**Capítulo 5**

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Depois de um tempo, Neguinho parou o carro na frente do lugar que eu fazia curso, e eu já fui descendo do carro, pegando minhas coisas no banco de trás.

William ficou me olhando calado, enquanto o Neguinho mexia no celular, visivelmente já ficando puto com alguma parada.

William: Deixa eu ir contigo, dinda? - me olhou fazendo um biquinho, e eu ri de lado.

Rafaelly: Não dá meu amor. Dinda vai estudar pra poder ficar rica e comprar uma fábrica de bolachas pra tu, pô.

Na mesma hora em que eu disse, ele deu maior sorriso, e se esticou na cadeirinha pra me abraçar.

Abracei ele apertado, dando um beijinho em sua bochecha, e sai, ajeitando minhas coisas.

Rafaelly: Tchau, negão. - acenei pro Wellington, que me ignorou legal. Ala.

Entrei ali aonde era meu curso, e já fui indo para a sala que eu estudava e pá. O curso já estava quase chegando na reta final, então logo mais, vou poder montar meu salão, com algumas economias que venho guardando a alguns anos.

Sim, metade deste dinheiro que tenho guardado, foi o Neguinho que me deu, por conta daquelas fotos lá e pá.

E o resto do dinheiro eu venho juntando do meu trabalho de atendente em uma loja de roupas e sapatos perto da favela.

Trabalho lá a quase dois anos, e mesmo o salário não sendo aquelas coisas, tô conseguindo juntar uma grana boa pra caralho, pô. Que isso...!

Logo mais tô toda patroa com meu salão lá na favela, bombando pra caralho, e ficando cada vez mais cheinha de grana!

******

Era quase oito da noite quando o Neguinho apareceu pra me buscar. Ele estava sozinho, sem o William dessa vez.

E o moço estava com a pior cara do mundo. Parecia estar irritado pra caralho com algum bagulho, e eu sabia que com ele nesse estado, não era bom ficar puxando papo.

Neguinho é mó paz na maioria do tempo que passa comigo, com a minha mãe ou com o William, mas as vezes quando tá longe vira outra pessoa.

Já vi ele agindo super grosso, arrogante a até agressivo com várias pessoas, inclusive com alguns caras do comando.

Não sei se é porque ele não tem muita confiança, mas que as vezes dá medo dele... dá sim!

Rafaelly: O que rolou em?

Neguinho: Nada, pô. - respondeu baixo, ligando o carro. - Quer parar em algum lugar pra lanchar?

Murmurei um 'aham', e ele só balançou a cabeça.

Tava na cara dele que ele não tava de boa, então nem puxaria muito assunto com ele hoje, e nem ia ficar com minhas graças pra cima dele. Vai que o cara surta e desconta tudo em mim? Ala, ia dar maior merda!

Até porque se ele viesse dando um de maluco pra cima de mim, eu não ia abaixar minha cabeça não, e ele muito menos!

Wellington parou em frente a uma lanchonete que tinha ali perto da onde eu fazia curso, e já foi descendo do carro.

Deixei minhas coisas no banco de trás, e também sai do carro, indo atrás dele.

A lanchonete ali não estava muito cheia, então sentamos em qualquer mesa ali.

Eu continuava quieta na minha, me segurando pra não começar a falar, e ele, continuava com aquela cara fechada.

Até que não em aguentei outra vez.

Rafaelly: O que tá rolando, pô? - cruzei os braços.

Neguinho: Nada! Já disse...

Rafaelly: Ih Neguinho, te conheço, cara. Fala logo, em.

Ele respirou fundo, se encostando na cadeira, e ficou um tempo olhando para o teto, até que baixou o olhar em mim.

Neguinho: Só a Naysa enchendo a porra do meu saco por conta de uns bagulhos ai. E a facção me cobrando altas paradas. - bufou, fazendo uma careta logo em seguida. - Tô cansadão já!

Rafaelly: Naysa tá te cobrando no que?

Neguinho: Sobre altas paradas, pô. Principalmente por conta das minas lá da favela que tô saindo. A maluca foi tentar bater na Camila hoje mais cedo porque viu que ontem sai com ela.

Rafaelly: Gosto da Naysa, mas não gosto desse ciúmes descontrolado que ela sente por você. E olha que vocês dois nem tem nada, mas imagina se tivesse...

Neguinho: E nem quero mais voltar a ter algo com aquela louca, tô fora de problema, pô, na moral. - suspirou, e eu fiquei quieta mais uma vez.

Sou colega da Naysa, gosto bastante dela, mas acho super desnecessário esse ciúmes doentio dela com o Neguinho. Uma que os dois nem tem nada, e Neguinho nem quer aproximidade, é só o William que liga eles dois, mas ela insiste em colocar na cabeça, que eles ainda vão se casar, e ter mais filhos.

A própria fanfiqueira!

Ala.

Mas serin mesmo pô, Naysa as vezes parece louca. Da até um certo medo de em que até que ponto essa loucura e esse ciúmes dela podem chegar.

Quando o carinha apareceu dali da lanchonete, fizemos nossos pedidos ali.

Pedi logo dois hambúrguer e uma porção de batata frita, com dois copo de coca, aproveitando que quem iria pagar, era o Neguinho. E já ele só pediu um misto quente com um café com leite.

Ficamos em um silêncio do caralho esperando a comida, e quando chegou, já logo fui comer, pois estava morrendo de fome, pô.

Dá não.

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