**Capítulo 83**

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Maratona 03/04

Jade: Como que do nada essa porra sumiu? — Jade perguntou, de braços cruzados.

Sua cara estava com uma expressão tão séria, que eu cheguei a sentir um pouco de... Medo de sequer falar com ela.

Com a total certeza ela não era a mesma Jade de antes. Tinha amadurecido, e por viver no meio do crime, acabou que deixou a maldade crescer junto com ela.

Sinistro: Eu não sei. Eu não sei. — murmurou Sinistro, passando a mão fortemente pelo rosto. — Ele estava no lugar de sempre. Fui lá conferir como sempre faço, e não tava lá. Procurei em tudo quanto é canto. Perguntei para os caras quem tinha entrado lá, cheguei as câmeras e nada. Nada.

Neguinho: Foi alguém do nosso lado, que na verdade estava de tróia pra cima da gente. Sabia onde estava, e da segurança toda que tinha aquele lugar.

Sinistro: Isso está na cara. Mas, quem foi o filho da puta? Não tem como saber.

Neguinho: E eles com aquele diário, não tem como a gente subir a favela.

Eu arregalei meus olhos.

Rafaelly: O quê? Como... como assim? Por que não?

O olhar dos três veio até mim. Jade coçou a nuca, Neguinho franziu a testa e Sinistro balançou a cabeça, me deixando mais nervosa do que eu já estava.

Eles não me responderam, ao contrário, os três ficaram olhando para mim, estáticos, como se... como se estivessem tendo a mesma ideia.

Eu continuei na onda estava, ainda querendo saber o que diabos tinha naquele diário para ser tão importante ao ponto de sem ele não poderem subir a favela. Sabia que tinha muita merda lá dentro, mas não sabia que era tanto assim, impossibilitando eles de concluir o plano que tinham.

Neguinho: Não. — murmurou, com a voz firme. — Sinistro, não.

Eu franzi a testa.

Sinistro: Ah sim. — ele riu com seus próprios pensamentos. — Sinistro sim!

Jade: Rafael...

Sinistro: Vai ter que ser ela. Só a Rafaelly pode entrar naquela favela sem ser morta a metros de distância da entrada...

O quê?

Neguinho: Não. — bateu o pé, travando a mandíbula.

Jade: Infelizmente, é o único jeito, Wellington.

Sinistro: A Jade tá comigo. Dois contra um. — apontou. — Essa é a única maneira, porque ele não vai matar ela.

Rafaelly: Ele quem? Sinistro, você quer que eu entre na favela que eu acabei de fugir e o quê? Seja morta no primeiro instante? Vai se foder.

Sinistro: Minha querida, Rafa. — ele se aproximou, fingindo doçura. — Você não vai morrer. Disso você pode ter certeza.

Neguinho: Pode ter certeza como? O cara cagou pra ela por vinte e poucos anos. Acha mesmo que vai ter sentimento que impessa ele de mata-la?

Eu prendi minha respiração.

Sinistro: Sim, eu acho. — suspirou, mantendo o olhar em mim. — Rafa, você é a nossa única chancs de conseguir pelo menos 50% de chance nessa guerra toda. Só você.

Eu engoli em seco, cruzando os braços.

Todos esses anos que vivi na Brasilândia rondaram por minha cabeça em um lento flash, mostrando cada momento importante e feliz que tive lá em cima. Tantas pessoas que eu adorava que moravam lá, e tudo o que passei até montar meu salão lá dentro.

Não tive tempo de sequer abrir o primeiro dia. E se essa guerra fosse perdida, eu duvidava muito que um dia pudesse abri-lo.

Então, com um medo espancando meu peito, eu disse:

Rafaelly: Ok. Eu ajudo vocês. Faço o que for pra conseguir tomar aquela favela de volta.

Sinistro sorriu, Jade coçou a garganta e Neguinho bufou, negando com a cabeça.

Sabia que ele tinha odiado a ideia, mas também sabia que ele não me impediria em nada do que eu quisesse fazer, se eu fizesse de bom grado.

Rafaelly: Agora começa a dizer o que tenho que fazer.

Então Sinistro começou a contar tudo, até os mínimos detalhes daquele plano maluco que já estava arquitetado a anos para caso de emergência. Mesmo eu tão longe sem saber que estava vivo, Sinistro já me metia em merda.

Eu escutava tudo com muita atenção, pedindo para ele repetir diversas para entender melhor e não esquecer, para tudo dar certo no final.

Não estava fazendo isso pelo Sinistro, pela facção, por coisas que envolvam esse meio, e sim por mim.

Porque eu queria voltar para o lugar onde eu cresci, vivi tantas coisas incríveis e horríveis da minha vida, onde eu quebrei a cara, onde fiz merda, onde eu amadureci e onde conquistei tudo minhas coisas na base do suor e da correria.

Precisava voltar para lá.

Sinistro: Rafa, parabéns, é hoje que você conhece seu querido papai.

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