**Capítulo 9**

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O dia passou rapidinho, e quando vi, já era quase nove horas da noite, e o Fábio entrando ali em casa com a mochila dele nas costas.

Fábio: Ah não garota, tu não tomou teu banho ainda? Enrola demais, mané. - bufou, deixando a mochila do meu lado, no sofá.

Rafaelly: Fiquei o dia todo assistindo desenho, que nem vi as horas passando. - fiz careta, me alongando.

Fábio: Pois levanta, e vá pagar teu banho de sábado, se não só semana que vem, euem. Fedida!

Me levantei com ele praticamente me puxando dali do sofá. Fábio passou no quarto da minha mãe, dando um cheiro nela, enquanto eu fui tomar meu banho.

Nem lavei o cabelo, já que eu tinha lavado ontem, e lavar ele agora, pra depois secar e passar horas pranchando, daria um trabalho do caralho.

Antes mesmo de eu sair do banheiro, já ouvi o funk do lado de fora, e os gritos animados do Fábio.

Dei risada, negando com a cabeça, e me enrolei na toalha pra sair dali. Assim que abri a porta do banheiro, tomei maior susto com o Neguinho encostado na parede, falando com a minha mãe no corredor.

Rafaelly: Mas você não sai mais da minha casa? Euem, garoto. - fiz careta, medindo ele de cima a baixo.

Cara tava todo trajadinho, naqueles pique mesmo. Usava uma calça clara, e uma camiseta grande preta, e cheinho de ouro no pescoço, e o relógio brilhando no pulso. E como sempre, o boné preto na cabeça, escondendo um pouco o rosto dele.

Neguinho: E você não cansa de ser chata, criança? - me olhou de cima a baixo também, no puro deboche.

Ala.

Fiz um bico, e passei por ele com a minha cara de deboche também. Entrei no meu quarto, fechando a porta, e olhei pro Fábio, que rebolava na frente do espelho.

Rafaelly: Nossa, quem é essa delícia rebolando aqui no meu quarto? - mordi o lábio inferior. - Porra, gostosona, menor. Que isso...

Ele deu risada, e colocou seu cabelo invisível atrás da orelha, como se fosse tímida e estivesse com vergonha.

Tirei minha toalha e fui no meu guarda roupa, separar alguma coisa pra me vestir.

Não tinha vergonha alguma de ficar pelada na frente do Fábio. Já era normal pra mim, e me sinto mais confortável assim na frente dele, do que com a minha mãe.

Fábio: Põe aquele seu shorts jeans que deixa tua bunda enorme, com aquele bory de alcinha, aberto nas costas. - parou ao meu lado.

Rafaelly: Aí amiga, ele deixa a mostra as minhas cicatrizes. - fiz careta, e ele bufou.

Fábio: E o que é que tem? Isso não te deixa menos gostosa, ao contrário, deixa você mais sexy.

Respirei fundo, e peguei a roupa que ele disse. Ainda tinha as cicatrizes dos tiros que levei nas costas a uns anos atrás. No dia daquela confusão toda com o ex da Jade.

Quase que morri na sala de cirurgia, mas graças ao pai lá de cima, tô aqui hoje, viva e sem precisar de uma cadeira de rodas. Por pouco mesmo, as balas não pegaram minha medula espinhal.

Mas me sentia muito incomodada com as cicatrizes que tinha ficado bem no meio das minhas costas. Odiava mostrar elas, mas Fábio fazia questão de sempre estar falando, que com elas, fico mais sexy.

Não sei aonde! Sinceramente.

Fábio: Que roxo é esse no teu braço, Rafaelly? - pegou no mesmo, e eu bufei.

Rafaelly: Naysa me deu um tapa.

Fábio: Do nada? Ela é maluca, porra? - dei de ombros. - E tu não revidou, Rafaelly?

Rafaelly: Ia bater nela na frente do William, Fábio?

Fábio: Ah mas se fosse eu...eu jogava ela pela janela, euem, mulher maluca. - bufou, negando com a cabeça.

Nem dei mais ideia naquele papo ali, só fui terminar de me arrumar logo, porque o Fábio já estava enchendo o saco me apressando, porque queria pegar carona com o Neguinho até o baile que seria lá embaixo, perto da praça.

Nem fiz muita coisa na cara, porque estava morrendo de preguiça, mas fiquei bem bonitinha até. Aff.

Passei chapinha correndo no meu cabelo, e o Fábio me ajudando, enquanto gritava pro Neguinho esperar a gente.

Quando finalmente terminamos de se arrumar, saimos do quarto, e fomos pra sala. Wellington estava sentado no sofá, mexendo no celular enquanto tinha um sorrisinho de lado.

Neguinho: Aí...- me olhou. - Preciso do teu favor...

Rafaelly: Agora? - fiz careta. - Euem, Neguinho.

Neguinho: Uma mina aí tá metendo caô pra cima de mim, pô.

Cruzei os braços, fechando a cara maneiro, e ele riu, se levantando, vindo na minha direção.

Neguinho: Uma foto só. - fez um bico, e eu revirei os olhos, estendendo minha mão.

Ele tirou a carteira do bolso, e me deu duas notas de cem. Soltei meu sorriso falso na hora, e ele riu.

Fábio: As vezes eu acho que o Neguinho é retardado por querer tirar foto contigo, pra deixar as monas com ciúmes. Isso funciona mesmo?

Neguinho: Tu não imagina o quanto, mané. Sei lá, pô, essas minas aí é doida, parece que quando elas vê que não tá sendo a primeira opção, elas surta e vem atrás.

Fábio: Ah, mas sei lá, bem que você podia me fazer de primeira, segunda...ou até quinta opção, né?

Neguinho: Aí parceiro, nada contra, mas gosto de outra parada.

Fábio fez uma careta, e eu dei risada, indo tirar a foto logo com o Neguinho. Essa foi bem simples e rapidinho. Só juntei minha mão com a dele, e já era.

Rafaelly: Agora me dá esse relógio, que quem vai ostentar com ele hoje, sou eu. - tirei o relógio do pulso dele, colocando no meu.

Neguinho: Ô, Rafaelly, tu tá abusada em criança. - bufou, negando com a cabeça. - Bora logo.

Saímos de casa com ele, depois de me despedir da minha mãe. Nem sei se voltaria pra casa hoje. Do jeito que eu e o Fábio fica bebendo, bem capaz de nós dormir na rua.

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