**Capítulo 79**

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Deixar tudo para trás depois de passar anos correndo atrás dos meus sonhos, e só agora realizá-los, era difícil demais para mim. Saber que sequer inaugurei direito meu salão, e que agora já estava indo embora na intenção de talvez não ter chances de voltar, acabava de uma maneira horrível comigo.

Ao juntar poucas coisas que eu queria levar, mandei uma mensagem para o Pedro, pedindo que ele tomasse conta do salão, pois era o único que eu confiava. Ele perguntou o porque, e eu apenas respondi que tiraria um tempo para mim, mas que logo mais eu estaria de volta.

O que possível era uma grande mentira.

Eu não voltaria tão cedo, e se o Sinistro não conseguisse pegar essa favela, eu vou ser obrigada a jogar todos os meus sonhos no lixo.

Sei que posso montar outros salões por qualquer lugar, mas aquele... Meu primeiro salao, é diferente. Uma coisa única. Difícil de explicar.

Mas saber que consegui construi-lo com força e determinação minha, me enchia de orgulho.

Mas agora, nada mais adiantava.

Ao sair da favela com o Sinistro do meu lado em um carro comum, sem dar muitas suspeitas de que tinha algo de errado, eu fiquei em silêncio por longos e longos minutos refletindo sobre diversas situações confusas que rondavam a minha cabeça.

Sinistro: Não fica chateada, Rafaelly. Se tu quiser monto outro salão pra você em uma semana. - ele quebrou o silêncio.

Rafaelly: Você não entende, Sinistro. - suspirei. - Era uma coisa que construí com meus suor, correndo atrás do que eu realmente queria. Sozinha.

Ok, eu tive ajuda do Wellington quando ele me pagava para tirar aquelas fotos sem noção dele. Mas a maior parte do dinheiro, era do meu trabalho.

Sinistro: Eu já disse que vou pegar aquela favela, e teu salão vai estar intacto. - disse com convicção.

Balancei minha cabeça.

Rafaelly: A mãe sempre soube de tudo, não é?

Ele fez uma careta.

Sinistro: Ficou sabendo alguns meses depois. - deu de ombros. - Wellington disse que ela estava entrando em depressão, e não queria causar bagulho ruim na vida dela.

Rafaelly: Se pensasse nisso não tinha forjado essa porra toda.

Sinistro: Eu tive que fazer isso, Rafaelly. - bufou, cruzando os braços. - Era uma parada muito maior, e que...

Rafaelly: Fala logo o que é, inferno.

Ele fechou a cara completamente, trincando a mandíbula.

Sinistro: Ih ala, garota. Fala direito nessa porra. - murmurou. - Caralho, eu com a ajuda do Wellington, do Magrão e de diversos outros caras na cadeia consegui montar minha própria facção.

Eu fiz uma careta, dando uma risada baixa.

Rafaelly: Magrão sempre soube de tudo?

Sinistro: André sabe do comando, não que eu estou vivo. E tem que continuar assim.

Não respondi e nem confirmei nada.

Sinistro: Eu não tava satisfeito com algumas paradas que a CDL tava fazendo. Uns bagulhos sem necessidade, e eu sabia que não tinha como eu sair da facção sem ser morto. E como a polícia estava na minha cola, e eu sabendo que minha hora estava realmente chegando lá dentro do presedio, e que os caras do comando estava de tiração com a minha cara, a única maneira de escoar de tudo e construir minha facção totalmente, eu forjei minha morte. Simples, porra. - negou com a cabeça, como se aquelas informações fosse as coisas mais normais do mundo.

Como se forjar a própria morte fosse algo natural.

Sinistro: Comando Primitivo da Capital, o CPC. Com aquela grana toda que o Neguinho roubou nesses anos consegui fundar de vez a parada toda junto com os caras. E hoje, a gente comanda algumas favelas daqui de São Paulo, do Rio de Janeiro e de BH. Todos sem saberem quem realmente está no controle.

Eu continuei sem dizer nada, até porque ainda processava tudo.

Mal tinha conseguido acreditar que Rafael estava realmente vivo, na minha frente, dizendo as coisas comia e fosse tudo natural demais, normal demais.

E não era nada disso.

Ao pensar que minha mãe e o Wellington esconderam de mim que Rafael estava vivo, uma raiva se apossava do meu corpo de uma maneira surreal. Mas já havia passado tudo, e agora o desgraçado estava na minha frente.

Ao chegarmos na Tiradentes, e fomos direto para um galpão pequeno, que parecia estar abandonado há anos.

Sai do carro e fui andando ao lado do Sinistro até lá. Entramos, e assim que vi minha mãe rindo com a mulher de cabelos loiros e com as mesmas características de antes, meu corpo gelou na entrada.

Puta merda...

Jade. Era a... Jade.

E na hora em que ela se virou para mim, e sorriu largamente, minha cabeça voltou a ficar a milhão.

Ela também tinha forjado sua própria morte ao lado do Sinistro, e agora provavelmente comandava tudo ao lado dele.

Rafaelly: Eu...

Ela não me deixou dizer mais nada, simplesmente pulou em cima de mim, me envolvendo em seus braços em um abraço apertado. Encostei minha cabeça em seu ombro, sentindo meu coração pulsar de... Felicidade.

Jade: Você não tem noção do tamanho da saudade que eu estava de você, Rafa. - ela murmurou, me apertando mais em seu abraço.

Rafaelly: Não consigo acreditar nisso. Não consigo. - sussurrei, em estado de choque.

Jade deu risada, se afastando de mim.

Jade: É uma longa, linha história. - fez um bico. - Enfim, parabéns pelo salão, e sinto muito por você ter que largar tudo. De verdade.

Rafaelly: Tá tudo bem. Eu acho. - ri sem humor. - O importante mesmo é que você e o Sinistro estão vivos, e bem...

- Dinda! - escutei alguém gritar, e assim que reconheci a voz, meu corpo gelou e minha mente parou completamente naquele momento.

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Quero agradecer as 800 mil leituras nesse livro. Muito obrigada mesmo❣️
Mas enfim, também quero agradecer a cada um que está me seguindo lá no insta (criisdonzel_), sério, vcs são fodaaaa.
E ó, falta muito ainda, e por isso mesmo vou dizer aqui, que assim que eu bater 2k se seguidores no insta, eu vou divulgar o nome do meu próximo projeto, que é o de romance de verão, e quem sabe, queeem sabeee eu poste as notas e o prólogo antecipadamente aqui pra vcs.
Mas enfim, isso apenas quando eu bater 2k no meu insta literário.
Então, se quiserem, me sigam por lá.

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