**Capítulo 15**

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• Rafaelly •

Desliguei a chamada de vídeo com o Neguinho, e fui correndo atrás da minha mãe, que me gritava.

Ela estava na parte de trás da casa, na lavanderia, gritando pra eu pegar as roupas no varal, pois já estava começando a chover.

E lá foi eu e ela que nem malucas pegar as roupas nos varal. A chuva tinha começado agora, mas já estava forte pra cacete.

Quando terminamos, ela mandou eu dobrar as roupas secas, e guardar, e eu bufei, levando as roupas para o meu quarto.

Cheguei lá e o bonitão do William estava deitado na cama com o celular da minha mãe na mão, assistindo vídeo de massinha no YouTube.

Moleque brisa nessas coisas! Euem.

Rafaelly: Ô seu viadinho, não era pra tu abrir a boca sobre o galo na cabeça pro teu pai não. Ele vai me achar maluca!

William: Mas você é!

Olhei pra ele estreitando os olhos, e dei maior tapão em sua bunda, fazendo ele gritar, logo caindo na gargalhada.

Dobrei tudo as roupas, e depois fui guardar. Primeiro guardei as minhas e as do William, e depois fui guardas as da minha mãe.

Abri o guarda roupa dela, ajeitando suas roupas ali, e logo percebi que em baixo de algumas roupas tinha uma caixinha de papelão, e eu já estranhei.

Eu nada curiosa, fui e peguei aquela caixa, abrindo a mesma. Lá dentro tinha um caderno, e algumas fotos do Rafael quando era menor, e outras um pouco antes dele ser preso.

Fiz uma careta e peguei aquele caderno, mas quando fui abrir pra ver o que tinha escrito dentro, minha mãe entrou no quarto, me dando um susto enorme.

Ana: Tá mexendo nas minhas coisas por que em? - se aproximou de mim, pegando o caderno da minha mão. - Não é pra mexer nisso, Rafaelly!

Rafaelly: Ok, mas o que é isso? - cruzei os braços.

Ela me olhou suspirando alto, e ficou olhando para aquele caderno, com uma expressão super triste. Minha mãe deixou algumas lágrimas caírem, e eu nem entendi nada.

Ana: É o Diário do seu irmão.

Fiquei sem saber o que falar, então só fiquei olhando pra ela de olhos arregalados. Neguinho tinha me dito que tinha sumido esse diário quando rolou o massacre em Tremembé. Ala.

Rafaelly: Essa porra não tinha sumido?

Ana: Não! Neguinho com a ajuda de um cara pago na polícia, conseguiu recuperar ele antes que os caras conseguissem ler. Todo mundo acha que esse diário aqui sumiu, e ninguém pode saber que ele está comigo, Rafa. Muito menos os caras da CDL, sério. - me olhou com uma expressão estranha, e eu só concordei.

Rafaelly: Tá, mas o que tem escrito aí que nem os caras da facção pode saber que tá com a senhora?

Ana: Muita merda, Rafaelly, que se você ler tudo o que tem escrito aqui dentro, assim que os cara souberem de tudo, vão te matar!

Arregalei os olhos, assustada, e fiz um sinal de cruz.

Naquele momento perdi a total vontade de ler aquele diário do meu irmão, por amor a minha vida.

Mas não vou negar, fiquei curiosa pra cacete pra saber o que tinha escrito lá dentro. Mas também não queria morrer. Credo!

Ana: Rafaelly, por favor filha...me promete que você nunca vai ler esse diário? Porque cara, já perdi o Rafael, e não posso perder você também!

Rafaelly: Calma mãe! Eu não vou ler, prometo pra senhora. - dei um sorrisinho. - Agora pelo amor, vamos esconder esse troço direito. Qualquer um pode achar em baixo das suas roupas.

Ela balançou a cabeça e eu fui pensando aonde poderia esconder esse caderno, pra caso desse merda, ninguém descobrisse aonde estava o diário dele.

Rafaelly: Olha, tem uma telha solta no telhado...- olhei pra ela que fez uma careta. - Eu as vezes escondo algumas coisas minha lá em cima, pra caso a gente seja roubada, ou sei lá.

Ana: Acho que ninguém vai olhar o telhado né?! - balancei a cabeça. - Então esconde lá.

Dei um sorrisinho, e peguei a caixa da mão dela com o caderno e as fotos do Sinistro dentro.

Esperei um tempo até a chuva passar, e já fui colocando a escada encostada no muro. Subi com a caixa em baixo do braço, e fui até a telha solta, andando bem devagar pra não quebrar nenhuma, ou acabar caindo.

Puxei um pouco ela, e vi algumas coisas minha de valor ali. Ajeitei aquela caixa bem no cantinho escuro, e puxei a telha outra vez, cobrindo tudo as coisas ali, e encaixando ela na outra, pra não voar quando o vento forte batesse.

Olhei para as outras casas ao redor, e graças a Deus não tinha ninguém vendo.

Desci pra casa outra vez, e minha mãe deu risada negando com a cabeça.

Eu queria muito saber o que tinha escrito naquele diário do Sinistro, mesmo sabendo que não deveria ser coisa boa, só pelo jeito que minha mãe ficou pedindo pra eu não ler nunca.

Mas tenho amor a minha vida, e também prometi pra minha mãe que não iria ler.

Então vou me segurar ao último, pra não ler aquele diário dele, e acabar quebrando a promessa que fiz a minha mãe, ou até acabar sendo morta... Credo!

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