Meu coração batia tão forte que parecia que ele estava tão perto de sair pela minha própria boca.
Engoli em seco, querendo virar para trás pra ver se era mesmo ele, mas o cara que me agarrava, me apertou mais.
Vi de canto de olho o Pedro se debatendo nos braços de dois caras. Conseguiu dar um soco em um, mas o outro socou ele também.
Me debati mais assim que o Pedro caiu no chão com o nariz sangrando.
- Pode soltar ela. Sei que ela não vai fugir ou gritar, se não... matamos seu amiguinho.
O cara me soltou, me dando um empurrão. Cai de quatro no chão, mas me levantei, ajeitando meus cabelos.
- Como cê tá, irmãzinha?
Virei-me encarando ele com uma raiva imensa. Querendo pular em seu pescoço, mas eu sorri.
Rafaelly: Pensei que estava morto também, Ronaldo...- suspirei, e ele fez uma careta.
Ronaldo: Estava por aí fazendo meu corre. - deu de ombros. - E a velha como tá?
Rafaelly: Vivendo com um desprezo enorme de você.
Ronaldo sorriu satisfeito, mexendo na pistola em sua cintura.
Ronaldo era meu irmão mais velho, o segundo filho da minha mãe, vindo logo depois do Sinistro.
Tinha sumido a anos com a mulher dele e meu sobrinho por aí, sem dar satisfação alguma.
Já bateu algumas vezes na minha mãe, e quem impediu dele fazer algo pior com ela, foi eu e o Neguinho.
Ele ia ser cobrado, mas acabou fugindo, deixando alguns rumores pela favela que ele tinha se juntado com facção inimiga.
E a anos eu se quer ouvia dele por aí. Tinha até esquecido dessa desgraça.
Rafaelly: O que você quer?
Ronaldo: Conseguir uma recompensa enorme por ti com nosso irmão. Ouvi falar que ele ainda faz de tudo pra deixar você e a velha bem lá na favela. Mas como sempre Rafael deixando vacilo por aí... - negou com a cabeça.
Rafaelly: Eu não sei se você sabe, Ronaldo, mas o Rafael... ele morreu vai fazer cinco anos já. - fiz uma careta.
Ronaldo: Isso é o que você pensa... É o que geral pensa.
Minha respiração falhou, e por pouco não cai de joelhos no chão de concreto com as minhas pernas bambas.
Era impossível!
Rafaelly: Você tá mentindo! - acusei, apontando o indicador em sua direção. - Mentiroso! Sujo!
Ronaldo: Acredita no que quiser, Rafa..- deu de ombros. - E ah, antes de pedir um dinheiro por você, quero que tu me passe a localização do diário do Rafael.
Rafaelly: An? Que diário? - franzi a testa, me fazendo de maluca.
Ronaldo bufou, e se aproximou de mim devagar. Dei alguns passos para trás, mas ele agarrou meu queixo com força.
Ronaldo: É melhor você colaborar princesa. Se não... vou enviar a tua cabeça e a do teu amigo lá pra casa da sua mãe.
E por instinto, eu cuspi na cara dele, logo recebendo um tapa forte em meu rosto.
Soltei uma risada alta com lágrimas nos olhos. Olhei seriamente pra ele, mas com um sorrisinho cínico no rosto.
Rafaelly: Se encostar mais um dedo em mim... eu mesma vou fazer questão de cozinhar seus pedaços em água fervendo depois de te esquartejar todinho...
Ele jogou a cabeça para trás soltando uma gargalhada exasperada, e apertou mais o meu queixo, com força o suficiente para deixar um hematoma.
Ronaldo: Você não mudou nadinha, piranha.
Rafaelly: Continua duvidando de mim... - olhei em seus olhos. - Que você vai se foder no final.
Ele apertou mais o meu queixo, mas soltou logo em seguida fazendo minha cabeça ser jogada para trás.
Ronaldo: Levem essa peste pro galpão. - deu as costas. - E jogue esse moleque em uma mata por aí depois de uma surra bem dada.
Rafaelly: Não toquem nele! - gritei, correndo na direção do Pedro.
Mas fui jogada no chão com força, fazendo minha cabeça bater com tudo no concreto, me deixando um pouco zonza.
Dois caras me pegaram pelo braço, me levando até um carro preto, com os vidros fumê.
Olhei para o Bernardo que tinha um enorme sorriso no rosto enquanto falava com Ronaldo.
Ele me olhou, e então piscou.
Mostrei o dedo do meio, e disse sem emitir som, mexendo os lábios que ele estava fudido.
O cara me ignorou, e antes que eu pudesse gritar xingando ele, os caras me enfiaram dentro do carro, e logo um outro homem entrou no banco do motorista, dando partida.
- Melhor se comportar aí atrás, delícia. - o cara me olhou por alguns instantes. - Se não posso me divertir um pouco contigo no caminho.
Meu corpo inteiro se arrepiou de medo, e eu me encolhi.
Queria chorar, queria gritar, e bater nesse cara de uma forma descontrolada, mas aqui eu ainda não podia fazer nada.
O cara era o dobro de mim, então eu não duraria muito.
Minha única opção naquele momento foi juntar as mãos e rezar baixinho, implorando pela minha vida, e a vida do Pedro.
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Lance Proibido
Storie d'amoreA Razão nos contém dos nossos desejos proibidos... A vontade se cala, mas não se acaba... Hoje a emoção é amiga da Razão. Mas se a vontade falar mais alto e a emoção trair a razão... Amanhã vai sair na primeira edição, um crime de paixão...
