Saímos correndo pelos becos, com nossas respirações ofegantes. Meu braço ardia e latejava de dor a cada passo que eu dava, mas eu tinha que aguentar firme até poder ir para um hospital.
O barulho dos tiros estavam altos, e pareciam estar cada vez mais se aproximando da onde estávamos.
Eu rezei que para que eles não corressem para o matagal.
Meu coração estava apertado ao pensar no Sinistro, na jade e principalmente no Neguinho no meio daquela confusão toda. Eles tinham que estar bem.
Por mais que eu soubesse que os três já deviam estar acostumados com aquela situação toda, não me confortava. Porque eu não estava acostumada com isso.
Acho que nunca estaria.
Rafaelly: Wellington... Ele estava bem? - perguntei, ofegante, ao Pedro.
Ele puxou o ar com força pela boca.
Pedro: Mais cedo, quando vi ele, estava intacto. Mas agora... Não faço a mínima ideia.
Engoli em seco, o que pareceu arranhar minha garganta.
Ao imaginar Wellington no meio daquilo... Morto... me dava calafrios, e eu sinceramente não aguentaria passar por uma fase de luto novamente.
Não sabendo que ele realmente teria morrido.
Afastei esses pensamentos no exato momento em que entramos no meio do mato alto. Por já estar escuro, não conseguia enxergar onde pisava. Porém, eu continuava correndo do barulho dos tiros.
Nos afastamos mais da favela, e ainda correndo consegui ver alguns carros parados na avenida que tinha ali atrás.
Olhei para o Pedro em uma pergunta silenciosa, e mesmo não podendo ver meu rosto nitidamente, ele assentiu com a cabeça. Então continuei correndo na direção dos carros.
Diminui os passos conforme nos aproximavamos mais.
Pedro: Entra no azul.
Balancei a cabeça, e entrei onde ele disse, o carro azul. Entrei no banco de trás, batendo a porta com um grunhido de dor.
Fechei meus olhos apoiado minha cabeça no encosto do banco e não fiz questão de olhar quem estava nos bancos da frente do carro. Pedro entrou ao meu lado, xingando ao ver o tanto de sangue que eu perdia por conta do tiro que levei.
- Você tem que aguentar acordada, Rafa.
Meus olhos se abriram imediatamente assim que escutei aquela voz. Olhei para o banco do motorista e me deparei com ele, com a expressão preocupada enquanto se inclinava na minha direção para ver meu machucado.
Rafaelly: Que caralho você está fazendo aqui, André? — praticamente gritei, assustando-o.
Ele franziu a testa, se afastando de mim.
Magrão: Vim te buscar, meu amor.
Rafaelly: Era pra você estar preso...
Magrão: Pensei que receberia uma recepção melhor da sua parte. — disse em um tom sarcástico.
Mostrei o dedo do meio a ele.
Rafaelly: Você mentiu pra mim. — acusei. — Sabia de tudo desde o início. Imbecil. Que ódio de você.
Ele ficou em silêncio, coçou a nuca.
Magrão: Eu não podia falar nada, Rafa. Não podia. Prometi ao Sinistro que me faria de sonso em relação a isso, então me fiz...
Rafaelly: Mas me deixou no escuro igual a uma otária.
Ele não disse mais nada em relação aquilo, apenas resmungou que tinha que me levar para um hospital o mais rápido possível, então ligou o carro e saiu a milhão dali.
Rafaelly: Como e quando conseguiu sair da cadeia?
Ele suspirou.
Magrão: Sai semana passada. Sinistro conseguiu adiantar minha liberdade.
Balancei minha cabeça, e resolvi não dizer mais nada. Estava puta com ele. Muito puta por esconder tudo de mim quando achei que podia confiar nele.
Todos mentiram na minha cara, me deixando acreditar que Jade e Sinistro realmente estavam mortos. Me deixaram quase morrer de susto ao recontratar o Rafael vivo sem antes me prepararem.
Não esqueceria disso. Jamais.
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Lance Proibido
RomanceA Razão nos contém dos nossos desejos proibidos... A vontade se cala, mas não se acaba... Hoje a emoção é amiga da Razão. Mas se a vontade falar mais alto e a emoção trair a razão... Amanhã vai sair na primeira edição, um crime de paixão...
