Nós conseguimos sair da casa e tentamos aparentar o mais sóbrios possível enquanto atravessávamos o quintal lotado. A expressão de aborrecimento na cara do Hart, que estava nos esperando na calçada, dava a entender que não estávamos enganando ninguém.
- Quanto cada um bebeu?- Ele perguntou como um pai bravo o que me fez querer rir, ao mesmo tempo que queria contar a verdade.
- Eu só bebi pequenas doses de bebidas variadas.- Minha voz saiu mais arrastada do que eu queria.- Foi praticamente uma degustação.
"Idem". Charlie e Allison responderam em conjunto.
- Porque demoraram tanto? O que rolou lá?- Ele perguntou no mesmo tom de repreensão.
Nós três nos entreolhamos e concordamos mentalmente que aquilo que havia acabado de acontecer devia ficar entre nós.
- Nada.- Falei.
- É, nada...normal.- Charlie completou.
- Com certeza!- Allison falou alto demais, possivelmente esquecendo que não estávamos mais lá dentro.
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Finn nos levou pra casa com má vontade, e eu não podia julgar. Eu já o conhecia a tempo suficiente pra entender que ele era alguém muito "na dele". Ele preferia as coisas do jeito dele, preferia a casa dele, o quarto dele, o próprio carro, as próprias músicas...
Sei que pode parecer meio bobo, e que "todo mundo é assim", mas a verdade é que muitas poucas pessoas se sentem tão à vontade com a própria vida.
Peter por exemplo, não gostava de ficar em casa, ele dizia que fazia ele lembrar de quando o pai estava lá. Ele nunca escutava as bandas que gostava, como The Rare Occasions ou Fitz and The Tantrums quando estava com os amigos, por isso sempre gostava de ouvir música quando ficávamos juntos.
- Chegamos.- Finn interrompeu meus pensamentos me avisando que estávamos na frente da minha casa.
Já havíamos deixado Allison em casa e Charlie estava cochilando no banco de trás. Quando saí do carro e fiquei de pé, senti o álcool finalmente se espalhar por todo o meu corpo. Mesmo assim, eu me forcei a andar em linha reta até a minha porta.
Não devo ter sido convincente, porque ouvi o Finn saindo do carro e vindo na minha direção. Ele pôs uma mão nas minhas costas e me guiou pelo ombro.
- O que está fazendo?- Perguntei.
- Não quero que sua mãe te veja assim e pense que a culpa é minha.
Eu achava engraçado que ele quisesse parecer responsável pra minha mãe. Ela só deveria chegar daqui a algumas horas, mas ele não precisava saber disso.
- Que mão grande, Finn.- Comentei, porque na minha cabeça de bêbada parecia relevante.
Abri a porta, e pra minha surpresa ele continuou me acompanhando:
- Vai me levar até lá dentro?- Eu o questionei.
- Vou te levar até o seu quarto.
- Depois de só termos saído uma vez ? Não acho que pegue bem.- Eu brinquei com ele.
Ele me respondeu com uma expressão de quem não estava no clima pra brincar. Decidi não reclamar, eu mesma não confiava que não iria tropeçar em nenhum móvel no caminho.
- Não sou fraca pra bebida. Eu só tô assim porque misturei.- Tentei me justificar enquanto sussurrava.
- Hum.
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Pessoas Ruins
Teen Fiction"Eu sou uma pessoa ruim, talvez seja difícil pra maioria das pessoas, simpatizarem comigo, e eu posso culpá-las? Elas nem me conhecem e já me odeiam, imagina se soubessem?" June Mallard não tem uma vida muito confortável, e apesar de passar o tempo...
