Castelo de Cartas

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Geralmente eu acordo mais cedo que o despertador, daí ganho alguns minutos pra ficar mais acesa antes de fato me levantar.

Hoje foi uma exceção.

Acordei em cima da hora e fiquei tão cansada que mal conseguia abrir os olhos.

Depois do banho eu fui me vestir. Abrir o guarda roupa de manhã costumava ser uma parte bem maçante da minha rotina no fundamental, mas encontrar o meu estilo foi algo que fez eu me interessar mais sobre isso.

Minha mãe gostava do jeito que eu me vestia, ela diz que eu pareço uma professora intelectual e viajada, seja lá o que isso quer dizer, deve ser bom.

Fui no quarto dela antes de ir, e ela estava dormindo toda torta e o uniforme estava no chão. Eu endireitei as pernas dela para melhorar a situação, e coloquei o uniforme dela pra lavar pra que ela pudesse usar hoje de novo.

Fui na cozinha e vi que ela deixou o café pronto na cafeteira pra que eu pudesse tomar hoje. Só coloquei um pouco de leite e canela, porque eu amo canela.

Eu até gostava de pegar o ônibus, ninguém conhecido pegava aquela linha naquele horário. Eu não pegava o ônibus escolar, porque não era conveniente, e aquele ponto era mais perto. Um momento de paz, num veículo cheio de desconhecidos barulhentos. Eu curtia.

Ao chegar na escola, a primeira coisa com que me deparei foi um alvoroço entre os garotos, percebi logo em seguida que eram os garotos do time de basquete:

" Duncan é um bom companheiro. Duncan é um bom companheirooo!!!! Ninguém pode negar!"

Ah é, era dia 10. Era aniversário do Peter.

Não é que eu não soubesse que ele fazia aniversário naquele dia, eu só não vi o dia chegando.

Os garotos cantavam como se fossem colegas marinheiros de muitas décadas. Saylor estava pendurada no pescoço dele parecendo um bebê coala.

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O dia passou devagar, quase se arrastando. O senhor Dwahan (professor de biologia) estava encerrando a aula:

- Tudo bem pessoal, eu sei que vocês já tiveram muito de ecologia por hoje, por isso já podem ir, infelizmente eu ainda tenho várias provas pra corrigir e várias aulas pra planejar.

A sala foi se esvaziando aos poucos e ele foi se aproximando da minha mesa e falando num tom mais baixo:

- A não ser que eu possa contar com a minha assistente pra corrigir... alguns trabalhos?- Ele perguntou.

Eu estava exausta, mas não quis transparecer, eu adorava corrigir trabalhos, aumentava a minha autoestima ver como os trabalhos dos outros eram ruins.

Já fazia um semestre e meio que o senhor Dwahan havia me sugerido que eu auxiliasse ele em pequenas tarefas, e em troca, ele escreveria as minhas cartas de recomendação pra faculdade.

Eu sei que parece errado, mas é porque é mesmo.

Acontece que eu e o senhor Dwahan nos entendíamos, ele sabia que eu tinha grandes planos pra mim mesma. E nem é como se ele precisasse de ajuda, na verdade ele gosta de saber que eu corrigiria quantos trabalhos fossem necessários pra conseguir pelo menos uma carta dele.

- Não precisa pegar tão leve comigo.- Eu disse me levantando da carteira e conferindo se ainda havia alguém na sala.

- A última coisa que eu preciso é ser preso por escravidão infantil.- Ele disse me entregando uma pilha com cerca de um terço dos trabalhos, e colocando uma chave na minha outra mão.- Não esquece de trancar a sala quando sair.

Pessoas RuinsHistórias para pegar e não largar. Descubra agora