**Capítulo 85**

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Tinha dado certo.

Eles conseguiram achar as mercadorias e agora comemoravam por terem quase que o dobro do que tinham antes para vender.

Eu sabia que Sinistro estava puto por perder o tanto de mercadoria que perdeu, mas... Também sabia que era para um ganho maior no futuro. Assim esperávamos.

Já tinha se passado duas semanas desde que vim parar aqui. Uma enfermeira veio no dia seguinte que conseguiram pegar a mercadoria. Cuidou dos meus ferimentos que já estavam quase inflamando, e agradeci aos céus por aquilo.

Eu não estava 100%, mas... Estava melhor do que quando cheguei. Era o suficiente pra eu poder ir atrás do diário.

Eles me davam comida nos horários certos de cada refeição, e cheguei a achar que Carlinhos — o cara que eu não sabia o nome quando vim parar aqui, tinha pego um pouco sequer de confiança em mim.

E eu precisava continuar colaborando até finalimente dar tudo certo.

Quase todos os dias eles vinham aqui e pediam por mais informações. Eu dava, lógico.

Já tinha falado onde era o galpão que Sinistro se escondia, o que resultou em uma troca intensa de tiros, mas, felizmente, quase ninguém que estava com Sinistro foi morto porque fugiram quando começou a esquentar demais.

Passei onde ficava uma boa parte dos armamentos e entre várias outras coisas que Sinistro tinha me obrigado a decorar cada informação para passar a eles.

Carlinhos parecia cada vez mais acreditar em minha palavra. Ou fingia muito bem.

Mas eu via em sua expressão que estava feliz pelo tanto que estava conquistando com minhas informações. E isso era ótimo.

Eu não sabia quando que Sinistro iria invadir essa favela. Mas eu sabia que seria em breve já que eu estava enrolando demais.

Uma coisa que eu não podia mais fazer.

Turco: Se continuar nos dando às informações, vai conseguir sair desse quarto imundo para um lugar mais... ajeitado. — ele riu com escárnio. — Mas não acho que você vai gostar tanto...

Carlinhos: Chega Turco. — mandou, ríspido. Ele me olhou. — Pode começar a abrir a boca de novo, Rafaelly.

Então eu abri, comecei a dizer outra informação banal que faria quase todos eles saírem hoje a noite atrás de mais mercadoria. O que me daria a chance de ir atrás do diário ainda hoje.

Eu precisava sair daqui o mais rápido possível e não podia mais desperdiçar meu tempo.

Ao escutar o local onde os caminhões com drogas do Sinistro constumavam passar, Carlinhos mandou Turco ir preparar os caras que iriam.

É, eles realmente iriam essa noite.

Carlinhos sorriu de um jeito nojento, e deu dois tapinhas em minha bochecha. Tive vontade de cuspir em seu rosto, mas me contive.

Eles saíram do quartinho onde eu estava, e eu sorri largamente, suspirando.

Seria hoje. Tinha que ser hoje.

***

Do quarto onde eu estava, consegui escutar o momento que diversos carros e motos partiram juntos. Fiquei desperta no mesmo instante.

A luz fraca que iluminava aquele quarto era o suficiente para eu poder enxergar o local todo para achar uma maneira de abrir aquela porta.

Depois de a enfermeira vir, eles não me amarraram, só me deixaram jogada no chão duro, pensando que não teria como eu fugir, ou eu sequer estava pensando nisso.

Estavam mais que enganados.

Me levantei do chão, me alongando por alguns momentos. Fui até a porta e devagar, sem querer fazer qualquer barulho, eu tentei girar a maçaneta. Como imaginei, estava trancada.

No quarto não tinha nada que poderia me ajudar a abrir aquela porta.

Eu deveria estar um pouco afastada da entrada da boca, já que quando o carinha me trouxe até aqui, andou pra caralho.

Se eu arrombasse a porta com meu peso... Chamaria muita atenção por conta do barulho.

Mas... Se eu não fizesse isso, não teria como sair e esse esforço todo de mentir e fingir estar do lado deles seria em vão, porque eu sabia que não teria uma outra chance boa pra sair daqui. Não tão cedo.

E eu precisava sair desse inferno logo.

Então, puxando o ar com força, eu corri na direção da porta de olhos fechados, e choquei meu ombro com força contra a porta de madeira.

Ela sequer saiu do lugar.

Uma dor horrível se espalhou por meu corpo em uma corrente elétrica, me fazendo trincar os dentes. Resmunguei baixinho, porém, me levantei ignorando a dor.

Fui até o canto do quarto, de frente para a porta e corri na direção dela, e no momento que eu estava prestes a me chocar com a madeira, a porta se abriu, me fazendo cair em cima de um corpo alto.

Escutei alguém xingar e assim que reconheci a voz, meu corpo tremeu.

Rafaelly: Pedro?

Ele resmungou em resposta, pedindo para eu sair de cima dele. Eu continuei onde estava, sem qualquer reação.

Rafaelly: Que merda você está fazendo aqui?

Pedro: Vim te buscar... Seu irmão tá prestes a invadir a favela.

Me levantei de cima dele com um pulo, de olhos arregalados.

Pedro: Pediu pra eu te levar pra longe daqui.

Rafaelly: Não. Eu não posso. Tenho que achar o diário...

Pedro: Esquece isso. Ele mandou...

Rafaelly: Não quero saber. Vou achar aquele diario. — bati o pé no chão — Como consegui entrar aqui?

Pedro: Um dos soldados do seu irmão... matou os caras que estavam fazendo ronda por aqui. — explicou, enquanto seguimos pelos corredores. — Você precisa vir comigo, Rafa.

Ignorei ele e sai correndo para onde Sinistro disse que o diário poderia estar.

E tinha que estar lá.

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