Algumas horas já tinham se passado e meu braço já estava enfaixado quando sai do hospital com Magrão e Pedro atrás de mim.
Eu não havia trocado sequer três palavras com Magrão, evitando-o e falando apenas com Pedro.
Estava chateada com ele, e tinha motivos para tal.
Eu não sabia de quase nada do que havia acontecido na invasão. Só sabia que Carlinhos estava morto e Sinistro tinha conseguido finalmente recuperar a favela. Uma parte de mim se animou com isso, pois eu poderia voltar para casa e tocar meu salão do jeito que sonhei.
O diário ainda estava comigo, e eu não avisei a ninguém sobre. Entregaria na mão do Sinistro quando o encontrasse.
E Wellington... Estava bem. Graças a Deus.
Fiquei aliviada quando Magrão disse e quase chorei ao agradecer a Deus por isso. Não aguentaria perder ele.
Precisávamos conversar e tentar resolver tudo entre a gente.
Sabia que ele sentia saudades de nós dois juntos quase tanto quanto eu sentia a dele.
E se fosse pra recomeçar... Que fosse ao lado dele.
Magrão dirigiu de volta a Brasilândia, e de novo, fui o caminho todo calada, apenas trocando algumas palavras com Pedro. Percebia Magrão me olhando pelo espelho do carro, porém, não abriu a boca.
Quando chegamos, felizmente não encontramos nenhum corpo no caminho. Paramos na frente de minha casa, e Pedro foi o primeiro a sair, percebendo que Magrão queria conversar comigo a sós.
Mantive meu olhar baixo quando ele se virou para mim, analisou meu braço enfaixado que ainda doía, e engoliu em seco.
Magrão: Desculpa, bacalhau. - sua voz saiu baixinha. - Sinistro é meu parceiro, não podia dar brecha com ele sobre isso.
Balancei minha cabeça.
Magrão: Sei que você também é minha parceira, mas... se eu contasse pra você que ele estava vivo, por aí, você surtaria e os caras te matariam se tivessem a certeza de que você sabia em relação a ele. Menti, e escondi isso de você, mas não pense que não passei todo o tempo me corroendo por isso.
Rafaelly: Eu entendo. Mas, estou chateada, não só com você. Com todos por terem escondido isso de mim. Mas vai passar.
Ele balançou a cabeça, e após alguns minutos de silêncio, ele disse:
Magro: Posso... Te abraçar?
Um sorriso surgiu em meus lábios quando revirei os olhos e assenti com a cabeça.
Sai do carro com uma certa dificuldade, e ele saiu em seguida. Respirou fundo, e envolveu seus braços ao meu redor, tentando não se aproximar do meu ombro machucado.
Sentir os braços dele me rodeando foi como... como se eu sentisse que realmente tudo melhoria dali em diante.
Que o caos finalmente iria sair de nossas vidas, deixando a felicidade e a paz prevalecer.
Assim eu, e todos esperávamos.
Me separei de André, e depositei um beijinho em sua bochecha no momento em que o portão de casa se abriu.
Sinistro foi quem saiu primeiro, cruzando os braços ao nos ver. Magrão sorriu largamente, e foi abraçar meu irmão, beijando sua bochecha.
Magrão: Sentiu saudades né putão? Rum.
Sinistro: Sai fora, mano. Sai.
Rafael sorriu de lado, negando com a cabeça ao se afastar dele. Sinistro me olhou, e engoliu em seco ao reparar no meu ombro, parecendo lutar contra o que queria falar.
Sinistro: Me desculpa Rafa, me desculpa.
Pela sua voz, eu sabia que ele não estava falando só por conta do meu ombro, ou por eu ter me enfiado no meio dos inimigos. Era por conta de tudo, desses anos todos que sofri com o luto.
Rafaelly: Tá... tá tudo bem. Esquece isso.
Ele balançou a cabeça em negativa, e quando menos esperei, Sinistro me abraçou fortemente, me fazendo resmungar com a dor que se alastrou por meu corpo ao sentir o aperto em meu ombro também. Ele pediu desculpas por aquilo, e... sussurrou que me amava, e que tinha sentido saudades esses anos todo.
Meus olhos marejaram e eu disse que também o amava.
Ao me afastar dele, entreguei o diário, e ele me agradeceu.
Sinistro: Wellington tá esperando tu lá dentro. - disse, baixinho.
Eu engoli em seco.
Sinistro: Vai lá.
Algo brilhou em seus olhos, o que me fez sorrir, e sair correndo na direção de casa. Ao chegar na sala, me deparei com um Wellington ansioso roendo as unhas. Assim que seu olhar se deteve em mim, meu corpo esquentou.
Fiquei parada na porta, olhando-o com um sorriso enorme em meu rosto. Ele deu um passo em minha direção, mas hesitou ao ver meu braço.
Não deixei que ele perguntasse ou lamentasse por aquilo, corri em sua direção, abraçando-o com meu braço que estava bom. Encostei minha cabeça em seu peito, sentindo as lágrimas escorrerem por meu rosto.
Rafaelly: Eu amo você. Amo. Amo. Amo muito você, Wellington.
Ele encostou seu queixo no topo de minha cabeça, rodeando seus braços por minha cintura, me abraçando apertado.
Com a cabeça em seu peito, consegui sentir e escutar seu coração acelerando.
Neguinho: Eu te amo, Rafaelly.
Solucei contra seu peito, sentindo finalmente um alívio depois de tantos dias rodeada pelo medo e receio de ser morta.
E por conta desses últimos dias trancada que pude parar e pensar com calma sobre tudo o que estava acontecendo, decidi que eu não podia mais enrolar e deixar a felicidade escapar por meus dedos ao virar as costas para Wellington.
Não podia mais deixar a situação entre a gente do jeito que estava.
Rafally: Vamos recomeçar. Nós dois juntos. Não quero mais ficar longe, deixando os outros decidir com quem eu gico ou não. Quero você. Quero ficar com você, Wellington.
Um sorriso imenso surgiu em seus lábios.
Neguinho: Vamos deixar aquele Lance Proibido para trás?
Rafaelly: Sim.
Wellington segurou seu rosto em concha e colou suas bocas. Havia tanto carinho e saudade naquele gesto, queme derreti inteira.
Neguinho: Vamos recomeçar então, porra.
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Lance Proibido
RomantikA Razão nos contém dos nossos desejos proibidos... A vontade se cala, mas não se acaba... Hoje a emoção é amiga da Razão. Mas se a vontade falar mais alto e a emoção trair a razão... Amanhã vai sair na primeira edição, um crime de paixão...
