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• Neguinho •
Ajeitei minha máscara no rosto, respirando bem fundo, e sai daquele carro, com a fuzil na mão, e mais duas pistolas na cintura.
Olhei ao redor e estava um breu na rua aonde estávamos, e isso só ajudava pra não dar caô nenhum.
Tinha eu e mais uns 10 caras ali, prontos pra qualquer merda que rolar nesse assalto.
Nós tava na frente de uma joalheria enorme, na intenção de entrar nessa porra e roubar tudo o que tem lá dentro.
Maior plano eu e os caras bolou por meses pra tudo dar certo nos conforme nessa porra. Porque se der merda...eu caio e não saio mais da cadeia, papo serin.
Se me pegarem em um simples assalto na rua, os caras que sabe pensar e pá, já bate com tudo as outras paradas, e mesmo sem provas concretas, me jogam dentro de um presídio e me deixam mofando lá dentro.
E cair era a última coisa que podia rolar comigo. Tenho filho pra criar e várias paradas pra resolver ainda, posso cair não!
Nanã: Caralho mermão, abre essa porra sem fazer barulho, porque se alguém escutar alguma parada diferente, nós vai cair. - falou para o cara que estava com um bagulho na mão, tentando abrir a porta de ferro que tinha lá.
O maluco era brabo mesmo, abria qualquer tipo de porta e isso ajudava pra porra.
Mas enquanto nós tá aqui tentando entrar na joalheria, tem mais uma tropa do outro lado da cidade, prontos para assaltar um banco daquela área.
Se tudo der certo, hoje nós vai lucrar pra caralho mermão, que isso...!
Quando o menor lá conseguiu destrancar o bagulho da porta de ferro, eu e mais alguns caras levantamos bem devagar, tentando fazer mínimo barulho possível.
Nanã: Peguem o máximo de jóia que vocês conseguirem, e a grana também. - falou, enquanto nós entrava lá dentro. - Se caso o alarme disparar, nós tem 10 minutos pra sair daqui, antes da polícia brotar.
Balancei a cabeça, e já abri o sacão enorme que cada um ali tinha pra colocar as paradas.
Era bagulho chique ali, pô. Cada parada que chegava a pesar na mão de tanto ouro ou diamante. Só parada fina mesmo.
Tinha pegado bagulho pra caralho, e grana nem se fala, então decidi pegar algumas paradas ali pra mim também, porque posso ser tudo, menos trouxa em uma situação dessas.
Neguinho: Aí menor. - chamei a atenção do cara que abriu a porta. - Abre essa parada aqui pra mim, quero pegar esses relógios.
O cara deixou o saco que ja estava cheio de lado, e veio pra abrir a portinha de vidro que tinha em uma vitrine ali, com os relógios dentro.
Neguinho: Brabo pra cacete, mané. - dei uns tapinhas nas costas dele, assim que o cara conseguiu abrir.
Mas quando enfiei minha mão lá dentro, e peguei um relógio de ouro, o alarme começou a disparar.
Fechei meus olhos respirando bem fundo, mas comecei a pegar os relógios tudo, colocando alguns dentro do bolso da minha calça, e outros dentro do saco.
Nanã: Bora pô, bora. - gritou, chamando os caras pra sair logo. - Vamo Neguinho.
Já ia saindo correndo dali, mas parei quando vi um colar maneirinho, todo delicado. E logo lembrei de quem? Rum, da pirralha da Rafaelly.
Peguei aquela porra enfiando no bolso também, e sai correndo da joalheria. Entrei em um dos três carros que tinha lá, e o mano piloto já foi saindo daquele lugar no maior pique mesmo.
Tirei minha máscara, dando risada, e os caras foram rindo também. Mas aí, tava estranhando demais essa parada toda, que até porque foi tudo tranquilo, deu nada de errado nesse lado aqui não.
Graças a Deus!
Mas é um bagulho estranho, porque todo assalto que já fizemos, sempre dava alguma merdinha, e não era nada fácil. Sempre caia algum, pra cadeia ou pro inferno mesmo.
Tinha até agradecido por ter dado tudo certo nessa porra hoje, porque tudo o que a gente menos quer, é acabar se fodendo.
Ai, mó paz!
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Paramos o carro em um matagal no meio do nada, em uma estradinha, e saimos do carro. Ali perto, tinha outros carros pra nós pegar e esconder as jóias e os dinheiro e partir de volta pra São Paulo.
Quem tava esperando junto com os outros carros, era os manos que foram assaltar o banco lá do outro lado da cidade.
Mas percebi que tinha perdido vários dos nossos, quando vi que tinha bem menos gente entre eles lá.
Neguinho: Cadê o resto, PG? - deixei o saco cheio de jóias e dinheiro no chão, cruzando os braços.
PG: Na hora que saímos do banco, rolou trocação contra a polícia, e morreram 3 dos nossos. - suspirou, fazendo uma careta. - E 2 foram presos.
Passei a mão no rosto, negando com a cabeça, mas eu nem disse nada, até porque o que eu podia falar ali?
Isso já era meio "normal" de acontecer. Todo assalto sempre saia um ou mais mortos, e mais alguns presos. Ai, maior parada mesmo.
Já vi muito parceiro meu sendo morto na minha frente, e eu quase perdendo a porra da vida também, mas como sempre, o pai lá de cima tá sempre me protegendo, mesmo eu agindo no errado. Ele nunca abandona!
Fui indo até um dos carros que tinha separado lá, e já fui abrindo o porta malas.
Tirei os fundos falsos que tinha lá, e joguei tudo as jóias, o dinheiro, arrumando e ajeitando pra não ficar nada amostra.
Os caras colocaram o resto das jóias, e o dinheiro que conseguiram no assalto do banco nos outros carros, escondendo tudo pra caso nós for parado, os canas não encontrarem.
Nanã: Bora voltar pra São Paulo na maior paz, um carro distante do outro pra não dar na cara, e ficar tudo tranquilo. - falou, para todos os caras que estavam ali. - Sai dois carros de cada vez daqui, pra também não dar suspeita se alguém ver.
Já fui entrando no lado do passageiro de um, ficando de boa e pronto pra dormir maneiro ali.
Precisava descansar pô, tava cansadão depois dessa parada toda. Hoje o dia não foi fácil, acabou comigo de verdade mesmo, e só precisava de um descanso pra passar horas na estrada pra finalmente voltar pra casa.
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Lance Proibido
عاطفيةA Razão nos contém dos nossos desejos proibidos... A vontade se cala, mas não se acaba... Hoje a emoção é amiga da Razão. Mas se a vontade falar mais alto e a emoção trair a razão... Amanhã vai sair na primeira edição, um crime de paixão...
