Capítulo 117 - Depoimento

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Dia seguinte:

Na delegacia aparecem para depor: Lupita, diarista de Alfonso e Christian, o psicólogo.

- Você tratou de Alfonso por um bom tempo. Ele havia lhe contado que a mulher estava viva? - o delegado questiona Christian.

- Não. Porque para ele, ela estava morta.

- Esta contando a verdade, ou esta dentro de sua ética profissional?

- Estou dentro dos dois, não é uma mentira. Pelo jeito que Alfonso apareceu no meu consultório, eu não diria que ele mentia. Era um ser muito amargurado, muito atormentado com a perda da mulher.

- E você lhe deu alta. Por que?

- Na verdade ele parou de frequentar as sessões por um tempo, depois voltou, muito melhor. E eu tive que lhe dar alta.

- E quanto tempo mais ou menos ele ficou ausente?

- Uns meses, 2 no máximo...

- E voltou bem do nada?

- Sim, parecia ter superado...

- Hum, estranho, não?

- Não sei, cada mente é cada mente, cada caso, um caso...

-

Alfonso já sentia os efeitos da clausura, ele cantava uma música triste sentado no chão, perto da grade:

"Se fué con ella el aire y la luz

Mis ganas de amar

Y es que ya no puedo más

Porque siempre me pierdo

Con tu recuerdo

Sabe más frío solo intentar olvidar tu amor

No sentir dolor

Obligarme a perder tu calor

Porque muero por dentro

Finjo y me miento

Desaparezco por ti

Um bêbado que ocupava a cela ao lado grita:

- Ei, cala a boca!! Wow!!! Me irrita esse porre!

Mas Alfonso nunca se importou com opinião alheia, e continua.

-

O telefone toca sem parar no apartamento de Bruna. Mas Eduardo não estava. Transtornado, a buscava. Queria o filho e a mulher. Havia pensado em ir a delegacia, mas apesar de não dever nada que soubesse, tem medo. Suas atitudes nunca foram as mais corretas...

Entra no prédio da agência de modelos que Bruna trabalhava:

- Olá. Eu poderia falar com Bruna?

Uma mulher bem arrumada estava na recepção: Que Bruna?

- Bruna García.

- Faz tempo que ela não aparece aqui. Ela já não trabalha para nós.

- E não tem nenhum endereço, nenhum contato dela?

- Quem é você?

- Sou...um agente, vi o trabalho dela. Estou interessado.

- Um momento... – a mulher levanta, entra num sala, nao demora, volta com um arquivo, mexe no computador e anota num pequeno papel azul claro para ele - Telefone, cel e email de contato.

Eduardo olha. Era o cel, o telefone do apartamento e seu email, tudo que ele já conhecia.

Agradece e se retira. No elevador ele vai esbravejando:

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