Dois dias se passaram, e parecia que eu e o Magrão se conhecia a anos. Que tínhamos intimidade pra falar sobre tudo desde sempre!
Falávamos literalmente sobre tudo, sem esconder nada um do outro, exceto algumas situações. E de algum modo, eu não tive receio de me abrir com ele. Não tive vergonha!
É uma coisa tão estranha, que não sei explicar. Mas quando olho nos olhos dele, o cara me passa uma confiança tão grande que mesmo sem querer, acabo soltando tudo sobre tal assunto.
Mas a única coisa que eu não contei pra ele, foi sobre meu lance com o Neguinho. Não consegui falar, até porque esse assunto não envolve somente a mim.
Não posso abrir a boca sobre isso, sem a autorização do Neguinho também. O cara me pediu pra manter isso entre nós dois, e eu prometi. Então essa promessa eu juro que vou tentar cumprir até o final!
Rafaelly: E tu nunca mais viu ela depois desse dia aí?
Magrão: Não, pô. A mina sumiu! Pensei que ela iria outra vez em uma das visitas, mas nem pá.
Rafaelly: Se encantou pela ruiva, né? - cruzei os braços, olhando pra ele com um sorrisinho no rosto.
Magrão: Vou mentir não, me encantei mesmo! Depois da morte da Ana, pensei que não iria querer mais nenhuma, só que sei lá porra, aquela ruiva me chamou a atenção. - me olhou fazendo uma careta. - Acho que nunca mais vou ver ela não.
Rafaelly: Ala, tu nem sabe, André. Essa menina pode ser sua futura esposa, e tu nessa.
Magrão: Acho que conseguir casar outra vez, eu não consigo. - suspirou.
Eu nem disse nada depois disso, fiquei calada olhando pra cara dele, segurando a risada ao ver a cara de bobão que ele estava enquento olhava para o céu.
Ao longo desses dois dias Magrão acabou que perdeu a vergonha comigo. Agora ele estava sendo ele mesmo, como ele disse. E eu até que estava gostando!
Olhei ao redor dali do banco que estavamos sentados na praça, e vi o Fábio de longe com duas colegas dele.
Esperei ele finalmente olhar pra mim, e assim que ele olhou, eu mandei um beijo, acenando com a mão.
Ele apenas me olhou, dando um sorriso fraco e abaixou a cabeça puxando as duas meninas dali, descendo a pequena ladeira.
Fiz uma careta já sabendo que ele tinha feito alguma merda, mas naquele momento eu nem liguei. Depois ia atrás de saber o que rolou, já que agora eu não estava afim de ouvir coisa ruim ou algo do tipo.
******
Estava realmente moscando olhando para aquela tv ali na sala de casa. Passava um programa aleatório, mas eu só pensava na merda que o Fábio queria me contar amanhã de noite.
Assim que cheguei em casa, a mensagem dele chegou, falando que amanhã de noite iria vir aqui em casa, me contar um bagulho sério.
E eu já fiquei como? Morrendo de receio de ser alguma merda grave.
Parei de morgar ali assim que ouvi o William me gritando. Coloquei minha atenção nele, que corria entrando na minha casa, com o Neguinho mais atrás.
Me levantei do sofá, me abaixando um pouco até ele pular no meu colo, me abraçando apertado.
William: Tava com 'saudadi', dinda! - falou baixinho, me apertando toda.
Rafaelly: Também estava meu amor. Demais até!
Fiquei abraçando ele por um tempinho, mas logo coloquei ele no chão, dando um beijinho em sua bochecha.
Olhei para o Neguinho que sorriu, dando uma piscadinha pra mim, o que me deixou morrendo de vergonha boba por dentro, mas por fora eu apenas sorri de volta pra ele, me fazendo de sonsa.
Neguinho: Cadê o Magrão?
Rafaelly: Foi dar uma volta pela favela. - dei de ombros, me sentando no sofá novamente, e ele balançou a cabeça, vindo sentar ao meu lado no sofá também.
William assim que ouviu a voz da minha mãe na cozinha, correu até lá, gritando já pedindo pra raspar a bacia da massa do bolo.
Me ajeitei ali no sofá, coçando a garganta e fiquei em silêncio, com ele do meu lado, me olhando que nem um tonto.
Rafaelly: Não gosto quando você fica me olhando desse jeito, Wellington. Você sabe!
Neguinho: Tô te olhando normal, Rafaelly. - respondeu baixo.- Vai fazer o que no próximo final de semana?
Rafaelly: Não sei ainda, por que em? - virei meu rosto, olhando em sua direção.
Neguinho: Se tu não marcar nada, tu me fala que nós vai dar uma volta por aí.
Balancei minha cabeça, baixando meu olhar para a sua boca, e fiz uma careta, engolindo em seco. Senti a mão grossa do Wellington apertando minha coxa com uma certa força, e eu mordi meu lábio inferior, respirando fundo.
Rafaelly: Se quer me beijar, beija logo antes do teu filho voltar, cara.
O filho da puta riu, e se afastou de mim, se levantando. Fiquei sem entender, e olhei pra cara dele confusa. O cara continuou rindo, e nem disse nada, só foi em direção a cozinha, me deixando sozinha ali.
Wellington era estranho! Do nada dá uma dessas e depois vem querendo me agarrar em qualquer canto por aí, euem.
Até o dia que eu deixar ele instigado de verdade e depois sair fora como se não tivesse rolado nada demais! Rum, deixa ele!
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Lance Proibido
RomanceA Razão nos contém dos nossos desejos proibidos... A vontade se cala, mas não se acaba... Hoje a emoção é amiga da Razão. Mas se a vontade falar mais alto e a emoção trair a razão... Amanhã vai sair na primeira edição, um crime de paixão...
