Eu não consegui sequer prestar a atenção no curso todo. Só ficava pensando na hora de ver o Pedro, e na conversa que eu teria com o Neguinho logo em seguida.
Estava nervosa, sem saber o que esperar.
Pedia a Deus que tudo realmente estivesse bem com o Pedro. Não suportaria chegar no hospital e receber uma notícia ruim. Isso acabaria comigo de uma forma terrível.
Queria ver ele bem o mais rápido possível.
Quando o curso finalmente chegou ao fim, eu não me despedi de ninguém. Sai correndo para fora do prédio, procurando que nem maluca o carro do Neguinho.
Estava desesperada para rever o Pedro novamente. Ver o estado dele com meus próprios olhos.
Quando achei o carro do Wellington, corri em sua direção, entrando no banco do passageiro.
Neguinho: Esse desespero todo é apenas para me ver, é? - seu sorriso carregava uma malícia enorme e uma diversão fora do comum.
Rafaelly: Aí, besta. - revirei os olhos, dando risada. - Também senti sua falta, admito.
Falei isso tão baixo, que duvidei que ele tivesse escutado, mas ele escutou, pois seu sorriso aumentou. Cretino.
Ele ligou o carro e partiu em direção ao hospital aonde o Pedro estava. O caminho todo eu fui mordendo minhas unhas ou enrolando meus cabelos nos dedos, de tão nervosa que eu estava.
Wellington não abriu mais a boca. Não fez questão de dizer nada e eu imaginava que estava guardando tudo para depois. Para a nossa conversa.
Queria saber o que ele tanto queria falar comigo sobre nós dois. Achei que as coisas entre a gente já tivesse sido esclarecida faz tempo.
Mas saber que ele não está satisfeito com essa nossa estranha relação, me deixa um pouquinho aliviada, pois também não gosto dessa situação toda.
Meus pensamentos sumiram assim que ele estacionou o carro na frente de um hospital. Desci do carro e mal esperei ele para entrar lá dentro.
Ele veio logo atrás, e quem acabou falando com a recepcionista foi ele. A mulher entregou um cartão de visitantes para a gente e explicou qual era o caminho até o quarto do Pedro.
Fomos caminhando em direção ao quarto. Eu com meu coração quase saltando pela boca de tão forte que ele estava batendo dentro do peito.
Minhas mãos tremiam um pouco por conta do nervosismo, mas assim que paramos na porta de seu quarto, meu corpo todo paralisou.
A porta estava aberta, então dali mesmo, consegui ver ele rindo com a mãe. Meu sorriso cresceu, e meu coração explodiu.
Pedro notou minha presença, e assim que seus olhos cruzaram com os meus, eles brilharam. Seu sorriso cresceu, e eu me senti como uma desgraçada por ter causado aquela merda toda com ele.
Sem dizer nada, a mãe dele saiu do quarto me laçando um olhar de puro nojo, me avisando silenciosamente para não fazer mais nenhuma merda contra o Pedro.
Entrei no quarto, e a porta se fechou atrás de mim. E agora ali dentro, havia eu e ele. Apenas eu e o Pedro.
Pedro: Não veio me visitar antes por quê? Sua esquisita...- fez uma careta.
Rafaelly: Eu... eu...
Pedro: Tô ligado, pô. Minha mãe é chatona, mas tá de boa. É só ignorar a velha que fica tudo bem, sério.
Meu sorriso cresceu. Me aproximei mais dele.
Rafaelly: Como você está? - perguntei baixinho, segurando as lágrimas que já pediam para cair.
Pedro: Completamente fodido de dor. Mas tá de boa, juro.
Ele falava aquilo com uma naturalidade sufocante. Não conseguia entender porque ele não estava com raiva de mim por ter causado isso.
Rafaelly: Pedro... me desculpa. - pedi baixinho, finalmente deixando as lágrimas caírem. - Me desculpa. Eu não queria causar isso tudo com você. Eu não queria...
Pedro: Rafaelly... - sua mão segurou a minha com força. - Tá tudo bem, cara. Você não tinha como saber que daria merda aquela situação toda. Te acompanhei porque eu quis, porque queria te ajudar se desse alguma coisa, e infelizmente deu. Tentei ajudar, mas...
Rafaelly: Eu sei... e vou ser eternamente grata por tudo... tudo.
Pedro: Se fosse para fazer diferente, eu não iria fazer. Preferia estar contigo nesse momento, do que ter virado as costas como muitos já fizeram contigo. Não sou assim, Rafa. Sempre disse que estaria contigo em todos os momentos, não importa qual, então eu sempre vou estar ao seu lado.
Cobri meu rosto com as mãos, soluçando de tanto chorar. Ele bateu no peito, pedindo para eu encostar minha cabeça nele, e assim eu fiz.
Pedro: Você é como uma irmã pra mim. E não importa quem me ameace, eu sempre vou te proteger do que eu poder. Te prometo, em.
Dei um beijo em seu queixo, e apertei ele com força. Pedro resmungou de dor, e eu me desculpei. Continuei com a minha cabeça encostada nele por longos minutos. Sua mão fazia um carinho desajeitado em meus cabelos, enquanto ele pedia para eu parar de chorar, pois não aguentava me ver naquele estado por conta dele.
Pedro: Aí Rafa, fiquei sabendo do que minha mãe fez e disse pra você no dia que tudo aconteceu, e na moral, te peço desculpas por essa parada, ela tava nervosa e...
Rafaelly: Tá tudo bem, Pedro. Não odeio ela por isso. Ela é mãe, então eu entendo. Não suportaria ver meu filho no estado em que ela te viu.
Ele sorriu pra mim, e dessa vez foi ele quem me apertou.
Ficamos conversando por longos minutos ali, dando risadas e esquecendo de tudo o que rolava lá fora. Por um momento esqueci das merdas que estavam por vir.
Pedro: Aí, quando vai se resolver com o Neguinho, em? - ele me questionou, do nada. Eu arregalei meus olhos.
Rafaelly: An? Eu não sei do que você está falando. - dei uma risada cínica.
Pedro: Ih garota, nem vem em. Te conheço pô. E não sou tão bobo para não ter notado a olhada que cada um lança um para o outro. Percebo como se olham e na moral...
Rafaelly: Pedro, depois a gente fala disso. - dei um sorriso fraco. - Agora temos que focar na sua saúde.
Pedro: Ih, eu já estou de boa, pô. O médico disse que o prego não perfurou nenhum órgão. Então, logo, logo recebo minha alta. Fica vendo.
Eu sorri largamente.
Eu estava tão feliz em vê-lo tão bem como aparenta estar. E aliviada por saber que ele não vai me odiar por conta do que aconteceu.
Não vejo a hora dele receber alta, e finalmente ficar bem mesmo. É o que eu mais quero no momento.
Porém, assim que ele já estiver seguro na favela, eu vou acabar com o desgraçado do Ronaldo. Ele vai pagar por ter feito isso com o Pedro. Vai pagar da pior forma possível. Prometo isto para mim mesma.
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Livro novo: Libertina.
Votem e comentem bastante nessa minha mais nova história, eeem
❤️🛐
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Lance Proibido
RomanceA Razão nos contém dos nossos desejos proibidos... A vontade se cala, mas não se acaba... Hoje a emoção é amiga da Razão. Mas se a vontade falar mais alto e a emoção trair a razão... Amanhã vai sair na primeira edição, um crime de paixão...
