**Capítulo 76**

19.9K 1.9K 937
                                        

1 ano depois...

Meus olhos estavam marejados, e eu sabia que meu rosto já estava todo vermelho por conta da enorme vontade de chorar que eu estava sentindo naquele momento.

Era uma mistura de felicidade com diversos outros sentimentos maravilhoso que eu sentia. Não conseguia sequer explicar.

Minha mãe me abraçava de lado enquanto os caras da decoração ajustavam os últimos detalhes da fachada do meu salão.

Sim, o meu salão!

Depois de tanto tempo tinha finalmente conseguido abrir meu salão aqui na Brasilândia. Consegui juntar meu dinheiro e ajeitar tudo do jeitinho que sempre sonhei.

Parecia até um sonho, e estava difícil para eu definir que aquilo tudo estava sendo minha mais nova realidade. Que eu tinha conseguido realizar um dos meus principais sonhos.

Havia terminado meu curso a alguns meses e iniciado o de cabeleireira. E enquanto meu salão era preparado, eu estava me formando em mais um curso para levar minha conquista para frente de uma vez.

Ana: Filha, eu... eu estou tão feliz por você. - minha mãe me apertou em seus braços. Pude ver que seus olhos também brilhavam por conta das lágrimas.

Ela foi uma das únicas pessoas que não saíram do meu lado, e que me apoiou desde o início nesse meu sonho sem nem mesmo ter a certeza de que realmente daria certo. Eu sou tão grata por ter ela em minha vida!

Rafaelly: Eu nem acredito que isso é real. - sorri. - Meu salão. Meu...

Pedro: Eu sabia que você conseguiria, Rafa. - ele sussurrou ao meu lado.

Pedro nesses últimos tempos jamais saiu do meu lado e parou de me apoiar. Com ele ali eu tinha a certeza de que faríamos tudo, tudo para essa conquista vir.

Pedro: Stylu’s Saloon, o mais novo ponto de embelezamento de São Paulo. - ele sorriu de orelha a orelha. - De verdade pô, esse lugar vai bombar.

Minha mãe concordou, e eu abracei os dois, apertando-os.

Eu entrei no meu salão dando diversos pulinhos de alegria. Meus olhos rodaram pelo lugar todo, o que me fez soltar um gritinho de felicidade. Estava tudo do jeito que imaginei.

Os equipamentos todos vermelhos e com diversos detalhes em preto e branco. Um lugar separado para fazer manicure e pedicure, outro para maquiagens e um espaço enorme para mexer apenas com cabelos. No fundo do salão tinha uma salinha separada para depilação. Tudo organizado e bem feito.

Semana passada eu havia feito diversas entrevistas com garotas daqui da favela que já tinham trabalho em salão. Consegui contratar oito garotas para me ajudar a levar esse meu sonho para frente.

Enquanto eu olhava tudo ao redor, admirada, senti meu celular vibrando. Assim que vi quem era me ligando, um sorriso enorme se estampou em meu rosto de uma forma surreal.

Ligação:

Rafaelly: Olá, meu Zé bolacha. - cantarolei assim que atendi.

Magrão: Diz tu, bacalhau. - ele riu baixinho. - Como tá as coisas por aí com teu salão?

Rafaelly: Tudo indo maravilhosamente bem. - mordi meu lábio inferior. - Queria tanto, mais tanto que você estivesse aqui, André. - suspirei, fazendo um bico imenso. - Sinto saudades.

Magrão: Ih garota, você veio aqui faz nem uma semana. - ele deu risada novamente. - Relaxa, meu bacalhau, logo mais eu tô aí. Confia.

Fiquei conversando com o Magrão pelo telefone apenas por mais um tempo. Ele me ligava todos os dias, mas falávamos bem pouco para os guardas não descobrirem do celular e acabar castigando ele.

Nada poderia atrapalhar o processo de fiança que ele estava levando e tentando conseguir.

Já havia alguns meses que o advogado dele tinha conseguido entrar em um julgamento para ver se consegue uma fiança para o Magrão. E a cada dia que passa eu fico mais ansiosa para que ele consiga sair daquele lugar o mais rápido possível.

É horrível poder ver ele apenas aos domingos, por duas ou três horas. Minha saudade não mata com esse tempo. Preciso de mais e por conta disso eu estou disposta a ajudar o André a pagar o preço da fiança quando o juiz conceder um valor.

Não importa o preço, ou se eu não tenha o dinheiro suficiente, eu vou tirar ele de lá.

Magrão: E aí pô, teve notícias dele? - sua voz soou mais baixa, e eu engoli em seco.

Rafaelly: Não. E isso já faz um ano, André. - suspirei. - Não tenho mais esperança alguma de que um dia ele volte.

Magrão: Eu ainda tento pensar em alguma forma de livrar a cara dele, pro maluco poder voltar. Mas porra, é foda essa parada que envolve roubo e traição dentro do comando.

Rafaelly: Nem esquenta mais a cabeça com isso, André. Já te falei. Wellington não vai mais aparecer ou sequer mandar uma mensagem. Ele foi embora e agora foi de vez.

Senti meu peito se apertando um pouco ao dizer aquelas palavras. Fechei meus olhos por alguns momentos e respirei bem fundo.

Não podia voltar a pensar nele agora. Não nesse momento tão especial para mim. Que era para ele estar do meu lado, e não longe pra caralho sem dar uma único pista da onde se meteu.

Magrão: Aí bacalhau, vou ter que desligar. - avisou ele. - Tchau, e ó... toda a sorte do mundo aí pra ti. Amo tu, pra caralho.

Rafaelly: Obrigado. E eu amo você.

Ligação.

Guardei meu celular e mesmo sem querer, meus pensamentos voltaram para ele e no último momento que tivemos juntos antes dele sumir pelo mundo.

Já se passou um ano e nada dele mandar uma mensagem explicando tudo o que rolou, ou para dizer que todas as merdas que falam dele é mentira.

Eu só queria saber se ele e o William estão bem, ou sequer vivos.

Mas a esperança de que um dia eles voltem, se foi a bastante tempo...

Lance ProibidoOnde histórias criam vida. Descubra agora