01/03
Eu apertava meus dedos, enquanto fitava o painel do carro a minha frente.
Wellington estava ao meu lado, encostado no banco, enquanto balançava o volante para lá e para cá.
Estávamos parado na rua da minha casa, porém algumas casas antes da minha. Já era madrugada e depois de ver o Pedro, finalmente paramos para conversar.
No entanto, nenhum de nós dois dissemos sequer um 'a'.
Eu não fazia a mínima ideia do que dizer, até porque não tinha a intenção de ter essa conversa tão cedo. Quem me chamou pra trocar ideia foi ele, então o certo era ele começar a falar logo.
Rafaelly: Wellin...
Neguinhi: Eu sei lá... Sinto a sua falta..- franziu a testa, ainda encarando o volante.
Meu coração na hora pareceu parar dentro do meu peito. Dois segundos depois, acelerou de uma forma que cheguei a me questionar se ele não estava ouvindo essa porra bater.
A palavras sumiram de minha boca, e com isso o silêncio reinou mais uma vez entre a gente.
Até que finalmente resolvi falar:
Rafaelly: Olha só, sinto muito em te lembrar... - Não, não sinto nada. - Que quem terminou tudo aqui foi você, então não adianta você vir cheio de graça agora dizendo que sente a minha falta. Sinceramente...
Neguinho: Eu lembro muito bem que foi eu quem terminou tudo, Rafaelly. - ele bufou. - Mas caralho... eu me arrependi, tá ligada?
Rafaelly: Tô não. - respondi seca, e ele me encarou serinho.
Neguinho: Eu tô falando sério porra. Aquele dia eu tava de cabeça quente, tinha acabado de levar uma surra. Falei aquelas paradas toda sem pensar.
Eu continuei ouvindo, sem dizer uma palavra sequer.
Neguinho: De verdade, Rafaelly. Vem dizer que não sente falta do que nós tinha?
Desviei o olhar dele para o chão e respondi que não, que eu não sentia falta alguma.
Porém, era a mais pura mentira que já havia saído de minha boa.
Neguinho: Tá, mas agora responde olhando aqui pra mim. - pediu e eu neguei com a cabeça. - Olha aqui, porra.
Ele segurou meu queixo – sem machucar, e me fez encarar seus olhos. Soltei minha respiração lentamente, engolindo em seco logo em seguida.
Eu queria gritar pra ele dizendo que estava morrendo de saudade de sua boca e de seu corpo. Que todo santo dia sentia saudades dele me olhando daquele jeito que só ele me olha, com desejo, luxúria e vários outros sentimentos misturados.
Mas eu fiquei em silêncio, enquanto encarava ele sem expressão alguma no rosto.
Meu orgulho estava tão grande, que eu não podia simplesmente me jogar em seus braços dizendo tudo o que eu realmente sinto por ele.
Que estou completamente apaixonada nessa negão gostoso, que tira meu fôlego com um simples e bobo olhar.
Wellington continuou revezando o olhar entre minha boca e meus olhos, esperando minha resposta. Mas ela não veio, então ele soltou meu rosto, se ajeitando no banco.
Rafaelly: Você pode morrer se ficar comigo, Wellington. Te bateram como um aviso, mas na próxima vez que descobrirem... vão te matar.
Fechei meus olhos lembrando de tudo o que ele tinha falado sobre aquela merda toda que o Rafael obrigou ele a assinar.
Eu juro que se o Rafael tivesse vivo, eu mataria ele de tanta raiva que sinto só de lembrar desta merda toda.
Neguinho: Rafaelly, eu tô pouco me fodendo se souberem dessa merda toda, na moral...
Rafaelly: Porque não é você que vai sofrer com a sua morte. Não é você que vai crescer sem pai, ou...
Deixei a frase morrer. Engoli em seco, balançando minha cabeça negativamente.
Rafaelly: Você não pode colocar sua vida em risco por mim desse jeito, Wellington. Não pode.
Neguinho: Foge comigo então.
Rafaelly: O quê? - quase gritei. Meus olhos se arregalaram, e o ar fugiu de mim. - Tá maluco, Wellington?
Neguinho: Não Rafaelly. Tô pedindo essa parada de verdade. - olhou pra mim. - Vamo embora daqui. Eu, você, o William e tua mãe. Longe dessa porra nós ia viver bem e feliz, caralho.
Fiquei sem saber o que dizer naquele momento. Estava em choque e tentando processar o que ele estava me pedindo. Que loucura.
Rafaelly: Você acha que é fácil assim, Wellington? Só fugir e já era? Vamo viver aonde? Do quê? - dei uma risada falsa. - Você só pode estar maluco.
Ele ficou em silêncio.
Rafaelly: E você quer que eu largue tudo aqui pra ir embora com você? Acha que é fácil?
Ele ficou outra vez em silêncio.
Rafaelly: Eu cresci aqui. Tenho tudo minhas coisas aqui. Nem terminei meu curso ainda e pretendo começar com meu salão aqui. Wellington, pra mim não dá...
Neguinho: Eu entendo, pô. De verdade mesmo. - suspirou, com o olhar cravado na janela. - Não vou te obrigar a largar tudo por mim.
Ele balançou a cabeça ainda sem me olhar. Por um momento achei que seus olhos chegaram a marejar, mas devia estar enganada.
Ele esfregou o rosto, fungando logo em seguida. E assim que ele olhou pra mim, vi seu rosto vermelho. Ele estava quase chorando. Quando percebi isso, eu faltei chorar ali também. Mas aguentei firme.
Neguinho: Passa a última noite comigo. - pediu baixinho. - Depois eu não vou mais interferir na sua vida ou encher teu saco. Eu prometo.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Lance Proibido
RomantikA Razão nos contém dos nossos desejos proibidos... A vontade se cala, mas não se acaba... Hoje a emoção é amiga da Razão. Mas se a vontade falar mais alto e a emoção trair a razão... Amanhã vai sair na primeira edição, um crime de paixão...
