CAPÍTULO 35

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•Carson Axel•

Havia quase duas horas que Eden estava dentro do quarto fazendo algum trabalho. Eu ainda a sentia meio estranha comigo, mas resolvi deixá-la se acalmar um pouco. Enquanto isso, eu resolvia os preparativos para a droga da festa de hoje a noite. Ben já havia me mandado três mensagens para se assegurar de que eu iria. Charlotte também me mandou fotos de seus vestidos dizendo para eu escolher baseado na cor da minha gravata, para combinarmos. Francamente, eu estava pouco me fodendo para isso!

Meu celular tremeu no momento em que eu respondia Charlotte para usar qualquer um, e o nome de Ben surgiu na tela. Atendi em um suspiro.

_ Já disse que eu vou, merda! - exclamo e estava prestes a desligar quando ele me corta.

_ Precisa levar a garçonete! - me endireito no sofá e sinto a raiva subir. Quem ele pensava que era para dizer isso?

_ Não! - soo curto e frio.

_ Seu pai fez questão de me pedir isso. Ele a quer lá! - coço minhas têmporas e solto uma risada abafada.

_ Eu não dou a mínima para o que ele quer, Ben.

_ Olha, ele provavelmente só está te pedindo isso para te irritar. Ele não espera que o faça.

_ Que bom, porquê não vou...

_ Mas ele vai tentar agir por contra própria se não o obeder, Carson. Sabe disso! - ele se apressa - Ele é capaz de aparecer aí e arrastá-la a força. E ele só irá fazê-lo para te afetar.

_ E já está funcionando. - me levanto do sofá e ando pela sala.

_ Seja esperto, Axel. Não o deixe te provocar. Leve-a!

_ Sabe que não é um lugar para gente como ela, Ben! É perigoso. E se algo acon...?

_ Você estará lá. E Charlotte e... Eu. - ele murmura a última parte - É apenas um jantar de negócios e ele quer que a leve, para provar que tem algum poder sobre você. - engulo em seco - Não é mais fácil apenas deixá-lo acreditar que tem? - a chamada permanece em silêncio por um momento e eu repasso a pergunta na minha cabeça várias vezes.

_ Se algo acontecer, eu o mato ali mesmo. Avise-o disso! - então encerro a ligação.

•••

•Madison Eden•

Ouço batidas na porta e então Carson aparece ali. Ele tinha uma caixa enorme nas mãos e algumas sacolas.

_ O que é isso? - pergunto me sentando na cama. O garoto despeja tudo sobre o colchão e eu espio dentro delas. Sapatos, maquiagens, jóias, roupas... O olho confusa.

_ Vamos a uma festa hoje à noite. - ele diz e eu não gosto muito do seu tom mandão, mas a ideia não pareceu tão ruim... - Com meu pai. - Até agora! Tenho certeza que minha expressão é clara já que Axel explica.

_ Ele está me obrigando a ir em uma jantar de negócios com vários outros gangs... Sócios. - ele se corrige - Ele quer que você vá.

_ Eu? Porquê? - indago confusa.

_ Para me irritar. - ele diz por fim. - Pedi para trazerem alguns vestidos e sapatos, não sabia do que iria gostar. - Eu gostaria de não ir nessa festa! - Tentarei ser rápido, eu juro. Vamos tentar entrar e sair como se fôssemos invisíveis. - ele promete antes de me deixar sozinha no cômodo com um monte de sacolas.

•••

Eu havia experimentado os cinco vestidos. Todos eram lindos. Mas, por fim, preferi escolher um com tecido de seda branco e um decote grande nas costas, segurado com correntes prateadas. Por ter deixado meu cabelo secar naturalmente, as pontas estavam enroladas e bagunçadas, mas o batom vermelho escuro nos meus lábios me deixavam com um ar ousado. Talvez não deveria ser o que eu queria quando fosse entrar num covil de gangster, mas, por outra lado... Talvez seria uma boa forma de me enturmar. Escolhi um par de saltos e brincos grandes de argolas prateados. Eu me sentia poderosa, embora por dentro estivesse tremendo.

