Ter o Finn e as meninas de volta era muito mais do que eu podia pedir, mas como eu disse antes, não podia ter eles comigo o tempo todo. O banheiro era um exemplo disso.
Eu entrei e não havia ninguém nas pias, se eu desse sorte, podia entrar na cabine e sair sem problemas.
Não tive sorte.
Assim que eu entrei, pude ouvir a cabine vizinha, era o som de alguém assoando.
Droga.
- Droga!- A vizinha disse.
Droga. Saylor. De todas as pessoas.
Ela deu batidas na nossa divisória:
- Tem alguém aí?- Perguntou.- Acabou o papel.
Não sabia o que fazer, mas não fazer nada era pior. Peguei o rolo de papel do meu boxe, e passei por baixo pra ela pegar.
- Obrigada.- Ela disse, voltando a assoar.
Nem me importei, tinha que sair de lá o mais rápido possível, escancarei a porta e saí de fininho pra lavar as mãos, eu já estava saindo com elas ainda ensaboadas quando a cabine dela se abriu:
- Ah, só pode ser brincadeira.- Ela estava estranha. Calma como sempre. Arrumada, como sempre. Mas tinha perdido o brilho que ela parecia carregar todos os dias, apesar de estar com um suéter turquesa vibrante.
Senti que esse era o confronto do banheiro que eu tava esperando da última vez. Fiquei parada pensando no que ela queria que eu fizesse. Eu faria qualquer coisa que ela quisesse. Ficaria alí e tomaria uns tapas sem dizer uma palavra.
- O que foi? Não vai me dizer que tá se sentindo mal.- Ela fez uma expressão pacífica bem perturbadora.- Tá um pouco tarde pra isso, não acha?
Eu tive pesadelos com esse conflito por anos, e não tava acontecendo como eu imaginava.
- Acho...que sim.- Falei enxaguando o sabão das mãos e decidindo sair de lá com elas molhadas mesmo, eu estava quase lá, quando ela falou de novo.
- Posso te fazer uma pergunta?
Eu não podia negar isso, então me virei pra poder ela perguntar.
- Por que eu ?
- O quê?
- Por que logo eu? Praticamente, todas as garotas zoavam você no fundamental. Por que você se vinga justo de mim?
Aquilo era sério?
- A minha...intenção não era me vingar de você, nunca foi.- Eu disse.
Ela revirou os olhos como se não acreditasse que o mundo não girasse ao redor dela.
- Uns apelidinhos e umas brincadeiras, e você vai lá e inferniza o meu ensino médio inteiro.- Ela voltou a sorrir meio sociopata.- Uma única coisa que você podia ter feito por mim, era ter pelo menos negado na frente daquelas pessoas.
- Como você queria que eu negasse aquilo?
- Você é a inteligente, não é? Podia ter dado um jeito se quisesse.
Fiz uma pequena lista mental de coisas que eu poderia ter feito:
1º Matado todas as testemunhas.
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Pessoas Ruins
Teen Fiction"Eu sou uma pessoa ruim, talvez seja difícil pra maioria das pessoas, simpatizarem comigo, e eu posso culpá-las? Elas nem me conhecem e já me odeiam, imagina se soubessem?" June Mallard não tem uma vida muito confortável, e apesar de passar o tempo...
