O final de semana foi super chato em compensação ao meu aniversário. Mamãe e eu procuramos por vestidos de baile e eu acabei descobrindo que o meu corpo não ficava bem em qualquer tipo de roupa.
O primeiro vestido era vermelho meio puxado pro rosa, tinha uma saia assimétrica e qualquer um perceberia na hora que era um vestido de brechó. O segundo era roxo escuro, com um decote bem antiquado, e ver ele caído no meu corpo me deixou muito deprimida.
- Será que eles tem alguma coisa que vestiria bem numa parede?- Questionei pra minha mãe enquanto eu estava dentro da cabine.
A cabine estava começando a me dar memórias ruins de quando Saylor e as amigas dela chamaram o lugar de bom demais pra elas.
- Tenta mais alguns.- Ela respondeu, e só pela voz, eu percebi que não estava nem aí pro meu sofrimento.- Tenta aquele que é na altura do joelho.
O terceiro era bege e tinha um estilo meio melindrosa e quando eu experimentei, quis rir. Puxei a cortina dramaticamente pra que minha mãe visse:
- Na altura do joelho, você diz.- Mostrei a ela o comprimento do vestido que mal havia chegado na metade das coxas.
Ela riu, porque deve ter medido no próprio corpo antes.
Quando experimentei o quarto, que era de um azul vibrante e vi o tanto de busto que eu deixei sobrar, eu pensei em desistir. Mas aí eu lembrei que se fizesse isso, ia ter que repetir o mesmo processo em outra loja.
E depois de um vestido que me deixou parecida com a Morticia Addams, e outro que me deixou com cara de acompanhante. Experimentei mais um que pra minha surpresa:
- Acho que esse daqui...não é horrível.
Aquilo foi o suficiente pra minha mãe puxar a cortina do provador:
- Com certeza, não é nada horrível, é perfeito!
Perfeito era uma palavra forte.
- Se bem que... não é muito meu estilo.- Eu disse começando a desanimar.
- Não é crime mudar de estilo de vez em quando.- Ela disse passando a mão pela saia do vestido, claramente pensando em possíveis ajustes que ela poderia fazer.- Agora só falta experimentar com o salto alto, eu acho que o vestido pede uma sandália mais delicada.
Eu ri, porque achei que fosse piada. Até perceber que não era.
- Tá de brincadeira, né? Eu não vou usar salto.- Disse fechando a cortina do provador.
- E o que vai usar?- Ela questionou.
Não havia pensado numa alternativa.
- Não salto.
- Desde quando você é anti-salto? Quando criança você vivia brincando com os meus fingindo que estava entrando no salão oval. Ploc Ploc.
- Mãe...é diferente. Vou ficar...deslocada.
- Tenho certeza que suas amigas também vão usar saltos.
Ela não estava entendendo que se eu colocasse salto, podiam me pedir pra pendurar a iluminação do salão. Mas eu não queria falar disso agora. Então usei a lógica:
- Tá, se você achar uma sandália alta e delicada, número 41, eu uso sem questionar.
Meio segundo depois a mãozinha dela passou pela cortina segurando um par de sandálias de tiras delicadas que obviamente já tinha achado antes de eu falar alguma coisa.
-Droga.
><><><><><><><><><><><><><><><><>
VOCÊ ESTÁ LENDO
Pessoas Ruins
Teen Fiction"Eu sou uma pessoa ruim, talvez seja difícil pra maioria das pessoas, simpatizarem comigo, e eu posso culpá-las? Elas nem me conhecem e já me odeiam, imagina se soubessem?" June Mallard não tem uma vida muito confortável, e apesar de passar o tempo...
