Assim que ele falou aquilo, eu fiquei sem reação, tentando processar aquela merda toda.
Fechei meus olhos respirando fundo, e na minha cabeça só rodava o 'fiquei com o Pedro'.
Senti meu coração acelerando, e uma vontade pequena de chorar, pois estava sem reação, e ainda sem acreditar no que ele tinha falado.
Só estava pedindo pra ele dizer logo que era tudo uma brincadeira, que não passa de uma zoação com a minha cara, mas assim que abri meus olhos, fazendo meu olhar bater com o dele, vi e tive a certeza que não era uma brincadeira de mau gosto.
Fábio: Me desculpa, Rafa. Por favor...
Não sabia o que falar ali pra ele, nada vinha em minha cabeça, e no fundo não conseguia sentir verdade naquele pedido de desculpas.
Passei minhas mãos no rosto, respirando bem fundo, mais uma vez, e fiquei em silêncio por longos minutos, sem nem se quer conseguir olhar na cara dele direito.
Eu sei que eu e o Pedro não tínhamos nada demais um com o outro, que não passava de sexo casual, e sinceramente eu não ligava dele pegar outras pessoas, só que saber que o Fábio ficou com ele, me doía um pouco, já que ele é meu melhor amigo, e que sempre bateu no peito falando que nunca pegaria se quer um ficante meu.
Desde que a gente se conheceu, ele olhava nos meus olhos, jurando que ali entre a gente, não haveria "talaricagem" e agora ele vem com uma dessas?
É de foder mesmo nessa porra, menor. Que isso...!
Rafaelly: Quando isso? - perguntei baixo.
Fábio: A primeira vez que rolou foi quando você foi com o William no hospital, e foi rolando quase todos os dias, só que a última vez foi no pagode semana passada.
Rafaelly: E por que você nunca me contou, Fábio? A gente sempre disse que entre a gente não tinha segredos, porra.
Fábio: Eu tava com medo, Rafaelly! Medo de você nunca mais querer falar comigo!
Rafaelly: Acho que você deveria saber que nunca iria virar as costas pra você por conta de um macho sem noção. - suspirei, negando com a cabeça. - Só que saber disso, me magoou demais! Não por ciúmes dele, mas sim porque você olhava no meu olho, jurando que nunca, jamais iria ficar com um simples ficante meu, e agora tá nessa aí.
Fábio: Eu sei que eu vacilei feio agora, quebrando esse juramento que eu fiz pra ti à anos atrás, só que eu não sei cara, não me aguentei com ele.
Rafaelly: Ah, você não se aguentou...- dei uma risada irônica, negando com a cabeça.
Fábio: Não começa com ironia e deboche pro meu lado não em, Rafaelly. Tô falando numa boa contigo...
Olhei pra cara dele com a sombrancelha arqueada, e neguei com a cabeça mais uma vez, nem acreditando naquilo.
O cara chega me falando esse bagulho estranho, e ainda quer impor como que eu tenho que falar com ele aqui dentro da minha própria casa. É foda mesmo, ala.
Rafaelly: Eu acho melhor você ir embora, não quero brigar contigo por conta de macho não. Preciso do meu tempo! - suspirei alto, e ele se levantou.
Fábio: Sério que você vai me virar as costas por conta que fiquei com um ficantezinho seu?
Rafaelly: Nossa... eu nunca viraria as costas pra ti, Fábio. Se me conhecesse bem, saberia disso! Eu preciso do meu tempo, será que dá pra entender isso?
Fábio: Não consigo entender não! Sou a pessoa que mais te ajudou em tudo, principalmente na morte do seu irmão, e agora parece que você tá virando as costas mesmo pra mim. É lamentável em, Rafaelly!
Rafaelly: Você tá jogando as coisas na minha cara por que, Fábio? Vai fazer isso mesmo, porque se você consegue ser tão sujo a esse ponto, eu consigo ser mais.
Ele deu uma risada baixa, cheinha de deboche, e ali eu me controlei pra não começar a falar tudo de uma vez.
Fábio: Foi mal, só que você sempre bateu no peito falando que nunca iria ficar com cara virada com um amigo por conta de macho, e agora...
