**Capítulo 82**

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Maratona 02/04

• Rafaelly •

O quarto onde eu estava era pequeno e sufocante. Parecia mais um armário do que um quarto. Mas eu não reclamava até porque eu estava tendo onde dormir.

Ali onde eu estava tinha apenas uma cama e um criado mudo. Uma pequena janela que levava até o matagal atrás da casa onde Sinistro e Jade estavam ficando.

Tinha vindo deitar as onze, e já se passava das duas da manhã, e até agora o sono não havia me vencido.

Eu estava agoniada, com medo do que poderia acontecer com eles assim que fosse para o confronto. Tudo podia acontecer. Tudo.

E era disso que eu tinha medo.

Eu rolava na cama, tentando me acalmar um pouco, mas de nada adiantava. Até que resolvi levantar e andar pela casa atrás de algo que pudesse me acalmar um pouco.

Porém, assim que abri a porta do quarto, meu coração disparou de susto ao ver Wellington apenas alguns centímetros de mim. Ele provavelmente estava prestes a bater na minha porta quando abri.

Reprimi os lábios, desviando o olhar para o chão. Ele coçou a garganta, também sem dizer nada por longos minutos.

Neguinho: Ahn... — engoliu em seco. — A gente pode conversar?

Fiquei pensando em silêncio por minutos, decidindo se aceitava escutar ele ou não.

Ele iria para o confronto amanhã cedo, e talvez nem voltasse...

Rafaelly: Sim. — sussurrei

Então dei passagem para ele entregar no quartinho, e Wellington foi se sentando na beira da cama. Fechei a porta, e me sentei na outra ponta, um pouco afastada dele.

Abracei meu travesseiro, ainda sem conseguir encarar ele. O silêncio reinou entre nós dois muito tempo, que já estava ficando sufocante não dizer ou escutar algo.

Abri a boca para dizer, mas ele foi mais rápido.

Neguinho: Me desculpa. — pediu com a voz baixa. Eu continuei em silêncio. — Me desculpa mesmo, Rafaelly. Se fosse por mim, eu nunca teria ido embora.

Rafaelly: Então por que você foi?

Neguinho: Porque eu tive que ir, mesmo não querendo. Ou era fugir, ou era ser morto.

E ser morto me arruinaria em dobro.

Rafaelly: Quando eu acordei e soube que você tinha fugido com o William, meu mundo desabou sob meus pés. Eu chorei tanto... — eu ri, baixinho. — Chorei tanto, por dias, sem acreditar que você tinha virado as costas e ido embora sem qualquer explicação.

Neguinho: Eu...

Rafaelly: Quando soube a merda que você tinha feito, sabia que tinha arruinado tudo. Tudo. Pensei que quem levaria também, seria eu. E não sei até hoje como deixaram eu descer de lá de cima, porque achavam que eu sabia sim de algo, já que estava na cara que eu tinha algo com você além de familiaridade.

Neguinho: Eu queria ter te ligado, ou mandado uma mensagem avisando que eu estava bem, mas eles conseguiriam saber de alguma maneira que eu estava me comunicando contigo, e eu não queria que machucassem você mas do que eu mesmo machuquei.

Engoli em seco, reprimindo os lábios, segurando o choro que entalava em minha garganta.

Neguinho: Eu queria ter ido embora com você.

Rafaelly: Então quando você me chamou...

Neguinho: Sim, era pra gente ter fugido para um outro lugar, longe dessa merda toda. Só eu, você e o William.

Naquele momento, depois de ver tudo se desmoronando, eu me arrependi de não ter aceitado ir embora com ele. Teria sido o melhor pra gente, sem a menor dúvida.

Mas infelizmente não tinha como voltar no passado, e mudar tudo com essa simples escolha. Mas Wellington tinha a certeza, que se fosse possível voltar, eu voltaria e escolheria ir embora com ele para evitar essa confusão toda.

Neguinho: Cada dia que passei longe de você, Rafa, foi como se... como se tivesse uma corda se enrolando em meu pescoço, apertando a cada instante que estávamos longe um do outro.

Dali eu não me aguentei, deixei escapar algumas lágrimas, e quando ele percebeu, veio se aproximando lentamente para me abraçar. Eu não afastei ele, ao contrário, queria sentir seu toque em mim, mesmo que em forma de abraço. Ele me apertou, soltando um suspiro contra meu ombro onde ele apoiava sua cabeça.

Abracei ele de volta, puxando-o mais para mim.

Sentir seu cheiro e o seu calor novamente foi como se algo bom explodisse dentro do meu peito, causando diversas sensações inexplicáveis.

Eu amava Wellington, e ficar longe dele por esses anos, ao contrário do que eu pensava, a saudade fez meu amor por ele aumentar a cada instante.

Atrapalhando nosso momento, a porta do quartinho foi aberta com tudo, fazendo barulho quando bateu contra a parede após abrir completamente. Me assustei assim que vi o Sinistro com uma carranca horrível olhando para nós dois ali abraçados um no outro.

Sinistro: Nós tá fodido. — disse, ofegante. — Roubaram a porra do diário.

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