Depois de algumas horas com o William ainda no hospital, conseguimos voltar para a favela. No caminho deixamos a Andressa em sua casa, no centro e fomos indo para a favela.
William dormia no banco de trás, enquanto eu ia conversando a todo momento com o Neguinho, para ele não acabar dormindo no meio do caminho.
Wellington estava cansado pra caralho mesmo, que tinha que ficar forçando a vista na avenida para poder manter o foco, e não acabar batendo o carro.
Mas assim que a gente entrou com o carro na favela depois de sinalizar para os meninos da lage, parece que o Neguinho despertou, pois acho que já pensava que acabaria encontrando a Naysa por aqui, já que os caras avisaram que ela tinha voltado de manhã toda acabada.
Os meninos falaram que ela fedia a bebida, e com toda certeza estava drogada, com vários furos nos braços, mostrando que tinha usado heroína.
Não fizeram nada com ela, deixaram ela achar que estava tudo bem, porque Neguinho queria pegar ela de surpresa, pra não dar tempo dela fugir ou se fazer de sonsa.
Acho que já era o que o destino queria, pois assim que ele virou na esquina, entrando na rua aonde eu moro, só escutei o grito dela.
Naysa: Cadê meu filho? - ouvi ela gritando, enquanto olhava pelo retrovisor, ela correndo atrás do carro.
Neguinho parou o carro com tudo, e saiu do mesmo batendo a porta. Respirei bem fundo, olhando para o William que já estava acordado, olhando a confusão toda começar.
Sai do carro pedindo pra ele ficar ali, e só vi o Neguinho segurando a Naysa pela mandíbula, enquanto falava alguma parada no ouvido dela. Acho que para o William não escutar.
Ela no momento seguinte, começou a chorar, gritando e batendo no peito do Neguinho.
Neguinho: Tá avisado!
Naysa: Você não vai tirar ele de mim, seu filho da puta. - foi pra bater na cara dele, mas antes Neguinho conseguiu segurar o pulso dela com força.
Neguinho: Tu continuar gritando aqui, vai ser pior. - avisou, mas ela continuou querendo bater nele. - A vontade que eu tenho é de encher tua cara de murro, mas relaxa Naysa, ainda hoje você leva o seu, sua desgraçada do caralho.
Naysa: Eu te odeio, Wellington. - gritou mais alto, e eu fiz uma careta.
Neguinho: Tu quer fazer show aqui mermo né?! Beleza, pô. - balançou a cabeça, e eu percebi que ele estava se segurando pra caralho pra não ir pra cima dela. - Olha aí o teu estado, fedendo a bebida e a droga, e ainda quer ver o moleque? Se liga Naysa, por tua culpa ele poderia tá com alguma parada pior no hospital. Deixou o menino e foi sei lá pra onde, sem avisar porra nenhuma.
Naysa: Eu fui me divertir, igual você faz todas as noites com essas piranhas daqui. - continuou gritando.
Neguinho: Tá metendo essa parada no meio por que? Eu saio, mas não deixo meu filho com qualquer um que nem conheço direito, ainda mais com dor.
Olhei para o William dentro do carro, e ele chorava olhando a mãe e o pai brigando ali, quase se matando.
Assobiei para o Neguinho, e demorou uma cota até ele finalmente olhar pra mim.
Naysa: Você não consegue ficar na tua não, garota? - me olhou com a pior cara do mundo, e eu olhei pra ela de cima a baixo.
Rafaelly: Vou render pra tu não, Naysa. Meu papo nem é contigo, cara. Menos!
Ignorei ela, que ficou resmungando, e só fiz um sinal para o Neguinho, apontando para o William, que entendeu na hora, pois já foi pegando o rádio do bolso e foi chamando alguns caras.
Naysa tentou correr, mas Wellington ficou segurando a maluca até os meninos aparecerem, pra levarem ela lá pra cima.
Ela saiu gritando, chamando mais a atenção do povo que olhava tudo ali. Neguinho suspirou alto, passando a mão no rosto e ficou um tempo parado aonde estava, olhando fixamente para o chão.
Eu entrei dentro do carro, pedindo para o neném ficar calmo, e chamei ele para passar para frente, sentando em meu colo.
Menino estava todo desperado, chorando e perguntando o que ia acontecer com a mãe dele, e sinceramente não sabia o que responder.
Sabia que a cobrança dela lá em cima, ia ser pesada, que ela só saia de lá toda fudida sem cabelo, ou morta mesmo.
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Lance Proibido
RomansA Razão nos contém dos nossos desejos proibidos... A vontade se cala, mas não se acaba... Hoje a emoção é amiga da Razão. Mas se a vontade falar mais alto e a emoção trair a razão... Amanhã vai sair na primeira edição, um crime de paixão...
