**Capítulo 25**

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Maratona 07/10

Olhei para o céu, e por mais que estivesse um vento gelado do caralho, a noite estava linda. Conseguia ver diversas estrelas, e a lua minguante lá em cima.

Eu simplesmente amo ficar olhando para o céu assim de noite. Me dá uma paz enorme, e com a atenção nas estrelas, acabo esquecendo tudo de ruim que acontece ao meu redor.

Neguinho: A gente pode trocar uma ideia agora, pô? - perguntou, e eu baixei meu olhar nele.

Que merda! Não queria tocar nesse assunto não, pelo menos não agora, mas já vi que dessa noite não passa.

Rafaelly: Quer mesmo falar disso, Wellington? Sei lá cara, a gente pode esquecer e fingir que nada aconteceu. - suspirei baixo, fechando a garrafa de Coca.

Neguinho: Não tem como fazer isso, Rafaelly. Pelo menos eu não consigo. - fez uma careta, se balançando devagar pra frente e pra trás naquele balanço, fazendo um pequeno barulho irritante das correntes que prendiam o banco.

Rafaelly: O que rolou lá foi que do nada você ficou doido e me beijou. Só isso!

Neguinho: Não foi do nada, e acho que você sabe disso!

Rafaelly: As vezes eu sou lerda, Neguinho, então eu não sei de nada. - eu disse, apertando um pouco meus dedos. - Mas, por que você me beijou, Wellington?

Neguinho: Não sei, Rafaelly, não sei. Eu só te quis e... ainda quero, pô!

Aquilo me pegou de surpresa, e fiquei até sem saber o que falar ali depois daquilo. Engoli em seco, e fui sentindo minha respiração acelerar de um jeito descontrolado.

Neguinho: Te quero, e acho que naquele dia isso ficou bem claro, e se tu não percebeu, é lerda mesmo.

Rafaelly: Não é que eu sou lerda, é que eu achava que você me via como uma irmã mais nova, e não na maldade...

Neguinho: Antes eu não tinha maldade contigo, Rafa. Sério mesmo. Só que sei lá, porra. - passou a mão no rosto, e vi que ele estava nervoso já. - Acho que de tanto as minas ficarem no meu ouvido, falando que tenho um rolo contigo, me deu vontade de realmente ter esse rolo.

Rafaelly: Tu tem noção da merda que nós pode entrar se a gente tiver esse rolo? Neguinho, tu tem idade pra ser meu pai. Vão julgar a gente pra caralho!

Neguinho: Você não tem noção da merda que eu posso entrar se souberem que eu pelo menos te beijei. - falou baixo, e eu olhei ele confusa.

Rafaelly: Como assim? - cruzei os braços, e ele negou com a cabeça.

Ih... ai tem coisa!

Rafaelly: Já que vai dar merda pra ti, por que quer ter algum rolo comigo, Wellington? Tô te entendendo não, em.

Neguinho: Porque eu quero tu, já disse, cara. - falou baixo, soltando um suspiro. - Sei que é um pecado do caralho, mas eu quero ficar contigo outra vez, e tu sabe que não é só no beijo, tu sabe.

Rafaelly: Eu sei, Neguinho. Só que é meio estranho pra mim.

Neguinho: Eu não estou, e nem vou te obrigar a nada não, mané. Relaxa! Não quer? Tá de boa, pô, nós continua como antes, e já era.

Balancei minha cabeça, e eu nem disse mais nada ali. Ficamos os dois em silêncio naquele balanço, eu olhando para as estrelas e pensando em altas paradas, e ele moscando olhando para o chão.

Não sabia o que eu queria não, papo sério. Ao mesmo tempo que meu corpo queria ele, minha cabeça gritava falando 'não', com medo do julgamento dos outros se souberem dessa merda.

A opinião dos outros nunca me afetou em nada, e nunca me fez desistir de algo que eu queria, mas com essa questão era totalmente diferente.

Tinha na minha cabeça que um simples beijo entre eu e ele, seríamos alvo de diversos julgamentos, então por medo do que os outros iriam achar se soubessem de algo, eu falei pra mim mesma, que isso não daria certo.

Rafaelly: Tem como a gente já ir pra sua casa? Tô cansada e amanhã cedo tenho que ir trabalhar.

Wellington não disse nada, apenas se levantou e foi caminhando na frente. Peguei as sacolas do lanche, jogando no lixinho, e fui levando a garrafa de Coca na mão.

Rafaelly: Aí Wellington, por favor...- segurei no braço dele. - Me promete que as coisas entre a gente vai ficar de boa, como era antes.

Neguinho: Prometo que vai ficar de boa, só não sei se vai ser como era antes não, Rafa. O bagulho mudou, e tu sabe disso.

Mordi meu lábio inferior, já ficando nervosa, e ele suspirou alto, largando minha mão do braço dele.

Neguinho: Vamo pra casa logo, porque já deve ter fofoqueiro falando da gente aqui na rua a essas horas.

Eu nem disse mais nada, só fui indo com ele até sua casa. Estava tudo escuro lá dentro, só a televisão ligada, e o William dormindo deitado no colchão lá na sala.

Neguinho: Aí, pode dormir lá na minha cama, que eu vou dormir com o William aqui.

Rafaelly: Ih Negão, pode parar em. Deixa que eu durmo aqui, tem problema não. - falei, deixando minha mochila no canto da sala. - Dormir de conchinha com meu neném.

Neguinho me olhou na hora, e ficou me olhando por um tempo com uma cara super estranha, mas logo deu uma risada baixa, negando com a cabeça.

Ala.

Rafaelly: Que foi?

Neguinho: Nada, pô.

Fiz uma careta pra ele, e tirei meu moletom, ficando apenas de legging e um top ali na sala. Neguinho desligou a televisão, e foi para a cozinha, pegar não sei o que lá.

Eu me deitei ao lado do William no colchão, pegando um pouco do cobertor dele.

Rafaelly: Boa noite em, Negão. - mandei um beijo pra ele, assim que ele saiu da cozinha.

Wellington só fez um sinal de joinha pra mim, e foi para o seu quarto. Suspirei alto, fazendo um bico, e fiquei pensando no que a gente tinha conversado lá no parquinho.

Uma parte de mim queria ficar com o negão outra vez, queria sentir outra vez o desejo louco que senti naquela madrugada, quando ele apenas me beijou, mas a outra parte... não queria ficar com o Wellington, por medo e insegurança da opinião dos outros.

Sei que se a gente fosse se envolver, seria algumas ficadas no sigilo mesmo, e já era. Mas, e o medo de descobrirem algo e vierem julgar nós dois?

Não quero isso! E imagino que ele também não queira. Então pra mim, é melhor continuar como estava antes, apenas uma amizade estranha.

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