Alfonso dá uma batidinha na porta entreaberta. Pedro levanta da cadeira: 

-Tamo aqui. - e Alfonso já adentrava, os encontra na cozinha:-

 Queria conversar com vocês.

- Claro. sente. - puxa uma das cadeiras da mesa de madeira.

- Quer um café, patrão? – Maria oferece.

- Ah, eu aceito... Sei que vocês ficaram assustados quando viram a mulher que está comigo... - O casal se entreolha - Eu também fiquei, ao encontrar alguém tão semelhante a minha mulher. Eu não sei de onde ela veio, parece uma moradora de rua, mas tudo me leva a crer que é Anahí... - o casal em silêncio - Tenho 95% de certeza. Só ainda não sei como. Eu a vi na rua e nada me passou na cabeça a não ser colocá-la no meu carro e fugir com ela. - Maria lhe entrega o café - As coisas ainda estão muito confusas. Ora eu acho que é uma irmã gêmea perdida, mas isso é caso de novelas; outra acho que seja só uma pessoa muito parecida, mas de imediato quando a vi, algo me disse que era Anahí, e apesar de suas roupas, sua aparência, eu tenho que descobrir e cuidar dela. Eu estou ficando louco! - esfrega as mãos no rosto asperamente. Tentando manter o controle.

- Patrão, mas ela não falou nada? – Pedro raciocina - Não é arriscado? Não a conhece...

- E se for um fantasma??? – Maria se mostra medrosa.

- Não é um fantasma, Maria. Você acredita nisso? Ela é de carne e osso. E tão violenta quanto Anahí as vezes. E não, Pedro, ela não fala nada. Não quer falar. Também do jeito que a peguei, praticamente a raptei, não é surpreendente. Pode ser arriscado, mas ela também está com medo.

- E se der policia? Se não for ela? 

-Eu prefiro correr esse risco, Pedro. Ela é a cara de Anahí, isso não é a toa. Eu a trouxe pra cá pra desvendar esse mistério. E pra isso conto com a ajuda de vocês.

- Em quê? – Maria questiona.

- Bom, a principal hipótese é que seja Anahí, sem memória. Não sei como ainda, porque... eu a sepultei! - suspira - Mas de qualquer forma, ganhei uma segunda chance; portanto, não quero que a tratem como minha esposa, como patroa ou algo assim. Mas assim, sem formalidades, como nós aqui agora. Não a chamem de Anahí e nem mencionem que ela se parece com alguém. Antes tenho que ter certeza e agir do modo certo. Não quero assustá-la mais. - Maria e Pedro concordam - Ótimo. Bom, eu tenho que ir buscar minha filha. Ela ficou na capital. Eu vim dirigindo todo esse tempo e preciso buscá-la.-  diz e se levanta. Seu corpo parecia carregar um peso. 

- Ainda vai voltar hoje, patrão? Nossa, cansativo... – Pedro pergunta.

- Preciso... Fiquem de olho em nossa hóspede enquanto não volto. Ela está trancada no meu quarto. Deixarei a chave pra lhe servirem um prato de comida. Ela parece faminta. Mas antes acho que vou à cidade. - (visto que o sítio não ficava no Centro da cidade de Guanajuato) – Preciso comprar umas roupas pra ela.

- Aí vai se atrasar mais. Talvez alguma de Maria caiba nela. 

Maria faz cara feia para a solução de Pedro: Não. Eu sou gordinha.

- Só pra que ela se banhe, Maria. Logo trago roupas. 

Diante do patrão, Maria aceita. Alfonso agradece: 

-E por favor, não comentem com ninguém sobre isso: vizinhos, conhecidos... Se meus pais ligarem, não digam nem que estou aqui. - Maria e Pedro concordam - Bom, já vou, pra enfrentar mais quatro horas de ida e volta. - levanta - Obrigado pelo café.

- Vai de avião, patrão. Todo mundo fala que tem vôo toda hora pra capital (México D.F).

- É uma boa idéia, Pedro. - olha no relógio.

 Pedro dá uma carona em sua caminhonete a Alfonso, até o aeroporto. E em pouco tempo, ele embarca para a Cidade do México. Tenta descansar no avião, mas uma coisa não encaixava:

" A cicatriz era aquela... Mas como pode ser Anahí?"

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