• Rafaelly •
Desejar ou ficar feliz com a morte de alguém, é horrível, mas pela morte do Leandro, eu realmente desejava mais que tudo nesse mundo, e saber que o Magrão fez esse grande favor pra mim, e para muitas outras pessoas, me deixa com um alívio enorme.
Não sabia que ele tinha morrido, na verdade eu nunca sei de nada que acontece nesse mundo deles aí. Ninguém me conta nada sobre isso!
Mas aí, dava vontade até de fazer um churrasco bolado com essa notícia agora, serin.
Magrão: Bagulho é foda. - fez uma careta. - Aquele dia foi cabuloso...
Rafaelly: Imagino! Vi algumas imagens do que rolou lá, e minha pressão caiu vendo tudo aquilo. Sou fraca pra essas coisas, não aguento!
Magrão: No início de tudo eu também era, mas acabei me acostumando. Fui obrigado pelo crime a me acostumar com essas paradas pesadas.
Rafaelly: Não me imagino matando uma pessoa.
Magrão: Tu não se imagina agora, mas se um dia tu passar por uma situação, que é você matar, ou morrer, tu vai fazer o que?
Rafaelly: Aí André... eu não sei. Matar é tão... horrível! Mas eu não vou querer morrer também.
Ele suspirou alto, dando de ombros e ficamos um tempo em silêncio, comigo ainda pensando no que ele tinha me perguntado.
Se eu passa por uma situação de matar ou morrer, eu agora realmente não fazia ideia do que iria fazer na hora, mas no fundo até tinha ideia.
Dependendo da pessoa, eu iria me colocar em primeiro lugar!
Magrão: Enfim, tu namora?
Rafaelly: Não, ninguém é tão especial para ocupar esse cargo. - joguei meus cabelos, fazendo ele dar risada, quebrando o pequeno clima estranho que tinha ficado aqui entre nós.
Magrão: Percebi mó clima entre tu e o Neguinho... Rum, sei não em. - me olhou estreitando os olhos, e eu sorri de lado.
Rafaelly: Não tem nada acontecendo entre nós dois, ok? Tira essa ideia sem cabimento da tua cabeçona em Magrão.
Magrão: Ala, vou nem te falar qual é a minha cabeçona aqui.
Tentei segurar a risada, mas não aguentei, comecei a rir que nem uma tonta ali na frente dele, só imaginando a situação.
Magrão: Ó, tô com fome. Mas não fome de comida, e sim fome de bolacha...- falou, fazendo um bico. - Não tem nenhum mercado aberto essas horas por aqui, não?
Neguei com a cabeça, e o cara bufou, passando a mão no rosto.
Rafaelly: Tem lá em casa, quer ir buscar? - perguntei, sem nenhuma maldade mesmo.
Talvez com um pouquinho, mas isso não vem ao caso.
Ele acabou que concordou em ir buscar, e nós dois saiu dali daquela praça, indo em direção a minha casa, buscar as bolachas.
Magrão já tinha me falado que é maluco em bolacha, que se pudesse comia apenas isso. E como na cadeia não dá direto isso, o cara tava maluco querendo se entupir com bolacha.
Isso me lembrava o William com a obsessão em bolacha, e na hora até bateu uma saudadezinha dele, mas já deixei marcado com o Neguinho, para ele levar o menino pra dormir lá em casa no final de semana.
Passei um tempo com ele hoje a tarde, enquanto Magrão e Wellington conversavam lá dentro da casa, mas pra mim não foi o suficiente pra matar a saudade.
Magrão: Tua mãe tá aqui? - perguntou baixo, assim que entramos em casa. - Sinistro me falava muito dela.
Rafaelly: Ela deve estar dormindo já. - suspirei, indo direto para a cozinha.
Ele veio andando atrás, e percebi que o cara estava morrendo de vergonha. Sei lá o porquê.
Abri o armário e peguei logo uns três pacotes de bolacha doce, e um da salgada, colocando em cima da mesa. Peguei refrigerante na geladeira, e dois copos na pilha de louça que tinha ali para eu guardar.
Me sentei na cadeia, apoiando meus braços na mesa e fiquei olhando pra cara do Magrão, esperando ele sentar, mas o cara ficou lá, coçando a nuca, cheinho de vergonha.
Rafaelly: Ih Magrão, senta! Bora comer, euem.
Ele puxou a cadeira, se sentando em minha frente e eu continuei olhando para a cara dele, achando super fofinho essa vergonha que ele estava sentindo, apenas aqui dentro comigo. Ala.
Rafaelly: Eu sei que gente se conheceu hoje, e tudo mais, só que não precisa ter essa vergonha toda comigo, ok? Fica de boa.
Magrão: É que eu tenho mó receio de parecer que tô sendo um intruso aqui entre vocês, ou sei lá pô. Bagulho doido!
Rafaelly: Última coisa que você está sendo aqui, é intruso André. Relaxa!
Magrão: Ah parceira, se eu relaxar, tu vai querer socar minha cara no mesmo instante. - riu baixo, enquanto abria o pacote de bolacha salgada.
Revirei os olhos, sorrindo de lado pra ele e ficamos ali na cozinha por maior tempo, comendo as bolachas e conversando sobre diversas coisas que tinha rolado com ele nesses anos todos dentro das cadeias.
Maior parada!
Por fora as vezes parece ser forte, durona mesmo, que aguenta tudo o que a vida joga em cima de mim, mas a real é que eu não aguentaria ficar um dia se quer dentro de um presídio, passando por tudo o que o André disse.
Que o senhor me livre de um dia passar por tudo isso, ou até por coisa pior...!
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Obrigada pelas 900 mil leituras em Diário de Um Detento. Vocês são tudo!!!
Amo vcs
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Lance Proibido
RomanceA Razão nos contém dos nossos desejos proibidos... A vontade se cala, mas não se acaba... Hoje a emoção é amiga da Razão. Mas se a vontade falar mais alto e a emoção trair a razão... Amanhã vai sair na primeira edição, um crime de paixão...
