Vítor Hugo
Que incrível. Danielle foi escolhida pra dançar o papel de Cisne Branco. Repetiríamos a parceria do encerramento do Festival de Dança, o que por si era uma promessa de um espetáculo inesquecível. Puxando-a pela cintura, a abracei e lhe dei um sorriso.
— Não tá feliz, Danny?
Ao invés de se emocionar, de dar aquele sorriso lindo que só ela tem, minha namorada emudeceu. Seus lábios estavam semiabertos, e os olhos, parados. Parecia em choque.
— Eu? — ela disse apontando com o indicador para si.
Carlos Amaral meneou levemente a cabeça confirmando.
— Como faltam poucos dias para o espetáculo, não temos tempo a perder — o coreógrafo deu ênfase a cada palavra para que Danny não abrisse precedentes para uma recusa. — Danny, tire essas polainas e vista uma saia tutu. Vamos ensaiar até a noite.
— Mas Carlos — a voz dela saiu aflita —, não é justo comigo. Eu não dou conta. Como você mesmo disse, o espetáculo tá aí. Eu não posso substituir a Duda.
O olhar furioso que a Danny recebeu a fez estremecer. Era melhor que ela tivesse ficado calada.
— Então meus trinta anos como coreógrafo não valem nada? Você quer dizer que eu não sei qual das minhas bailarinas tem capacidade para dançar um papel especial?
— Não, eu não quis dizer isso, eu…
— Danny, se eu estou te oferecendo o papel, é porque tenho certeza que você pode dançá-lo. E ponto final.
Carlos avisou que precisava fazer uma ligação para o marido, e que quando voltasse, queria nos ver aquecidos e prontos para o ensaio.
Danny me pedia socorro com o olhar. Segurando-a pelo queixo, rocei meu nariz no dela, beijando-lhe a testa.
— Não precisa ficar nervosa — passei meu indicador na maçã de seu rosto — Eu vou ficar com você, sempre, do teu lado.
— E se eu fizer merda?
— Tem que confiar mais em você. Como o Carlos Amaral disse, ele tem trinta anos de experiência como coreógrafo. Acha que ele daria esse papel só pra te expôr? É o nome dele que tá em jogo também.
— Desse jeito você não tá ajudando em nada.
Pondo as mãos no meu peito e me repelindo, ela andou para um dos cantos da sala ao me empurrar, cruzando os braços.
— Ei — a abracei por trás. — Por alguma razão, você foi escolhida pra substituir a bailarina fodida da Promoarte. Não foi a Nicole, nem a Antonella. E a Malu não quis. Era pra esse papel ser seu.
— Isso é muito louco.
— Eu não vejo dessa forma. Você nasceu pra dançar esse papel. A oportunidade de ser um estrela tá sorrindo pra você. Se joga, garota.
Danielle sorriu e balançou a cabeça levemente para frente. Toquei com meu indicador numa das pedrinhas azuis do aparelho de dente dela, e uma sensação de paz me invadiu.
— Como gosto de te ver sorrindo assim — confessei.
— Você passa muita confiança pra mim. Não consigo não sorrir quando tô perto de ti.
Meu corpo se projetou em direção ao da bailarina e o tocou. Os braços compridos da Danny se enroscaram em meu pescoço, minhas mãos desceram deslizando por sua cintura graciosa, parando na bunda da garota. Puxei o collant dela para cima, a fim de poder apalpar a bunda dela.
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Danielle
RomancePara Danielle, nada é mais importante do que o balé. Seu sonho é dançar nos maiores palcos do mundo e superar sua mãe, a lendária Françoise Cocu - o Cisne Branco -, um mito da dança clássica. Durante uma competição de dança em Ribeirão Preto, a...
