Na segunda feira, Finn aparentemente acordou pelo outro lado da cama, tropeçou e bateu a cabeça, porque me deixou dirigir de novo:
- Se você não pegar velocidade o carro vai estancar de novo.- Ele reclamou.- Pode pelo menos andar mais rápido do que as pessoas na calçada?
Acho que ele não estava tão diferente assim, na verdade, o humor dele parecia até pior, e por mais que eu tivesse interesse em aprender a dirigir, eu sentia que era só uma desculpa pra ele poder ser mau comigo.
- Você tá saindo da sua mão, tem que manter o volante reto, se não a gente vai bater ou alguém vai bater na gente.- Ele fez de novo.
- É muita coisa pra prestar atenção de uma vez.-Me estressei.- Isso não tá dando certo.
Embreagem, freio, acelerador, câmbio de marcha, espelhos, ficar em linha reta, dar a seta...era muita coisa. Como esse panaca fazia isso todo dia? Como tantas pessoas faziam isso todos os dias?
- Então encosta.- Ele mandou.
Eu encostei, mas não passei pra primeira e estanquei de novo. Pelo menos eu já estava fora da pista. Deixei a minha cabeça cair sobre o volante em sinal de derrota.
- Relaxa, quando for começar pra valer, pode ter um automático, eles são mais fáceis de dirigir.- Ele comentou.
- Jura? E quem vai me ensinar o automático? Você? Não obrigada.- Eu ironizei.
- Eu não sei dirigir carro automático.- Ele falou numa risada.
- Acabou de dizer que eles são mais fáceis!
- Devem ser, mas eu nunca dirigi um. Eu aprendi a dirigir nesse carro e só ando nele.
Percebi que ele tamborilava os dedos em cima daquela gravação que tinha do lado do passageiro. Aquela com as iniciais.
- O avô que te deixou o carro, você...acha que se parece com ele? - Perguntei- Só tô perguntando porque você e o seu pai têm...jeitos tão diferentes.
- É, eu acho que éramos parecidos em muita coisa.- Ele falou meio nostálgico.-
Fiquei um pouco pensativa, não queria dizer nada de errado:
- Dá pra entender o porquê de você ser tão apegado ao carro.
- É, eu sei que não vou conseguir fazer ele durar pra sempre, então, eu aproveito tudo que posso.-Ele disse passando os dedos no painel.
- Qual era o nome dele? Do seu avô?- Perguntei.
Ele tracejou os dedos pelas letras de modo que eu pudesse ver:
- Tom...Tom Hart.
Então era realmente um "T". O avô dele deve ter feito aquilo a muito tempo atrás.
- K.G era a sua avó?- Perguntei mais uma vez.
Porque se não fosse, devia ser algo meio constrangedor de se manter alí por toda vida útil do carro.
Ele afirmou com a cabeça:
- Kate.
Ainda apoiada no volante, me deixei devanear sobre aquilo. Consegui imaginar o aviador naval, Tom Hart, com a sua namorada Kate G. nesse carro, que devia ser novo na época, mas mesmo assim, ele marcou as iniciais deles no painel, porque ele acreditava que iam ficar juntos pra sempre:
- Que lindo.- Suspirei e deixei escapar, mas não me importei.
Finn ficou em silêncio por um tempo, como se eu tivesse deixado ele constrangido.
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Pessoas Ruins
Fiksi Remaja"Eu sou uma pessoa ruim, talvez seja difícil pra maioria das pessoas, simpatizarem comigo, e eu posso culpá-las? Elas nem me conhecem e já me odeiam, imagina se soubessem?" June Mallard não tem uma vida muito confortável, e apesar de passar o tempo...
