Família

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Sabe quando a sua vida tá muito boa, e de repente você sente que algo muito ruim vai acontecer pra compensar? E você acha que é coisa da sua cabeça, mas aí...acontece mesmo?

Como eu dormi tarde, também acordei tarde. E quando me levantei, chamei pelo pessoal, mas ninguém estava em casa.

Mas havia um bilhete na mesa, junto com um prato de torrada com ovos.

"Fui deixar sua abuelita e o Nacho em casa, já volto."

Como os ovos ainda estavam quentes, eu imaginei que ela havia saído a pouco tempo. Liguei a tv pra comer distraída e estavam passando as notícias.

Enquanto eu estava lavando a louça, a campainha tocou. Mamãe não toca a campainha.

- Quem é?- Perguntei alto.

- Sou eu.- A voz dele era inconfundível.

Mas já? Peraí. Não têm nem 12 horas que a gente se viu.

Dei uma olhada rápida na minha aparência e parecia estar boa o suficiente pra abrir a porta, embora a minha cara fosse de quem não havia dormido direito:

- Oi.- Atendi ele.

A cara dele também não estava exatamente cheia do vigor da manhã, ele não poderia me julgar:

- Oi.- Ele disse sorrindo, mas parecia ansioso.- A...sua avó tá aí?

Segurei o riso quando lembrei de ontem à noite. Neguei com a cabeça:

- A minha mãe foi levar ela e o Nacho pra casa.- Percebi ele pôr as mãos nos bolsos e pender o corpo pra frente e pra trás .- Entra.- Pedi.

Queria que ele avisasse quando viesse aqui fora de hora. Por que ele veio? Eu não sabia o que devia ser feito depois de ontem. Eu devia ter mandado mensagem?

- Você quer alguma coisa?- Perguntei por perguntar, só depois percebi que podia ter soado esquisito.

Tudo ia ser esquisito a partir de agora?

- Eu achei que a gente devia conversar.- Ele disse entrado.

- Conversar? Você não está arrependido, não é?- Fiz piada, e só depois percebi que podia ser isso mesmo.

- Não, não é isso, de jeito nenhum.- Disse se virando pra mim.- Eu queria falar sobre aquilo...aquilo que você me ouviu dizer pro...

- Finn, eu já disse que não precisa se preocupar com isso, nem me incomodou de verdade.- Menti na cara dura.

- Incomodou, eu sei que sim.- Ele passou a mão na nuca.- Foi por isso que você quis ir embora mais cedo naquela noite, não foi?

Droga.

- É...me incomodou.

- Eu sei. Sou um idiota.

- Você não é idiota. Você só foi meio...

- Aquilo não era verdade, eu não falei sério.- Ele me interrompeu.- June, o Jack não é meu amigo, eu fiz...uma coisa pra ele no passado, e eu achei que se ele pensasse que eu gostava de você...ele iria querer dar o troco, ou algo do tipo.

Com ele falando assim, até que fazia sentido, principalmente se eu juntasse com a história que Allison já havia me contado.

- Desculpa.- Ele pediu quando viu que eu fiquei calada.- Se eu tivesse certeza de que você gostava de mim naquele dia, eu não teria dito aquilo.

Neguei de novo.

- Não precisa se desculpar, mas...eu tô feliz de te ouvir se explicar.- Respondi sorrindo.

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