Rafaelly: Acho melhor você calar essa sua boca, Fábio. Você errou e não está no seu lugar de fala pra vir me julgar! Não estou virando a cara pra você, só que eu já disse que preciso do meu tempo, porra.
Me sentei na minha cama, me tremendo toda de raiva já, me segurando até o último pra não fazer merda, e jogar anos de amizade pelo ralo.
Rafaelly: Você tá me julgando tanto agora, mas eu aposto que se fosse eu, ficando um carinha que você pega ou ja pegou, tu estaria me atacando agora, com uma raiva imensa de mim. Teria uma reação mil vezes pior do que eu tive, porque eu te conheço!
Fábio: É diferente, Rafaelly!
Rafaelly: É diferente por que? Porque é comigo e não com você, caralho? Se liga, Fábio! Euem.
Fábio: Tá fazendo um alvoroço por nada, depois vem falar que tem a merda da maturidade.
Rafaelly: Sai daqui Fábio, agora! - gritei apontando pra porta, e ele me olhou de cima baixo. - Se não...
Fábio: Se não o que? - se aproximou de mim, de braços cruzados.
Olhei bem pra cara dele, desacreditando daquela marra toda que ele estava metendo pra cima de mim.
Rafaelly: Se não...você não vai querer saber!
Me virei, jogando meus cabelos no rosto dele, e já ia pegando minha bolsa, quando senti suas mãos agarrando meus cabelos por trás.
Arregalei os olhos, e me virei com tudo, metendo o soco no rosto dele. No meu cabelo não, caralho!
Rafaelly: Eu não quero sair na porrada de uma vez contigo, Fábio. Sai daqui! - gritei mais uma vez, já sentindo meu nariz arder, com a vontade de chorar.
Só que parecia que ele estava fora de si, pois veio pra cima de mim, agarrando meus pescoço com força. Arranhei seus braços, tentando fazer ele soltar, porque já estava ficando sem ar de tanto ele apertar.
Fábio: Naysa estava certa, você é uma otária, falsa do caralho!
Fiquei sem entender, mas já até imaginava o que tinha rolado.
Rafaelly: Me...solta!
Passei minha unha com tudo em seu rosto, vendo arranhar feio que o sangue até começou a sair.
Ele me soltou, e eu caí no chão sem ar. Respirava com força, tentando me acalmar, mas assim que vi que ele estava vindo pra cima de mim outra vez, eu levantei e pulei em cima dele, socando seu rosto.
Ele puxava meus cabelos, gritando me xingando de tudo o que é nome, e eu não parava de socar seu rosto, com a raiva me consumindo inteira naquele momento.
Senti ele socando minha barriga com tudo, e na mesma hora fiquei sem ar, caindo para trás no chão mais uma vez.
Bati minha cabeça com tudo no pé da cama, ficando tonta na hora, e só fui sentindo o Fábio chutar minha barriga e minhas costas.
Tentava pegar na perna dele, mas não conseguia, até que ouvi um grito vindo e o barulho da porta batendo com tudo na parede.
Minha mãe entrou, puxando o Fábio pra trás, e veio até mim, se abaixando ao meu lado.
Ana: Que porra você tava pensando, Fábio? Olha o que você fez com a minha filha. - gritou, e já vi seus olhos brilhando por conta das lágrimas. - Sai da minha casa, agora!
Só vi o Fábio saindo depois de me olhar com nojo, e aquilo foi o ápice pra mim. Comecei a chorar desesperada, sentindo uma dor do caralho, tanto por fora, quanto por dentro.
Minha mãe me abraçou, e vi que ela estava chorando também.
Ana: Vai ficar tudo bem! Ele vai pagar por ter feito isso contigo filha, ele vai!
Eu nem disse nada, só continuei chorando ali com ela, tentando ver o porquê a nossa amizade chegou a esse ponto.
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Lance Proibido
RomansaA Razão nos contém dos nossos desejos proibidos... A vontade se cala, mas não se acaba... Hoje a emoção é amiga da Razão. Mas se a vontade falar mais alto e a emoção trair a razão... Amanhã vai sair na primeira edição, um crime de paixão...
