• Magrão •
Aí, na moral, era mó paz que eu tava sentindo, tá ligado? Depois de tantos anos, conseguir apenas alguns dias fora daquela porra de cadeia, era um bagulho bom pra caralho, mané.
A sensação de um pouco só de liberdade me dava a vontade de nunca mais voltar para aquela porra que chamavam de presídio. Mas, não queria viver fugindo outra vez, queria pagar tudo e depois poder viver em paz aqui fora.
Tinha que me aguentar, era só mais dois anos atrás daqueles muros e finalmente poderia ter minha liberdade de uma vez.
Meu advogado conseguiu que tirassem 6 anos da minha pena, por bom comportamento e pelos trabalhos que faço dentro da cadeia, ajudando em várias paradas lá.
E com isso, daqui dois anos, já estou na rua novamente pra curtir pra caralho, mané. Que isso...!
Não vejo a hora, pô.
Mas uma parte de mim nem queria sair de lá, tá ligado? Porque eu sabia que quando saísse de uma vez de lá, não teria ninguém por mim aqui fora. Não teria ela!
Ainda sentia uma falta da porra daquela menina, que simplesmente era tudo na minha vida, tudo o que eu tinha, mas que acabou indo embora daqui desse mundão, me deixando sozinho nessa parada.
Dava até um desânimo! Mas tinha que seguir em frente, mesmo sabendo que jamais vou conseguir superar tudo o que a gente viveu juntos, tanto aqui fora, quanto dentro da cadeia que eu estava.
Tentava de tudo pensar só no melhor, mas era foda, não conseguia muito não.
Neguinho: Aí irmão, tu tá por qual cadeia? Procurei saber de tu, mas não consegui achar nada depois daquele massacre lá, pô. - cruzou os braços, sentando no sofá que tinha ali na sala da casa dele.
Magrão: Depois daquela parada toda, me trasnferiram para uma cadeia na zona sul de São Paulo. Quatro anos naquela porra, e nem o nome daquele inferno eu sei direito. - fiz uma careta, e peguei um papel que meu advogado tinha deixado comigo.
Entreguei para o Neguinho, e ele leu rápidão lá, vendo o nome da cadeia que eu estava. Tinha nem paciência pra ler aquela merda, porque ficava puto por lembrar que logo mais teria que voltar pra lá.
Neguinho: Caralho, tu tá lá em Parelheiros, na ASP Joaguin Fonseca. - me olhou, e eu balancei a cabeça.
Magrão: Não peguei contato contigo ou com algum dos caras, porque conseguir celular naquela porra lá é complicado.
Ficamos trocando maior ideia sobre essa cadeia e de quando eu finalmente teria a minha liberdade. Rafaelly não falava nada, só ficava mexendo no celular, ou me olhando as vezes.
Chegou um menino lá, já gritando chamando o Neguinho. Pulou no colo do cara, e já vi que era o filho dele. Fiquei só olhando, até que ele veio falar comigo, fazendo um toque.
Menino nem ficou muito tempo ali, pois a Rafaelly já foi chamando ele pra dar uma volta por um parquinho.
E assim que os dois saíram, Neguinho já levantou indo correndo até o quarto dele, fazer não sei o que lá.
Mas logo uma mulher loira saiu dando risada, com ele mais atrás. Ela me olhou de cima a baixo, e eu desviei o olhar para o chão, me fazendo de doido.
Neguinho: Tu vai ter que ir, meu filho daqui a pouco aparece, e não é bom ele te ver aqui não. Depois te ligo, pô. - só ouvi o barulho dos dois se beijando, e fiz uma careta.
Continuei lá, me pagando de doido até finalmente a mina sair dali, fechando a porta.
Magrão: Tua namorada?
Neguinho: Uma mina aí que tô me envolvendo. - suspirou, vindo sentar no sofá ao meu lado outra vez. - Agora o papo é sério. Sinistro te falou daquela parada lá, né?
Balancei a minha cabeça, e ele começou a me explicar direito a parada toda, que o Sinistro só tinha passado por cima. Prestava a atenção em cada detalhe que ele falava, porque eu sabia que aquela parada ali, ia render demais pra mim enquanto estivesse preso lá dentro.
Só progresso, pô. Que isso...!
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Lance Proibido
Roman d'amourA Razão nos contém dos nossos desejos proibidos... A vontade se cala, mas não se acaba... Hoje a emoção é amiga da Razão. Mas se a vontade falar mais alto e a emoção trair a razão... Amanhã vai sair na primeira edição, um crime de paixão...
