Maratona 04/04
Meu corpo inteiro doía como jamais antes. Eu encolhida ao lado daquela caçamba grunhia baixinho por conta da cor que se alastrava pelo meu corpo todo dolorido.
Jade tinha pegado muito pesado.
Ela precisará me espancar para que todos vissem que realmente tinham me machucado e me enxotado da onde eles estavam. Enquanto ela me batia, vi seus olhos cheios de lágrimas, e diversos pedidos de desculpas saindo por sua boca a cada murro, a cada chute, e cada machucado que deixava em meu corpo.
Wellington não tinha ficado na salinha para ver, e eu tinha agradecido por isso. Não queria que me visse naquele estado, mesmo que eu tivesse aceitado ficar.
Sinistro também havia me pedido muitas desculpas, e antes de alguns caras me trazerem pra Brasilândia, havia confessado que me amava muito e que se caso desse merda, faria de tudo para me proteger.
Eu acreditei.
Minha mãe, nem sequer sabia dessa merda toda. Ela não teria aceito, e Sinistro teria concordado com ela uma hora ou outra. Então eu preferi não dizer nada, indo por vontade própria para aquele lugar.
Eu não sabia quanto tempo já estava Aki jogado no chão de concreto de uma das ruas próximas a entrada da favela. Já havia amanhecido e muitas pessoas passavam por ali, fingindo que não me viam.
Até que um dos olheiros passou por ali, arregalando os olhos ao me ver. Se ele tinha me reconhecido ou não, eu não sabia, mas me pegou no colo, me pedindo desculpas ao escutar meu gemido de dor.
Então ele subiu aquela favela comigo pesando em seu colo. Não trocou uma palavra comigo. Me deixou com um dos seguranças da boca principal e foi embora.
O segurança sabia quem eu era e já logo pediu para chamar um tal de Patrick.
Sinistro não havia dito quem era realmente meu pai. Disse que eu saberia aqui, e que minha cara era pra ser verdadeira quando eu descobrisse quem era, para assim acreditarem de uma vez que eu ainda não sabia de nada.
Eu estava nervosa com isso. Muito nervosa. Passei minha vida toda achando que meu pai tinha ido embora para longe, quando ele ainda estava andando pela favela, fingindo que não sabia da minha existência.
Desgraçado.
O segurança me levou até uma salinha, me jogando no chão, e amarrando uma corda em uma das minhas pernas, me prendendo em em uma pilastra de concreto.
Então saiu, me deixando sozinha novamente.
Encostei minha cabeça na parede, sentindo às lágrimas quente escorrem por meu rosto.
A cada mínimo movimento que eu fazia, meu corpo latejava de dor.
Mas coloquei em minha cabeça que no final, tudo valeria a pena.
Esses machucados logo iriam sarar, e a favela seria do meu irmão, onde eu poderia continuar levando minha vida como antigamente.
Fiquei presa em meus pensamentos por longos minutos, até que a porta se abriu de novo, entrando três caras. Dois deles eu conhecia, já que eram patente alta do comando. O terceiro, nunca tinha visto por aqui, mas deveria ser importante também.
Eu mal conseguia manter meus olhos abertos por conta do inchaço de ambos com os socos da Jade.
Turco: Que estado deplorável em menina. - riu. - Foi seu irmãozinho que fez isso?
Comecei a chorar mais, balançando minha cabeça.
Muito atriz da Globo, fala sério.
Turco se aproximou de mim, se agachando em minha frente. Consegui manter o olhar nele, até sentir seu tapa em meu rosto. Minha bochecha latejou, e meu corpo gritou de dor.
Turco: Você acha mesmo que a gente vai nessa, vadia do caralho? Nós não é burro não, porra. Se teu irmão acha isso, ele tá muito enganado.
Rafaelly: Sinistro... - tossi, e assim que vi sangue escorrer por minha boca, eu arregalei meus olhos. - Por favor, me ajudem.
Turco riu mais alto, negando com a cabeça. Os outros dois só sabiam olhar. O terceiro, que eu não sabia o nome, se aproximou, passando seu olhar por cada machucado meu, me avaliando.
- Sabia que uma hora ele colocaria o poder na frente da família. - murmurou, ainda completamente sério. - Mandar a própria irmã pra cá atrás do diário... Ele não sabe mais o que fazer.
Puta merda...
Rafaelly: Aquele maldito diário? Foi por conta daquela porra que ele me espancou. Acha que fui eu quem entregou a vocês. - eu disse, com a voz falha. - Acha que eu colocaria meus interesses pessoais a cima dele. Mas quem fez isso, foi ele...
- Quais são seus interesses pessoais?
Rafaelly: Viver longe desse mundo. Tocando meu salão em paz.
Ele estreitou seus olhos, balançando a cabeça.
- Como você quer que a gente acredite nisso? - apontou para mim. - Ah menina...
Rafaelly: Por favor, se acreditarem em mim, e me ajudarem posso dizer tudo o que sei. Por favor, só não deixem ele me encontrar. - eu propus, soluçando de tanto chorar.
Os três me observaram, calados, pensando na ideia. Eu fechei meus olhos por alguns instantes, rezando para que acreditassem em mim.
Por favor, por favor...
- Uma informação em troca de uma enfermeira. - disse o cara que eu ainda não sabia o nome. - E assim a gente vai levando até eu achar que posso confiar em você.
Eu balancei minha cabeça, abrindo a boca dizendo a primeira informação que Sinistro me mandou dizer: onde estava metade de sua mercadoria colombiana.
Eles iriam atrás, encontrariam a mercadoria no lugar exato onde eu disse. Pegariam, e ele viria pedir outra informação. Eu diria, lógico, e assim eu teria que levar até conseguir me curar desses ferimentos e ir atrás do diário.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Lance Proibido
RomansaA Razão nos contém dos nossos desejos proibidos... A vontade se cala, mas não se acaba... Hoje a emoção é amiga da Razão. Mas se a vontade falar mais alto e a emoção trair a razão... Amanhã vai sair na primeira edição, um crime de paixão...
