**Capítulo 23**

23.4K 2K 511
                                        

+ 300 votos.
+ 170 comentários.

Maratona 05/10

• Rafaelly •

Acho que a melhor coisa que você sente, é quando você vê que aquilo que você quer tanto pra sua vida, finalmente já estava começando a dar certo.

Não digo pela montagem do salão, porque isso ainda não iniciei, e sim pelo meu trabalho que a cada dia que passa, fica cada vez melhor.

Já consigo fazer maquiagens, que eu nunca me imaginei fazendo. Até maquiagem artística já peguei a prática.

E ver que a cada dia que passa, fico melhor nisso, me dá uma sensação boa pra caralho.

Pela professora do curso que faço, estou sendo a melhor daquela turma até agora, e cara, na moral, saber disso só me enche mais a vontade de seguir esse caminho que escolhi pra mim.

Não vejo a hora de montar meu salão, e começar a construir minhas coisas sem a ajuda de ninguém.

Imagina eu, com 23 anos daqui uns tempos, já bem de vida, e dando uma vida do caralho para aqueles que não saíram do meu lado nunca. É tudo o que eu mais quero, serinho.

Jenifer: Vou te deixar aqui na entrada, ok? - me olhou, e eu balancei a cabeça.

Rafaelly: Tá tudo bem, e obrigada. - dei um sorriso pra ela, e sai do carro, na frente de uma das entradas da favela.

Ela se foi buzinando pra mim, e eu ajeitei minha bolsa no ombro e comecei a subir aquela favela.

Acho que era melhor eu ter pedido para o Neguinho me buscar mesmo, assim ele me deixava na porta de casa.

Não estou reclamando dessa carona que a menina me deu, nunca! Só que eu odeio subir esse morro, ainda mais de noite.

Ficava atenta a cada barulhinho estranho que eu ouvia ali, já que as ruas, becos e vielas estavam quase vazios.

Nem era tão tarde assim, mas dia de semana essas horas o povo já está tudo em suas casas. Só os  desocupados ficam nos bares bebendo e jogando sinuca a noite toda.

Subi correndo a viela até a rua aonde ficava minha casa, e já vi o carro do Rogério na frente de casa.

Bufei de raiva, e fui caminhando devagar até lá. Assim que entrei, vi ele deitado todo largado no sofá, e minha mãe mexendo em algumas coisa na televisão.

Eu nem disse nada, apenas dei um beijo na bochecha da minha mãe, passando direto para o meu quarto.

Tomei meu banho quentinho, e fui assistir alguma série no celular mesmo, pra me destrair.

Assisti Ginny e Georgia, e sai daquela porra com um ranço enorme da Ginny. Menina chatona, mané. Parece até eu, nossa.

Deixei meu celular carregando, e sai do quarto, indo para a cozinha comer algo, mas no meio do caminho já ouvi minha mãe falando com aquele estranho sobre ele dormir aqui.

E na real, não queira ficar mais aqui não. Já disse que não me sinto bem com ele aqui dentro de casa, e sempre quando ele vem pra cá, pra dormir, eu saio pra dormir no Fábio.

E com isso, desde ir pra cozinha, voltei para o meu quarto, e fui tentar mandar mensagem para o Fábio, chamando ele pra dar uma volta, mas lá já estava uma mensagem dele, falando que iria pra casa de um boy essa noite.

Suspirei alto, me jogando na cama, e fiquei pensando se chamava o outro lá, ou não. Sabia que ele iria querer trocar uma ideia do que aconteceu, mas eu preferia encarar essa conversa, do que ficar aqui nessa casa, com aquele homem dentro.

Mensagens.

Rafaelly: Wellington, tá acordado? ( 23h46 )

Negão ✋🏿❤️: Tô pô.
Por quê? ( 23h51 )

Rafaelly: Deixa eu dormir aí hoje? Por favor.
Rogério tá aqui, e tu sabe que não suporto ficar com ele aqui, Neguinho. ( 23h51 )

Negão✋🏿❤️: Caralho Rafaelly, pode né, garota.
Calma aí que eu vou te buscar. ( 23h51 )

Rafaelly: Vem de a pé porque antes de ir pra sua casa, quero caminhar um pouco pela favela. ( 23h52 )

Mensagens.

Suspirei aliviada pra caralho por apenas ele deixar eu dormir lá hoje. E com isso, só peguei minha mochila, tirando as coisas que tinha dentro, e já fui arrumando minhas coisas para eu dormir lá, e amanhã cedo já ir direto para o trabalho.

Lance ProibidoOnde histórias criam vida. Descubra agora