• Magrão •
Na moral, que porra eu fui arranjar pra minha vida, parceiro? Deveria ter saído por aí com a Rafaelly e com o Neguinho, assim eu não ficava em uma situação estranha com a menina que vim encontrar.
Vergonha do caralho, mermão. Tô conseguindo nem olhar pra cara da menina agora, papo reto. Maior merda!
Vim galudo pra ficar com a mina, e na hora do bagulho, a porra não subiu. Fiquei puto, mané, que isso...
Fiquei sem saber o que fazer na hora, e a mina me olhando assustada. Queria rir, mas a vergonha tava maior.
Patrícia: É...- bateu as unhas na parede.
Eu não disse nada, e nem tinha o que falar na verdade. Quando a mina veio doida pra cima de mim, só vinha uma pessoa na mente... Ana!
Tava com tesão no começo, mas assim que lembrei da Ana e os bagulhos tudo que aconteceu, esse tesão todo foi embora. Sumiu do nada, porra!
Sabia nem aonde enfiar minha cara de tanta vergonha que eu tava sentindo.
Magrão: Pô, foi mal Patrícia. Bagulho foi...
Patrícia: Tá tudo bem, acontece né?! - suspirou, fazendo um bico. - Não sentiu tesão em mim?
Magrão: Senti pô, senti. Só que lembrei de uma outra pessoa aí, e não consegui prosseguir.
Patrícia: Bem que a Rafaelly disse que o seu coração já é de outra. - passou a mão pelos seus cabelos escuros. - E eu te entendo nisso. Você é o segundo cara que eu me relaciono na vida. Terminei meu namoro faz pouco tempo, e sei como é horrível ter uma pessoa na cabeça desse jeito...
Magrão: É foda cara, é foda. - suspirei, me sentando na cama. - Por agora não vou conseguir transar contigo, mas ai, quando eu sair lá da cadeia, eu vou atrás de tu.
Ela deu risada se levantando da cama do motel que nós estava ali na favela mesmo. Bagulho é escondido, fiquei uma cota procurando, tentando ir por onde o Neguinho falou, mas no final acabei achando.
Magrão: Foi mal mesmo, cara. Tô na maior vergonha aqui. - ela deu risada, fechando o botão do shorts.
Patrícia: Cara, tá tudo bem. Eu já disse! Relaxa! - se aproximou de mim. - Isso acontece... É normal, eu acho!
Dei um sorrisinho pra ela, e fui me vestir também, ainda de cabeça baixa, com a vergonha me esmagando.
Essa parada nunca foi de acontecer comigo. Mas já deu pra perceber que quando a Ana se foi, tudo em mim mudou. Não consigo nem mais transar nesse caralho, mermão. Ala.
Bagulho estranho!
Depois de me vestir outra vez, sai dali do quarto com ela. Como já estava pago, só fomos indo embora daquele lugar. Deixei ela em casa, e nem se quer consegui olhar no rosto dela direito.
Fui em direção da casa da Rafaelly correndo, e quando cheguei lá só estava a mãe do Sinistro, que inclusive também se chama Ana.
Sei lá, tudo tá me lembrando aquela garota. Parece até que é de propósito, não sei!
Balancei a cabeça, na intenção de afastar esses pensamentos, e fui na direção de tia, que arrumava a cozinha acho que para fazer o jantar.
Me sentei em uma das cadeiras de mesa, e fiquei olhando pra ela. Percebi a pequena tatuagem que ela tinha atrás do braço, um pouco a cima do cotovelo. Estava escrito Rafael, e tinha uma data mais em baixo, acho que o dia em que ele nasceu, com a que ele morreu.
28/03/1982 – 03/10/2016
Fiquei por um tempo olhando aquela tatuagem e soltei um sorrisinho ao lembrar de alguns momentos que tive com Rafael. Aí, mó saudade do putão.
As vezes eu só queria que ele estivesse vivo por aí com a Jadeane, colocando tudo pra foder em outras países, mas sabia que isso tecnicamente era impossível!
Vi eles sendo carregados por alguns caras do IML, então sempre ao lembrar daquilo, minhas esperanças morrem cada vez mais.
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Lance Proibido
RomansaA Razão nos contém dos nossos desejos proibidos... A vontade se cala, mas não se acaba... Hoje a emoção é amiga da Razão. Mas se a vontade falar mais alto e a emoção trair a razão... Amanhã vai sair na primeira edição, um crime de paixão...
