Meu coração batia forte, enquanto eu subia a favela, com o celular em minha mão.
Olhava bem para aquelas mensagens que um tal de Bernardo tinha me mandado, através daquele site que me cadastrei, pra quem sabe me tornar uma sugar baby.
O cara me pedia para entrar em ligação com ele, dizendo que era apenas para nós dois se conhecermos melhor.
E na real? Não fiz questão de responder ele na hora, com uma dúvida imensa dentro de mim.
Tinha voltado a entrar nesse site, com a intenção de arranjar um cara bem rico, para conseguir de alguma forma o dinheiro para pagar a fiança do Magrão.
Sabia que iria talvez até ter que vender meu corpo, mas sinceramente... eu só queria o Magrão fora de lá.
Tanto ele, quanto o Neguinho e minha mãe vão ficar putos caso um dia souberem da onde vou conseguir esse dinheiro, mas isso não me importava muito, contando que o Magrão já estivesse longe daquele inferno.
Estava indo atrás disso que nem uma louca, porque eu sentia um medo enorme de acontecer com o Magrão, a mesma coisa que aconteceu com o Sinistro alguns anos atrás.
Não sabia o que podia acontecer na hora seguinte lá dentro daquele presídio, então tinha que dar um jeito de tirar o André de lá o mais rápido que eu conseguisse.
Não podia perder ele também!
Por mais que ficamos juntos apenas alguns dias, acabei me apegando a ele de uma forma estranha, e se caso acontecesse algo ruim com aquele cara, meu mundo iria desmoronar mais uma vez.
E eu, de jeito algum, queria isso!
Não me importava se eu teria que fazer algo estranho pra conseguir o dinheiro, só me importava o fato que com isso, iria tirar ele de lá.
E esse Bernardo... estava conversando com ele à quase duas semanas, e falar aqui que o carinha era gente boa, legal, e até o momento estava me tratando super bem.
Ainda não tinha pedido algum dinheiro para ele, com um certo receio, mas quanto mais conversava com ele, mas ele dava na cara que me daria o valor que fosse, apenas para passar uma noite comigo.
Ele tinha 37 anos, e pelas fotos que eu via no perfil dele naquele site, o cara parecia bonito e até gostoso. Mas apenas fotos não garantem nada, só que mesmo assim...
Estava considerando ele!
Minhas pernas tremeram assim que comecei a subir aquele escadão, já com a respiração acelerada e ofegante pra caralho.
O sol praticamente torrava minha pele de tão forte que tava, fazendo o suor escorrer por minha testa.
- Aí Rafa.
Assim que ouvi a voz dele, fiz uma careta, seguindo meu caminho, sem nem se quer olhar pra trás.
Mas logo senti a presença dele ao meu lado, com um sorriso bobo no rosto.
Pedro: Ih doidona, tá bem, pô? Maior tempo que não te vejo...
Me virei para ele, olhando o mesmo de cima a baixo, e apenas neguei com a cabeça, sem fazer questão de responder.
Pedro: Que foi em? Esse teu olhar aí...
Rafaelly: Me enche o saco não, garoto. Sai daqui! - cruzei os braços. - Cadê o Fábio, em? Vai atrás dele...
Pedro: An? - ele franziu a testa, confuso. - O que tem haver o Fábio?
Rafaelly: Sonso!
Joguei meus cabelos, andando mais rápido, mas ele correu até mim, segurado meu braço sem apertar.
Pedro: Tá estranha assim, por quê? Fiz nada!
Rafaelly: Claro que não fez nada, só não me contou que ficou diversas vezes com o Fábio, euem. Ridículo!
Na mesma hora que aquelas palavras saíram de minha boca, Pedro arregalou os olhos, se engasgando com a própria saliva.
Pedro: O... o quê? Eu...- apontou para si mesmo. - Eu e o Fábio? Rafaelly? Qual foi, minha cria? Tá maluca?
Soltei meus braços na lateral do meu corpo, nem entendendo aquele cara. Ala.
Pedro: Fábio é ficante de um parceiro meu, sou talarico não, euem. E outra, respeito demais o Fábio, mas na real? Gosto da fruta que ele gosta não, e tu devia saber.
Rafaelly: Para Pedro, paro. Fábio me contou tudo o que rolou entre vocês, tudo o que estava rolando pelas minhas costas. Mas quer saber? Eu realmente não estou nem aí...
Pedro colocou a mão por cima da boca, segurando uma gargalhada, e eu apenas fiz uma careta para ele.
Pedro: Calma... calma que eu não tô entendendo essa parada não... - fechou os olhos, apertando o lábios, segurando a risada até o último. - Na boa, qual foi a do Fábio de inventar isso? Caralho...
Inventar? Como assim?
Franzi a testa, coçando a nuca e falei para ele tudo o que o Fábio tinha me falado naquela noite...
Pedro ficou chocado a cada palavra que saia de minha boca, sem entender nada, assim como eu.
E além de desmentir tudo o que o outro disse, ainda me mostrou provas de que estava com outras garotas nos dias em que o Fábio jogou na minha cara que tinha ficado com o Pedro.
E no final, acabei acreditando no Pedro, nas provas que ele me mostrava, afirmando ao contrário de tudo o que o Fábio tinha me falado.
Agora, a pergunta que não saia da minha cabeça era: Por que o Fábio foi inventar tudo aquilo? Mesmo sabendo que no final poderia dar tudo errado para o lado dele, como deu.
Pedro: Não sei porque ele inventou isso, mas... que o cara mentiu, ele mentiu. - cruzou os braços, e eu me sentei em um dos degraus do escadão.
Em choque eu estava!
Sem entender nada daquilo tudo.
Fábio disse aquilo tudo atoa? Me bateu atoa? Foi espancado depois atoa?
A troco de quê, afinal?
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Lance Proibido
Roman d'amourA Razão nos contém dos nossos desejos proibidos... A vontade se cala, mas não se acaba... Hoje a emoção é amiga da Razão. Mas se a vontade falar mais alto e a emoção trair a razão... Amanhã vai sair na primeira edição, um crime de paixão...
