CAPÍTULO 35

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Chegamos ao escritório do, Lúpus, a sala antes vazia é preenchida com a nossa presença.

Salvatore vai até um dos sofás presente no local, sentando-se fazendo sinal batendo sobre o lugar vazio, indicando para que sentasse nele.

Caminho em passos vacilantes, esfregando as minhas mãos, meu coração bate em nervoso.

O Sol está radiante, raios solares adentravam entre as janelas entreaberta, as persianas balançam pelo vento calma da tarde.

Mesmo hesitante sento-me, o mais afastado possível, encarando as minhas mãos sobre o meu colo.

A minha mente trabalha em velocidade torturante, tentando imaginar por que motivo fui chamada.

— O Sr. Mazzarela permitiu que ligasse a sua família. — Antes que expressasse a minha reação, levantou o indicador em atenção. — Porém existem algumas regras, que deve cumprir, caso contrário as consequências serão devastadoras.

Não consigo acreditar, que vou poder falar com a minha família novamente, lágrimas involuntárias brotam nos meus olhos.

Sinto uma nostalgia inebriante. Depois de quase seis meses, finalmente vou ouvir a voz das pessoas que amo.

Achei que eles nunca iriam permitir, que eu me comunicasse com o exterior.

Não me importo em seguir as suas regras impetuosas. Só preciso ouvir a voz dos meus tios, ou mesmo do meu primo, poder dizer que estou viva.

— Aceito, suas regras, mesmo não sabendo o que seja. — Limpo as lágrimas com as mãos. — Por favor permita, que eu possa falar com os meus tios ou o meu primo, sinto muita falta de cada um. — Lágrimas escorrem novamente, no meu rosto.

— Só poderá fazer uma ligação, então escolha muito bem a quem ligar. — retira o celular do seu terno. — Se o seu remetente não atender, não terá outra oportunidade. — Balança o celular na suas mãos, apontando para mim.

— Agora vamos, para a parte mais interessante deste momento. — Levanta-se e caminha pela sala, parando no meu campo de visão.

— Você vai contar uma pequena história. — retira a sua arma e aponta na minha cabeça, meu coração falha uma batida. — Inesperadamente, durante a sua viagem para Roma, a senhorita, descobriu o seu propósito de vida. Ser uma missionária, se propondo a viajar pelo mundo todo, com objetivo de ajudar pessoas desfavorecidas.

— Eles não acreditariam nessa história, eu nunca faria tal coisa. — Os seus olhos estão fixos em mim.

— Mas você vai convence-los, e espero que seja uma boa atriz. Porque não estou com vontade de matar alguém hoje. — Destrava a sua arma, apontada na minha cabeça.

— Por favor não os machuque por minha causa, eles não tem culpa de nada. — Aperto a saia, do meu uniforme de trabalho.

— Então seja inteligente, o bastante para os convencer, a acreditar na sua história. — Aproximou-se de mim. — Não ouse tentar falar nada, que a faça se arrepender.

A sua ameaça deixa-me com insegurança. Estende o telefone na minha direção, e faz sinal para que o pegasse.

As minhas mãos estão trémulas, suo de nervoso. Com o celular em mãos, sem bloqueio de tela, disquei o número da minha tia. No primeiro toque atendeu...

— Alô... Alô... quem é ? Por favor, se é alguma brincadeira de mal gosto, vou bloquear o seu número. — Não consegui falar, o meu corpo paralisou ao ouvir a sua voz.

— Olha se não vai dizer quem é... vou ter que desligar a chamada. — Continuou, não esperei que ela desligasse...

— Tia, sou seu a Ara... por favor não desligue... eu-eu

— Oh meu Deus! — O choque em sua voz é inevitável. — Ara, minha menina, que susto você pregou-nos, que saudade sua. — Lagrimas silenciosas, descem ao ouvi-la. — Que história é essa de você se mudar para a França?

— França...? Tia eu-eu não sei como explicar para senhora mas...

— Eu aqui achando que, o juízo que não foi dado no seu primo, você herdou, porém, estava enganada. — Agora parece chateada. — Quando o seu tio recebeu a sua carta por e-mail, o deixou furioso e preocupado. — Suspira apreensiva do outro lado da linha. — Nós ligamos tanto para você, mas sem sucesso.

Como assim França, olho para, Salvatore, que me retribuiu um olhar questionador.

Me incentivando para seguir com a história, que a minha tia falava. Tudo é muito confuso, o que acontece...

— Desculpe-me tia, não queria causar nenhum transtorno. — Confesso sincera. — Eu amo-os muito, peço perdão por deixá-los preocupados. — Sinto um aperto no peito.

— Por favor volte para casa, o seu tio morre de preocupação, eu também estou muito apreensiva, tenho um mau pressentimento sobre essa viagem. — A sua voz parece aflita.

O meu coração deseja gritar-lhe, dizer que fui sequestrada, mantida a força contra a minha vontade.

Sofrendo abusos físicos, e psicológicos. Mas não posso ser egoísta, ao ponto de só pensar no meu bem-estar.

Eles merecem muito, cuidaram-me desde a morte dos meus pais. São a minha única família, não posso perdê-los de jeito nenhum. Estes homens são perigosos demais, não posso arriscar.

— Tia não se preocupe, estou bem. — Tento acalmar ela. — Agora tenho que me desligar, estão-me a chamar, por favor diz ao meu tio, e a mina madrinha que estou bem. Este trabalho é temporário.

— Ara, querida por favor, não deixe de dar notícias. — Suspirou insatisfeita. — Cuida-se, nos amamos-te muito....

Encerro a ligação em lágrimas, sentando novamente no sofá. Não entendo o porquê de tudo que acontece comigo.

Limpo as lágrimas, com as costas das minhas mãos, direciono o meu olhar de repulsa ao Salvatore.

— Como pode inventar uma mentira para a minha família! — Passo as mãos no meu cabelo — Ainda fazer ameaças, obrigando-me a mentir, o que vocês provavelmente já o fizeram.

— Estou surpreendido quanto você, menina. — Parecia pensar em algo. — Vou averiguar muito bem essa informação. Espero que não esteja envolvida nisso. — Caminhou ao meu encontro, sustentou o seu olhar, procurando verdade no meu olhar.

— Não conseguiria fazer tal coisa?... — Como ousa em acusar-me, esse homem é louco — Quem entre nós é especialista, em mentiras obviamente não sou eu!. — Não esperei a sua permissão, e sai apressadamente daquela sala.

Não acredito nas suas palavras, nada que venha destas pessoas surpreende-me, não mais.

Sem dúvidas nenhuma, eles fizeram isso. Para atormentar a minha família, desgraçados. Não vou esperar por muito tempo. Chegou a hora de planear a minha fuga.

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