_ Está pronta? O carro chegou... - a porta do quarto é aberta e Carson se posiciona ali. Deus! Ele estava de tirar o fôlego. Usava um terno preto com uma gravata branca, o cabelo estava mais arrumado do que o normal e sua barba estava feita. Ele parecia um empresário incrivelmente sexy e perigoso. - Hum... - ele pirragueia tossindo fraco. Seus olhos me analisavam de cima a baixo, assim como eu fazia com ele. Corei e desviei o olhar. - Lá se vai a opção de passarmos despercebidos... - ele brinca com um brilho fogoso no olhar. Sorrio.

_ O carro... Não está nos esperando? - o lembro e ele concorda desviando seu olhar. Nos apressamos para descer as escadas e entrar na pequena limusine que nos aguardava.

_ Fique do meu lado durante toda a festa e se algo acontecer... - Carson me entrega uma pequena faca, quase do tamanho de um canivete. Ele retira do bolso interno de seu terno, um tipo de poxete e ergue a saia do meu vestido, prendendo a bolsinha na minha coxa. Prendo a respiração sentindo seus dedos contra minha pele. - Use-a! - ele ordena ao guardar a faca ali. Ele me encara, esperando por algo para prová-lo que eu havia entendido. Assinto. Carson da uma ultima olhada para minhas pernas antes de voltar a cobrí-las com o tecido e se afastar. A sensação de ter uma faca presa ao meu corpo era estranha, ainda mais quando eu não imaginava usá-la.

Assim que o carro parou, descemos da limusine em frente a uma imensa mansão - maior até que a de Carson. Era luxuosa. E havia uma fila de convidados passando por dois seguranças. Axel ofereceu seu braço e eu enfiei o meu ali, e então seguimos o restante das pessoas.

_ Nome. - os dois brutamontes nos barram.

_ Axel. Carson Axel. - ele diz, e os homens se endireitam rapidamente abrindo passagem.

_ Seja bem vindo, senhor. Tenha uma bela noite. - Carson assente e nós entramos no local. Fomos recebidos por um imenso salão com um grande lustre no teto que escorria quase até o piso. Ele iluminava as paredes cremes e as grandes pilastras de mármore. Uma música clássica tocava baixo mais a frente. Haviam cadeiras e mesas espalhadas pelo local, garçons serviam taças de champanhe para homens e mulheres que esbanjavam riqueza com seus ternos, vestidos e jóias.

Eu não me encaixaria aqui!

_ Carson, vejo que me obedeceu uma única vez na vida. - um arrepio me percorre à espinha ao ouvir sua voz atrás de nós. O pai de Carson sorri ao me ver e apenas agora eu pude realmente observá-lo bem, já que na última vez ele e seus capangas estavam tentando me matar. O homem tinha cabelos pretos como o filho, porém já era possível notar algumas mexas grisalhas. Seus olhos eram escuros e eu senti como se estivesse olhando em direção a um portal para o inferno.

_ Apenas me apresente logo aos investidores para que eu possa dar o fora daqui! - Axel reclama e seu pai ri. Uma risada sinistra.

_ Tenha modos, meu filho! - ele o repreende - Ofereça uma taça de champanhe a garota, ela deve estar com sede. - o homem me analisa - Não está, querida? - ele volta a olhar para o filho com um divertimento diabólico. - Porquê não vai fazer amizades e me deixa ter uma dança com a garota, hum? Prometo cuidar bem dela... - meu coração já estava disparado imaginando a possibilidade de Carson aceitar, mas ele me puxa para atrás de seu corpo e se aproxima do pai.

_ Porque não vai se fuder? - as palavras saem cerradas e pausadas. O velho não parece gostar muito da resposta do filho, mas apenas sorri torto.

_ Aquele grupo de homens, porquê não começa sendo legal com eles? - ele aponta para uma mesa com vários homens fumando charutos. Carson revira os olhos - Lembre-se do que veio fazer aqui, garoto... - o homem rosna e Carson parece travar o maxilar. Ele tenta me puxar em direção a mesa dos homens, mas seu pai segura meu pulso. Meu coração dispara. - Vou levar a garota até Ben, não quero que ela seja uma distração quando está cuidando dos negócios. - Carson encara o pai sério, com os punhos cerrados. Eu temi que ele estivesse prestes a fazer alguma loucura na frente de todos esses gângster, no entanto, ele apenas solta meu braço. O homem sorri satisfeito por ter conseguido o que queria e deposita sua mão nas minhas costas. - Vamos, querida! - olho para traz e me permito ser conduzida pelo salão, enquanto Carson nos observava ainda no mesmo lugar.

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